O segundo trimestre de 2025 traz um cenário desafiador para o Banco do Brasil (BBAS3), marcado por uma deterioração acentuada da carteira de crédito rural. Historicamente visto como um dos pilares do banco, o setor agropecuário tornou-se um ponto de vulnerabilidade e deve impactar severamente os resultados financeiros da estatal neste período.
A expectativa do mercado aponta para uma queda expressiva no lucro do banco, que sofre mais intensamente com a crise do agronegócio do que seus pares privados. A inadimplência crescente e o aumento dos pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais são os principais fatores por trás dessa reversão de cenário.
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Previsões para os resultados do 2T25
Lucro líquido: estimativas em queda
As principais instituições financeiras revisaram para baixo suas projeções para o lucro do Banco do Brasil no segundo trimestre de 2025. A Genial Investimentos, uma das mais otimistas, prevê um lucro de R$ 5,1 bilhões, representando uma queda de 46,6% em relação ao mesmo período de 2024.
Outras casas projetam números ainda menores:
- Safra: R$ 4,64 bilhões
- JP Morgan: R$ 4,9 bilhões
- Goldman Sachs: R$ 5 bilhões
- Santander: R$ 4,8 bilhões
Mesmo com variações entre as projeções, o consenso é claro: a rentabilidade do Banco do Brasil deve cair significativamente.
Rentabilidade (ROE): forte retração esperada
A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE), um dos principais indicadores de eficiência bancária, também deve despencar no 2T25:
- Safra: 10,3% (ante 21,6% no 2T24)
- Goldman Sachs: 10,2%
- XP Investimentos: 12%
Esses números demonstram uma queda vertiginosa na capacidade do banco de gerar retorno para seus acionistas, refletindo a pressão estrutural da crise do agronegócio.
Inadimplência: o maior alerta do setor
A inadimplência geral da carteira do BB deve ficar entre 4,2% e 4,5%, representando uma alta superior a 1 ponto percentual em relação a 2024. Entre os produtores rurais, o cenário é ainda mais preocupante.
No primeiro trimestre de 2025, a inadimplência da população rural alcançou 7,9%, contra 7% no mesmo período de 2024, segundo dados da Serasa Experian.
Entendendo a origem da crise no agronegócio

Embora os efeitos mais severos estejam sendo sentidos em 2025, os problemas se originaram nos ciclos anteriores.
Safras problemáticas e cenário macroeconômico
As safras de 2022/23 e 2023/24 foram impactadas por uma série de fatores adversos:
- Queda dos preços das commodities, como soja e milho;
- Alta no custo dos insumos agrícolas, pressionando margens de lucro;
- Problemas climáticos recorrentes, com secas e chuvas irregulares afetando produtividade;
- Juros elevados, dificultando a rolagem de dívidas;
- Fluxo de caixa comprimido, principalmente entre pequenos e médios produtores.
Histórico de endividamento
Muitos produtores ainda carregam dívidas acumuladas desde o período da pandemia da Covid-19. Com a elevação das taxas básicas de juros nos anos seguintes, tornou-se praticamente inviável honrar os compromissos sem renegociação ou socorro.
Recuperações judiciais disparam entre produtores
Alta expressiva nas solicitações
De acordo com a Serasa Experian, os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais aumentaram 21,5% no comparativo entre trimestres. Um fator que contribuiu para essa alta foi a reforma da Lei de Falências, aprovada em 2020, que permitiu a entrada de pessoas físicas com atividade rural no regime de recuperação judicial.
Essa nova possibilidade abriu espaço para que pequenos e médios agricultores, sufocados pelas dívidas, buscassem proteção legal para evitar a execução de bens.
Risco moral identificado pelo BB
Apesar de legal, o movimento crescente de produtores rurais recorrendo à recuperação judicial foi classificado como risco moral pelo Banco do Brasil. A instituição alerta que, embora alguns casos sejam legítimos, há um incentivo crescente à judicialização como alternativa à negociação direta, o que pode gerar distorções e insegurança jurídica.
Por que o Banco do Brasil sofre mais?
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Exposição desproporcional ao setor agro
O Banco do Brasil é responsável por cerca de metade de todo o crédito rural e agroindustrial do sistema financeiro, com uma carteira estimada em R$ 735 bilhões. Isso torna a estatal muito mais exposta ao setor do que seus concorrentes privados.
Participação do agro na carteira de crédito:
- Banco do Brasil (BBAS3): 32%
- Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4): menos de 10%
- Santander (SANB11): menos de 10%
- Bradesco (BBDC3/BBDC4): menos de 10%
Além disso, o BB atua em todas as pontas da cadeia rural, desde o financiamento de pequenos agricultores familiares até grandes cooperativas e produtores exportadores, o que aumenta a complexidade da gestão de risco.
Missão institucional
Por ser um banco público, o BB também tem o papel de fomentar o desenvolvimento do setor agrícola, mesmo em momentos de maior risco. Isso inclui, por exemplo, manter linhas de crédito em áreas ou perfis que seriam rejeitados por bancos privados com foco exclusivo em retorno financeiro.
Reação do mercado e impactos nas ações
A expectativa de um lucro mais fraco e de aumento da inadimplência já tem reflexos na cotação das ações BBAS3, que registram instabilidade desde o início de julho de 2025. Investidores adotam uma postura mais cautelosa, e analistas recomendam atenção redobrada para os indicadores de qualidade da carteira no resultado do 2T25.
O que os investidores devem observar:
- Provisões para perdas (PDD);
- Volume de renegociações e repactuações;
- Evolução da inadimplência nos próximos trimestres;
- Eventual necessidade de reforço de capital.
Possíveis saídas para o Banco do Brasil

Apesar das adversidades, o Banco do Brasil possui alternativas para mitigar os impactos da crise do agro.
Medidas em estudo ou execução:
- Revisão das políticas de concessão de crédito para o setor rural;
- Maior segmentação dos clientes, com análise de risco mais precisa;
- Criação de fundos garantidores específicos para inadimplência rural;
- Pressão junto ao governo federal por medidas de renegociação emergencial.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital



