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B3 registra lucro de R$ 1,4 bi no 2T26 e aprova R$ 1,3 bi em juros sobre capital

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 12 min de leitura
Ibovespa

A B3 encerrou o segundo trimestre de 2026 com avanço nos principais indicadores financeiros e operacionais. A companhia, responsável pela infraestrutura do mercado de capitais brasileiro, registrou lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, crescimento de 8% em relação ao mesmo período de 2025.

O desempenho veio acompanhado de aumento da receita e de uma recuperação mais evidente das atividades ligadas à renda variável. O movimento ocorre em um momento de maior participação do mercado de ações, retomada das ofertas públicas e crescimento de diferentes produtos negociados na bolsa.

A receita total alcançou cerca de R$ 3,1 bilhões, enquanto o Ebitda recorrente ficou próximo de R$ 1,9 bilhão, com margem de aproximadamente 70%.

Os números também colocam o desempenho do segundo trimestre em perspectiva com o início de 2026. No primeiro trimestre, a B3 havia registrado receita recorde de R$ 3,2 bilhões, alta de 20,5% na comparação anual, impulsionada principalmente pelo crescimento das receitas ligadas à renda variável e aos derivativos.

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Imagem: syda_productions – Freepik

B3SA3 tem trimestre marcado pela recuperação da renda variável

Um dos pontos de maior destaque do balanço foi o comportamento do mercado à vista. O volume financeiro médio diário negociado em renda variável chegou a R$ 31,3 bilhões, avanço de 20,1% na comparação com o segundo trimestre de 2025.

O crescimento indica uma retomada importante da movimentação em produtos diretamente relacionados ao mercado de ações. Para a B3, esse tipo de evolução é especialmente relevante porque parte de suas receitas está relacionada ao volume negociado e à atividade dos participantes do mercado.

Dentro desse conjunto, o volume médio diário de ações atingiu R$ 26,9 bilhões, crescimento de 21,2% em um ano.

O desempenho dos BDRs foi ainda mais expressivo. A média diária chegou a aproximadamente R$ 1,3 bilhão, alta de 41,8%.

Os fundos listados também apresentaram expansão significativa. O volume médio diário alcançou R$ 611 milhões, aumento de 73,6% sobre o mesmo período do ano anterior.

As opções sobre ações e índices, por sua vez, movimentaram cerca de R$ 1,2 bilhão por dia, crescimento de 54%.

Na prática, os números mostram que a recuperação não ficou concentrada em apenas um produto. A maior atividade apareceu em diferentes instrumentos do mercado de capitais, o que favorece a diversificação das receitas da B3.

Derivativos tiveram comportamento diferente

Apesar da força apresentada pela renda variável, os derivativos tiveram um desempenho mais heterogêneo.

O volume médio diário caiu 8,3%, para cerca de 11,1 milhões de contratos. Um dos principais fatores foi a forte retração dos futuros de criptoativos, segmento que sofreu queda de 84,5%.

A redução esteve relacionada, entre outros fatores, a mudanças nas exigências de margem e ao menor nível de atividade nessa modalidade.

O comportamento, entretanto, não foi uniforme entre os contratos.

Os contratos de juros em reais cresceram 6,7%, enquanto os contratos relacionados aos índices de ações avançaram 20,4%.

Isso mostra que a queda agregada dos derivativos não significa necessariamente uma deterioração generalizada do segmento. Houve redução importante em uma categoria específica, ao mesmo tempo em que outras modalidades apresentaram crescimento.

Ofertas públicas voltam a ganhar espaço

Outro sinal relevante para o mercado de capitais foi a retomada das ofertas públicas.

Durante o segundo trimestre, as operações movimentaram aproximadamente R$ 11,6 bilhões, considerando R$ 3 bilhões em IPOs e R$ 8,6 bilhões em follow-ons.

A volta das ofertas iniciais de ações tem importância especial para a B3 porque amplia o número de companhias que passam a utilizar o mercado acionário para captar recursos.

O trimestre também marcou o retorno de uma oferta inicial depois de um longo período de baixa atividade nesse mercado. A retomada dos IPOs pode beneficiar não apenas a B3, mas também bancos de investimento, escritórios jurídicos, gestores e demais participantes envolvidos nas operações.

Esse ambiente também ajuda a explicar o avanço da receita relacionada à listagem e às soluções para emissores, que alcançou aproximadamente R$ 43 milhões, crescimento de 25,8% na comparação anual.

A própria B3 vem acompanhando a temporada de balanços de 2026 como um momento importante para avaliar a atividade das companhias abertas e o comportamento dos diferentes segmentos do mercado.

Renda fixa continua importante para o resultado da B3

Embora a recuperação das ações tenha chamado mais atenção no trimestre, a renda fixa continua representando uma parcela relevante da estratégia de diversificação da companhia.

As emissões de instrumentos de captação bancária cresceram 5,2%, enquanto o estoque médio avançou 18,4%.

O estoque médio de debêntures também aumentou, com expansão de 14,4%.

Esse comportamento é relevante porque a B3 não depende exclusivamente do desempenho diário do mercado acionário. A empresa possui operações relacionadas a renda fixa, crédito, derivativos, infraestrutura de mercado, dados, tecnologia e outros serviços.

No Tesouro Direto, a base de investidores alcançou 3,46 milhões, crescimento de 14,7%. O estoque médio avançou 43,7%, chegando a aproximadamente R$ 236 bilhões.

A receita de Renda Fixa e Crédito ficou em cerca de R$ 385,5 milhões, alta de 17,2%.

O resultado reforça uma característica importante do modelo de negócios da B3: quanto maior a variedade de produtos e serviços utilizados pelos participantes do mercado, menor tende a ser a dependência de um único ciclo de negociação.

Despesas também aumentaram no trimestre

O avanço da receita veio acompanhado de aumento das despesas.

As despesas totais chegaram a aproximadamente R$ 975,6 milhões, alta de 15,5% em relação ao segundo trimestre de 2025.

A companhia informou que parte desse aumento foi influenciada por despesas não recorrentes relacionadas à mudança na Diretoria Executiva e pela alteração do modelo de cobrança do Sistema Nacional de Gravames, conhecido pela sigla SNG.

Quando esses efeitos são retirados, o crescimento das despesas fica em aproximadamente 6,2%.

Essa diferença é importante para quem acompanha B3SA3 porque permite separar gastos relacionados a eventos específicos daqueles ligados à operação recorrente da companhia.

A despesa com pessoal aumentou 22%, chegando a R$ 459,8 milhões.

Os gastos relacionados à tecnologia avançaram 6,8%, para aproximadamente R$ 186,1 milhões.

A tecnologia representa uma frente estratégica para a B3, principalmente porque a companhia precisa manter sistemas capazes de processar grandes volumes de operações, além de investir em segurança, infraestrutura e novos produtos.

Em seus materiais de relações com investidores, a empresa destaca investimentos em tecnologia, cibersegurança, modernização de infraestrutura e desenvolvimento de produtos.

Mudança no comando marca novo ciclo para a B3

O segundo trimestre também ficou marcado pela transição na liderança da companhia.

Em maio, a B3 anunciou Christian George Egan como novo diretor-presidente. A escolha ocorreu após processo de sucessão conduzido pelo Conselho de Administração.

Egan possui experiência em diferentes áreas do sistema financeiro, incluindo corporate e investment banking, mercados globais, tesouraria, mercados listados, distribuição institucional e gestão de ativos.

Antes de assumir a liderança da B3, o executivo teve passagens por instituições como Credit Suisse, Itaú, Tivio Capital e Santander Brasil.

A mudança ocorre em uma fase de transformação para a empresa, que busca ampliar sua atuação em tecnologia, dados, novos produtos e experiência dos participantes do mercado.

Para os investidores de B3SA3, a troca de CEO merece acompanhamento principalmente pela possibilidade de mudanças na estratégia comercial, na alocação de capital e na agenda de expansão da companhia.

B3 mantém forte retorno de capital aos acionistas

A política de distribuição de recursos também esteve entre os destaques.

No trimestre, a B3 anunciou aproximadamente R$ 1,106 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP). Parte relevante desse montante, cerca de R$ 750 milhões, correspondeu a valores extraordinários relacionados a saldos não utilizados de exercícios anteriores.

Além dos JCP, a empresa realizou aproximadamente R$ 196,9 milhões em recompras de ações.

Somadas, as duas iniciativas representaram cerca de R$ 1,3 bilhão em retorno aos acionistas.

A política de remuneração é um ponto tradicionalmente observado por investidores que acompanham B3SA3. Em 2025, por exemplo, a companhia informou retorno de R$ 6,3 bilhões aos acionistas, entre JCP e recompras, equivalente a 4,6% do capital social recomprado naquele período.

A recompra de ações também pode influenciar métricas por ação, uma vez que reduz a quantidade de papéis em circulação quando os ativos são efetivamente cancelados ou mantidos em tesouraria conforme a estratégia corporativa.

Venda da participação na Dimensa reforça estratégia de capital

Outro movimento corporativo relevante foi a saída da B3 da Dimensa.

A companhia exerceu sua opção de venda da participação de 37,5% na Dimensa por R$ 665 milhões. A operação foi estruturada no contexto da venda da Dimensa pela TOTVS.

O negócio representa uma decisão de alocação de capital e simplificação do portfólio.

