O Banco Central do Brasil (BC) emitiu no último domingo (17) um alerta a instituições financeiras sobre movimentações atípicas no mercado, possivelmente ligadas a uma tentativa de ataque ao sistema de pagamentos nacional.
BC avisa bancos sobre movimentações suspeitas que podem ameaçar pagamentos
Banco Central alerta bancos sobre movimentações atípicas ligadas à Tether, apontando risco de ataque ao sistema de pagamentos brasileiro.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o comunicado levanta preocupações em torno do uso da criptomoeda Tether (USDT) por supostos operadores que estariam planejando ações coordenadas contra instituições bancárias.
O aviso acendeu um sinal vermelho no setor financeiro, especialmente após recentes episódios envolvendo ataques cibernéticos de grandes proporções.
A Febraban informou ter agido imediatamente, acionando seus comitês internos de Prevenção a Fraudes e Cibersegurança, alertando seus bancos filiados a intensificarem medidas preventivas.
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Entenda o alerta do BC

O que motivou a emissão do alerta?
O alerta do Banco Central partiu da identificação de padrões incomuns de movimentação financeira, em especial nas operações com criptomoedas.
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, houve uma elevação significativa na procura por Tether (USDT) — uma stablecoin amplamente utilizada para movimentações rápidas e que, segundo especialistas, tem sido cada vez mais comum em esquemas de lavagem de dinheiro e crimes cibernéticos.
A movimentação chamou atenção pela velocidade, volume e perfil dos envolvidos. O BC então comunicou a Febraban, que repassou a informação para os bancos com recomendações de reforço imediato de barreiras tecnológicas e operacionais.
O que é o Tether e por que ele preocupa?
O Tether (USDT) é uma criptomoeda com paridade ao dólar, usada como alternativa para transações em ambientes digitais que exigem estabilidade frente à volatilidade de outros criptoativos.
Apesar de sua funcionalidade legítima, o Tether tem sido apontado como ferramenta de preferência em operações ilícitas por ser amplamente aceito e difícil de rastrear, principalmente em plataformas descentralizadas.
A reação da Febraban e dos bancos
Medidas de contenção imediatas
Após o aviso do BC, a Febraban acionou seus Comitês de Prevenção a Fraudes e Cyber Segurança, orientando as instituições financeiras a adotarem uma série de ações emergenciais, incluindo:
- Monitoramento em tempo real de operações com criptoativos
- Revisão de protocolos de autenticação e transações eletrônicas
- Bloqueio preventivo de movimentações consideradas suspeitas
- Colaboração com forças de segurança e autoridades regulatórias
Segundo a entidade, os bancos estão atuando de forma proativa para mitigar riscos e garantir a segurança do sistema financeiro nacional.
Potenciais alvos dos ataques
Fontes do setor indicam que o possível ataque teria como foco instituições de pagamento menos estruturadas, especialmente aquelas que dependem de provedores terceirizados de tecnologia, como foi o caso recente da C&M Software — empresa que sofreu um ataque cibernético em julho.
Ataques anteriores aumentam o estado de alerta
O caso C&M Software e BMP
Em julho deste ano, o Banco Central relatou um ataque à C&M Software, provedora de soluções tecnológicas para bancos e instituições de pagamento. A ação, considerada sofisticada, comprometeu dados e sistemas utilizados por diversas empresas do setor.
O principal impacto foi sentido pela instituição de pagamento BMP, que registrou prejuízos estimados em R$ 541 milhões, segundo informações da Polícia Civil de São Paulo.
Esse episódio acendeu o alerta vermelho sobre a vulnerabilidade de intermediários no sistema financeiro, especialmente os que não possuem estrutura de cibersegurança robusta.
O papel dos intermediários no ecossistema financeiro
Instituições como a C&M Software atuam como ponte tecnológica entre bancos menores e o Banco Central, viabilizando acesso a sistemas como o PIX, o SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro) e o STR (Sistema de Transferência de Reservas).
