Os empregados da Caixa Econômica Federal iniciaram nesta quinta-feira (10) uma greve nacional por tempo indeterminado. A paralisação ocorre após mais de 90% dos trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada pelo banco para renovar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que reúne regras específicas para os funcionários da instituição.
O movimento acontece enquanto as negociações entre a Caixa e a representação dos empregados continuam. Uma nova rodada foi realizada na quarta-feira (9), e o banco sinalizou que apresentaria uma nova proposta nesta quinta. Mesmo assim, os sindicatos mantiveram a orientação de greve até que novas assembleias decidam os próximos passos.
A principal controvérsia envolve o Saúde Caixa, mas a negociação também trata de carreira, remuneração, condições de trabalho e outros direitos. Entenda o que levou à paralisação, quais pontos estão em disputa e o que pode acontecer a partir de agora.
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A decisão foi tomada nas assembleias realizadas nos dias 3 e 4 de setembro. Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, cerca de 90% dos trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela Caixa e aprovaram a paralisação a partir de 10 de setembro.
O resultado foi semelhante em diferentes regiões do país. Em Campinas, por exemplo, a proposta foi rejeitada por 90,61% dos participantes da votação, enquanto outras bases sindicais também registraram índices elevados de rejeição.
A insatisfação está concentrada principalmente nas mudanças previstas para o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. Os trabalhadores também avaliam outros pontos da proposta, mas o modelo de custeio do plano tornou-se um dos principais obstáculos para a aprovação do ACT.
O que é o ACT da Caixa?
O Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) estabelece condições específicas para os empregados da Caixa. Ele complementa a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que reúne direitos negociados para toda a categoria bancária.
Entre os temas específicos tratados no ACT estão questões relacionadas ao Saúde Caixa, carreira, promoção por mérito e outras condições de trabalho. Para o ciclo de 2026 a 2028, a proposta da Caixa foi construída após dez rodadas de negociação com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE).
A rejeição do ACT ocorre em um momento particularmente delicado porque a ultratividade dos acordos anteriores chegou ao fim. Isso significa que os direitos previstos no acordo anterior não permanecem automaticamente válidos apenas porque uma nova negociação ainda está em andamento.
Saúde Caixa é o principal ponto de conflito
O modelo de custeio do plano de saúde está entre os pontos que mais provocaram resistência dos empregados.
Pela proposta apresentada pela Caixa, a contribuição dos trabalhadores da ativa deixaria de ser fixa em 3,5% da remuneração-base e passaria a variar de acordo com a idade. Para os empregados mais jovens, o percentual seria de 2,7%, chegando gradualmente a 4,5% nas faixas etárias mais altas.
Os dependentes também passariam a ter cobrança própria, com valores entre R$ 480 e R$ 660, conforme a faixa etária. Além disso, o teto de contribuição familiar subiria de 7% para 9% da remuneração-base.
Para aposentados e pensionistas, a proposta prevê contribuição de 4,5% para o titular, enquanto os dependentes teriam cobrança de R$ 660. Em todos os casos, haveria um valor mínimo de R$ 50 por usuário.
Por que a Caixa quer mudar o custeio?
A Caixa argumenta que o Saúde Caixa enfrenta um desequilíbrio financeiro provocado pelo crescimento das despesas assistenciais.
Segundo os números apresentados pelo banco durante as negociações, as despesas do plano chegaram a R$ 4,39 bilhões em 2025, enquanto as receitas ficaram em R$ 3,76 bilhões. O resultado foi um déficit operacional de R$ 627,8 milhões.
O custo assistencial anual por usuário também teria aumentado de aproximadamente R$ 9,85 mil em 2022 para R$ 15,82 mil em 2025.
Para 2026, a Caixa prevê um aporte de aproximadamente R$ 540 milhões ao plano, além da adoção de medidas para elevar, a partir de 2027, o limite de participação da empresa no custeio de 6,5% para 8% da folha.
Os representantes dos trabalhadores, por outro lado, defendem uma participação maior da Caixa no financiamento do plano e questionam o aumento da parcela que poderá ser transferida aos usuários.
O que mais estava previsto na proposta rejeitada?
A proposta não tratava apenas do plano de saúde. Havia também medidas consideradas positivas pela representação dos empregados.
Na promoção por mérito, por exemplo, a Caixa propôs retirar o Alcance.Caixa dos critérios para obtenção dos chamados deltas. Os créditos referentes aos anos-base de 2026 e 2027 seriam pagos em janeiro de 2027 e janeiro de 2028, respectivamente.
Também foram propostas mudanças para pessoas com deficiência, incluindo avanços no enquadramento de trabalhadores com deficiência e transtorno do espectro autista (TEA), além da possibilidade de redução de até 25% da jornada para tratamentos durante o horário de trabalho.
Outras medidas incluem maior flexibilidade para acompanhamento médico de filhos e enteados, mudanças nas regras de ausências relacionadas a casamento e paternidade e até três dias por ano para exames preventivos de câncer e HPV.
A proposta ainda previa alterações na licença-saúde, com mecanismos para evitar que a devolução de adiantamentos salariais começasse enquanto houvesse recurso contra uma decisão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
E os reajustes salariais?
Os empregados da Caixa também são abrangidos pela negociação nacional da categoria bancária.
A proposta negociada com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) prevê reposição integral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescida de 0,6% de aumento real em 2026 e 2027 para salários e outras verbas econômicas.
Vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche ou babá também teriam reajuste pelo INPC mais 0,6%. A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) seguiria a mesma lógica.
O problema é que, segundo a representação sindical, a rejeição do ACT específico da Caixa cria um impasse sobre a aplicação conjunta das regras, justamente porque o acordo específico complementa a convenção nacional.
A greve da Caixa tem prazo para terminar?
Não.
A paralisação foi aprovada por tempo indeterminado. Isso significa que não existe, neste momento, uma data previamente estabelecida para o fim da greve.
O movimento pode ser encerrado ou alterado caso uma nova proposta seja apresentada e aceita pelos trabalhadores em novas assembleias. A orientação divulgada pela representação sindical é manter a paralisação até que haja uma decisão em assembleia.
O que acontece agora?
A negociação entre Caixa e empregados foi retomada na quarta-feira (9), depois de o banco solicitar uma nova rodada às vésperas da greve.
Segundo a representação dos trabalhadores, a mobilização contribuiu para pressionar a instituição a voltar à mesa de negociação. A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, Luiza Hansen, afirmou que o resultado das assembleias, com mais de 90% de rejeição nas bases, demonstrou a insatisfação da categoria.
O banco informou que apresentaria uma nova proposta nesta quinta-feira. A partir dela, caberá aos trabalhadores avaliar o conteúdo e decidir, em novas assembleias, se aceitam as condições ou mantêm a paralisação.
A greve pode afetar os clientes da Caixa?
A paralisação pode reduzir o atendimento presencial em agências e provocar mudanças na rotina de quem depende de serviços realizados diretamente pelos funcionários.
Isso não significa, porém, que todos os serviços da Caixa ficarão indisponíveis. Canais digitais, atendimento telefônico e outros meios de atendimento continuam sendo alternativas para diversas operações. A própria orientação divulgada pela Caixa aos clientes é priorizar os canais digitais e outros pontos de atendimento durante o movimento.
Para quem precisa resolver uma questão presencial, a recomendação é verificar previamente o funcionamento da unidade e, quando possível, utilizar os canais remotos disponíveis.
O que os clientes devem fazer durante a paralisação?
Quem utiliza a Caixa pode reduzir os impactos da greve planejando antecipadamente operações que não dependam de atendimento presencial.
Entre as alternativas estão:
- aplicativo e internet banking da Caixa;
- caixas eletrônicos, quando o serviço estiver disponível;
- atendimento telefônico;
- casas lotéricas para serviços que possam ser realizados nesses estabelecimentos;
- canais oficiais do banco para consultar orientações específicas.
Pagamentos com vencimento durante a greve também merecem atenção. O cliente deve evitar deixar uma obrigação para o último dia, principalmente quando houver necessidade de atendimento presencial ou apresentação de documentos.
O que pode acontecer com a greve?
O principal fator capaz de mudar o cenário é a evolução das negociações.
Caso a Caixa apresente uma nova proposta que seja considerada satisfatória pelos empregados, os sindicatos poderão convocar assembleias para avaliar o acordo. Se a proposta for rejeitada, a paralisação poderá continuar.
Neste momento, portanto, não há previsão oficial de encerramento. O movimento permanece por tempo indeterminado enquanto as negociações avançam.
Entenda o cenário em poucos pontos

A greve dos empregados da Caixa começou em 10 de setembro após a rejeição da proposta de renovação do ACT. O principal foco de resistência está nas mudanças previstas para o Saúde Caixa, especialmente no modelo de contribuição dos titulares e dependentes.
Ao mesmo tempo, a proposta contém avanços em temas como promoção por mérito, inclusão de pessoas com deficiência, licença-saúde e condições de trabalho. A negociação também está relacionada aos reajustes e direitos definidos na campanha nacional dos bancários.
A Caixa e os representantes dos empregados voltaram à mesa de negociação, e uma nova proposta é esperada. Até que os trabalhadores sejam novamente consultados em assembleia, a greve permanece sem data definida para terminar.
Conclusão
A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal começou nesta quinta-feira (10) e permanece por tempo indeterminado. O principal impasse está nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho, especialmente nas mudanças propostas para o Saúde Caixa, que foram rejeitadas pela maioria dos trabalhadores. A continuidade do movimento dependerá das próximas rodadas de negociação e da avaliação de uma eventual nova proposta em assembleias. Para os clientes, a recomendação é priorizar os canais digitais e acompanhar os comunicados oficiais da Caixa, principalmente antes de se deslocar até uma agência.
Enquanto não houver um novo acordo aprovado pelos empregados, a paralisação poderá continuar e afetar o atendimento presencial em diferentes regiões do país.
