A temporada de balanços corporativos do terceiro trimestre de 2025 entra em sua fase decisiva nesta semana, com os resultados dos grandes bancos brasileiros dominando o radar dos investidores. O ciclo será inaugurado pelo Santander Brasil, que divulga seus números na manhã de quarta-feira (29). No mesmo dia, após o fechamento do mercado, é a vez do Bradesco revelar seu desempenho. Nos próximos dias, será a vez de Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú Unibanco (ITUB4).
BB sob pressão: balanços dos bancos agitam o mercado e podem alterar a bolsa hoje
Temporada de balanços destaca Banco do Brasil, Santander, Bradesco e Itaú, com foco em estabilidade no Itaú e desafios para o BB.
As expectativas do mercado estão ancoradas em um cenário já parcialmente conhecido: inadimplência elevada, margens comprimidas, crescimento tímido do crédito e uma postura ainda cautelosa diante do ambiente macroeconômico desafiador. Mesmo assim, cada banco chega ao trimestre com um pano de fundo específico — e isso pode ser decisivo para o humor dos investidores na reta final de novembro.
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Santander: recuperação em andamento, mas foco em eficiência
O Santander Brasil (SANB11) é o primeiro a apresentar seus resultados, e os analistas esperam um trimestre sem grandes surpresas, mas com sinais de melhora operacional.
Expectativas do mercado:
- Lucro líquido estável ou levemente pressionado;
- Receitas com tarifas mantendo o ritmo;
- Corte de custos administrativos refletindo na margem operacional;
- Destaque para o segmento de crédito consignado e financiamento de veículos.
Embora ainda distante do protagonismo dos pares, o Santander tem buscado ganhos de eficiência para recompor margens e melhorar sua rentabilidade, após trimestres consecutivos de pressão no spread bancário.
Bradesco: no centro da reestruturação
Se há um banco que atrai curiosidade e cautela dos analistas, esse é o Bradesco (BBDC4). Em processo de reestruturação interna desde meados de 2023, a instituição tenta reconquistar confiança após um ciclo prolongado de resultados abaixo do esperado.
Sinais a serem observados:
- Redução de provisões para devedores duvidosos (PDDs);
- Melhoras no índice de eficiência operacional;
- Crescimento da margem financeira com clientes;
- Evolução da carteira de crédito, sobretudo no segmento de pequenas empresas e varejo.
Apesar da pressão ainda visível sobre a rentabilidade, parte do mercado acredita que o Bradesco começa a mostrar sinais consistentes de recuperação, o que pode refletir em uma reprecificação positiva de suas ações na B3.
Banco do Brasil: trimestre desafiador à vista
O Banco do Brasil (BBAS3), que decepcionou o mercado no último trimestre, chega ao 3T25 em posição delicada. Analistas já antecipam resultados mais fracos, com pressão adicional sobre lucros e carteira agro, que ainda sente os efeitos da alta inadimplência no setor rural.
Principais preocupações:
- Lucro líquido em queda, impulsionado por provisões elevadas;
- Crescimento contido na carteira de crédito;
- Desempenho fraco do Banco Patagonia, na Argentina, devido à instabilidade local;
- Riscos fiscais e políticos, diante da MP 1.314/2025, que altera regras de governança e dividendos nas estatais.
A leitura é clara: “vai piorar antes de melhorar”, como dizem os especialistas. O trimestre pode ser o ponto mais baixo do ciclo atual, especialmente se a inadimplência continuar avançando no agro e no crédito pessoal.
Itaú: a estrela da temporada

Por fim, o Itaú Unibanco (ITUB4) chega como a principal referência positiva do setor bancário, mantendo sua trajetória sólida, com crescimento sustentável, alta rentabilidade e consistência operacional.
O que o mercado espera:
- Lucro líquido superior a R$ 11,8 bilhões, segundo estimativas da Genial e XP;
- ROE acima de 22,5%, consolidando a liderança do banco em rentabilidade;
- Expansão da carteira de crédito para pessoas jurídicas e alta renda;
- Fortalecimento do Itaú BBA, com ganhos no mercado de capitais;
- Destaques em seguros, crédito consignado e transformação digital com IA e open finance.
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O CEO Milton Maluhy já antecipou que um novo dividendo extraordinário está no radar para o início de 2026, e os analistas acreditam que o Itaú segue como a melhor aposta entre os bancões, com vantagem competitiva estruturada.
Contexto do mercado: Ibovespa sobe com inflação controlada e balanços positivos
O Ibovespa (IBOV) encerrou a última sexta-feira (27) com alta de 0,31%, aos 146.172 pontos, animado pelo início da temporada de balanços e pela leitura positiva da inflação no IPCA-15. No acumulado da semana, o principal índice da B3 avançou 1,93%, com destaque para as ações de bancos, varejo e energia.
Destaques internacionais:
- EUA e China devem anunciar nesta quinta-feira (30) um novo acordo comercial bilateral, o que impulsiona bolsas globais;
- O índice Nikkei (Tóquio) ultrapassou 50.000 pontos pela primeira vez na história, reforçando o otimismo na Ásia;
- A possível reaproximação entre Donald Trump e Lula, com mediação na Malásia, também repercute positivamente, especialmente por aliviar o clima do tarifaço bilateral.
No mercado interno, a combinação de inflação em desaceleração, Selic em queda e boas expectativas nos balanços cria um ambiente propício para o avanço da bolsa — com os grandes bancos no centro desse movimento.
Desempenho das ações dos bancos no mês (até 27/10)
| Banco | Código | Variação Outubro (%) |
|---|---|---|
| Itaú Unibanco | ITUB4 | +4,2% |
| Bradesco | BBDC4 | +3,8% |
| Santander Brasil | SANB11 | +2,5% |
| Banco do Brasil | BBAS3 | -1,7% |
O desempenho até aqui reflete confiança crescente em Itaú e Bradesco, enquanto Banco do Brasil enfrenta desconfiança diante de seu cenário político e fiscal instável.
Expectativas para o fechamento do 3º trimestre

- Setor bancário deve responder por quase 40% do lucro total do Ibovespa no trimestre, segundo levantamento da Ágora Investimentos;
- A expectativa média dos analistas é de crescimento de 5% no lucro consolidado dos bancos frente ao 2T25;
- O foco seguirá nos seguintes indicadores: inadimplência, ROE, margem financeira, PDDs e guidance para 2026.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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