Para a B3, a venda permite transformar uma participação minoritária em recursos financeiros que podem ser direcionados para outras prioridades, como investimentos, distribuição aos acionistas ou fortalecimento da estrutura de capital.

No resultado do trimestre, a operação também contribuiu com um efeito positivo não recorrente, segundo as informações apresentadas pela companhia.

É importante, entretanto, separar esse ganho dos resultados operacionais. Receitas ou ganhos decorrentes de venda de participações não devem ser interpretados como fonte recorrente de lucro.

O que explica o bom desempenho da B3

O resultado do segundo trimestre pode ser entendido a partir de uma combinação de fatores.

O primeiro é a recuperação do volume negociado em renda variável. Quando investidores aumentam suas operações, a atividade da infraestrutura de mercado tende a crescer.

O segundo fator é a diversificação. A B3 possui exposição a ações, derivativos, renda fixa, crédito, dados, tecnologia, listagem e outros serviços.

O terceiro é a retomada das ofertas públicas. IPOs e follow-ons ampliam as receitas associadas à listagem, distribuição e serviços aos emissores.

Também existe um componente ligado ao comportamento do mercado financeiro brasileiro. No primeiro trimestre de 2026, a B3 já havia registrado forte crescimento nos volumes de renda variável, com aumento de 48% no volume médio diário desse segmento em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Assim, o segundo trimestre dá continuidade a uma tendência que já vinha aparecendo nos primeiros meses do ano, embora com características próprias em cada segmento.

B3SA3: o que o investidor deve observar

O balanço positivo não significa, por si só, que B3SA3 seja uma compra obrigatória. Para avaliar a ação, o investidor precisa considerar preço, valuation, perspectivas de crescimento, riscos e cenário macroeconômico.

Um dos principais pontos de atenção é o comportamento dos volumes negociados.

A receita da B3 possui componentes mais sensíveis ao ciclo do mercado. Em períodos de maior atividade, volatilidade e entrada de investidores, algumas linhas podem acelerar. Em momentos de menor negociação, essas receitas podem perder força.

Por isso, acompanhar apenas o lucro líquido pode esconder parte importante da dinâmica do negócio.

O investidor também deve observar a evolução das despesas. A expansão de tecnologia e pessoal pode ser necessária para sustentar o crescimento, mas precisa ser acompanhada pela capacidade de geração de receita e margem.

Outro fator relevante é a concorrência. Mudanças no ambiente competitivo do mercado de capitais brasileiro podem pressionar preços, volumes ou participação de mercado.

A sucessão na presidência também merece acompanhamento. Christian Egan chega com experiência no setor financeiro e terá o desafio de conduzir a companhia em um cenário de transformação tecnológica e possível aumento da competição.

B3SA3 paga dividendos?

A B3 utiliza uma combinação de JCP e recompras de ações para remunerar seus acionistas.

Isso significa que analisar o retorno proporcionado pela companhia exige mais do que observar apenas os dividendos tradicionais.

O JCP é uma forma de remuneração aos acionistas, enquanto a recompra de ações reduz o número de papéis disponíveis no mercado e pode aumentar a participação proporcional dos acionistas remanescentes, dependendo do destino das ações adquiridas.

No segundo trimestre de 2026, a companhia anunciou R$ 1,106 bilhão em JCP e realizou R$ 196,9 milhões em recompras, levando o total de distribuição e recompras a aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

Para quem busca renda com ações, entretanto, é necessário verificar as datas de corte, pagamento, valores por ação e eventuais impactos tributários de cada provento antes de tomar uma decisão.

B3SA3 vale a pena após o resultado do 2T26?

COPEL B3
Imagem: Isaac Fontana / Shutterstock

O balanço mostra uma companhia com forte geração de resultados, elevada margem operacional e diversificação de fontes de receita.

O crescimento de 20,1% no volume médio diário do mercado à vista, a expansão dos BDRs e fundos listados e a retomada das ofertas públicas são sinais positivos para a atividade operacional.

Por outro lado, o investidor precisa considerar que parte do desempenho da B3 está ligada ao nível de atividade dos mercados financeiros. Uma eventual redução dos volumes, mudanças regulatórias, aumento da concorrência ou desaceleração das ofertas pode afetar determinadas linhas de receita.

Também é importante não confundir um bom balanço com uma indicação automática de valorização da ação. O preço pago pelo ativo é tão importante quanto a qualidade do negócio.

A análise de B3SA3 deve combinar resultados trimestrais, múltiplos de mercado, geração de caixa, política de remuneração, investimentos, perspectivas para os volumes negociados e riscos relacionados ao ambiente competitivo.

A própria área de relações com investidores da B3 disponibiliza apresentações, demonstrações financeiras, documentos regulatórios, dados trimestrais e informações para acompanhamento do desempenho da companhia.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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