Quando um elo dessa cadeia é comprometido, todo o sistema pode ser impactado — como mostra o ataque recente.
A crescente ameaça cibernética ao sistema financeiro
Contexto global de ataques a bancos
Nos últimos anos, ataques cibernéticos ao setor financeiro têm crescido exponencialmente, com métodos cada vez mais avançados, como:
- Phishing e engenharia social
- Ransomware com foco em instituições financeiras
- Exploração de APIs mal protegidas
- Acesso indevido a carteiras digitais e plataformas de criptoativos
Casos como o da Colonial Pipeline nos Estados Unidos e o ataque ao Itaú Unibanco em 2023 demonstram que nenhuma instituição está completamente imune.
Criptomoedas e cibersegurança: uma relação delicada
Embora o uso de criptoativos traga inovação, também representa desafios sérios de rastreamento e regulação. O BC tem adotado uma abordagem vigilante em relação ao setor, mas a descentralização e anonimato dificultam a atuação de autoridades.
“As criptomoedas estão transformando o sistema financeiro, mas também criando novas vulnerabilidades. A regulação precisa acompanhar essa evolução,” afirma Mariana Torres, especialista em segurança digital e regulação bancária.
O que dizem os especialistas?
BC deve fortalecer monitoramento regulatório
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Analistas sugerem que o Banco Central deve ampliar o monitoramento do uso de stablecoins como o Tether, além de exigir níveis mais elevados de segurança para instituições de pagamento que operam com tecnologia terceirizada.
Necessidade de uma política nacional de cibersegurança financeira
Para o professor e pesquisador Eduardo Moura, da FGV, o Brasil precisa avançar na criação de uma política nacional de defesa cibernética bancária, com foco especial em:
- Estabelecimento de protocolos mínimos de segurança para fintechs
- Compartilhamento de dados sobre ameaças em tempo real entre bancos
- Integração entre BACEN, Receita Federal, Polícia Federal e o COAF
Como o consumidor pode se proteger?
Dicas de segurança digital para correntistas
Embora os bancos estejam se protegendo, os consumidores também devem adotar medidas de precaução. Algumas práticas recomendadas incluem:
- Evitar clicar em links recebidos por e-mail ou WhatsApp
- Utilizar autenticação em dois fatores (2FA) nos apps bancários
- Manter antivírus atualizados nos dispositivos
- Nunca compartilhar senhas ou tokens
“A segurança começa pelo usuário. Um simples descuido pode dar acesso total à sua conta bancária,” alerta a especialista em cibersegurança Camila Soares.
O que pode acontecer a seguir?

Investigação e medidas do Banco Central
Apesar de ainda não ter se manifestado oficialmente sobre o episódio, espera-se que o BC publique em breve um relatório de análise de risco, com orientações adicionais ao setor.
O alerta atual, segundo especialistas, pode ser apenas o começo de uma ação coordenada para endurecer a regulação sobre movimentações com criptoativos, especialmente aquelas que escapam ao radar das instituições tradicionais.
Possíveis impactos no mercado financeiro
Caso se confirme uma tentativa de ataque mais abrangente, é possível que vejamos:
- Revisão de normas sobre pagamentos digitais
- Aumento nos custos de compliance para fintechs
- Pressão sobre empresas de tecnologia bancária para reforçar suas estruturas
Conclusão
O alerta do Banco Central sobre movimentações atípicas no mercado, envolvendo a criptomoeda Tether e uma possível tentativa de ataque ao sistema de pagamentos, acende um sinal de alerta para todo o setor financeiro brasileiro.
O episódio evidencia a necessidade de vigilância constante, adaptação regulatória e investimentos contínuos em segurança cibernética.
Em um cenário de crescente digitalização dos serviços bancários, manter a integridade, a confiança e a resiliência do sistema financeiro nacional tornou-se não apenas um desafio técnico, mas uma prioridade estratégica de interesse público.
Acompanhe as atualizações sobre o caso e fique atento às orientações dos bancos e do Banco Central.
