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Dívidas das famílias preocupam e BC prepara novas ações para conter avanço

O Banco Central (BC) está avaliando novas medidas para reduzir os riscos associados ao crescimento do endividamento das famílias e tornar a concessão de crédito mais sustentável. A preocupação ganhou espaço nas discussões do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), em um momento de juros ainda elevados e aumento da inadimplência. A discussão não significa que […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
Banco Central 11

O Banco Central (BC) está avaliando novas medidas para reduzir os riscos associados ao crescimento do endividamento das famílias e tornar a concessão de crédito mais sustentável. A preocupação ganhou espaço nas discussões do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), em um momento de juros ainda elevados e aumento da inadimplência.

A discussão não significa que o Banco Central pretende simplesmente restringir o acesso dos consumidores aos empréstimos. A estratégia está relacionada principalmente à forma como as instituições financeiras calculam riscos, definem limites e oferecem modalidades de crédito mais caras.

O movimento ocorre em um cenário no qual o endividamento das famílias permanece próximo de 50% da renda acumulada em 12 meses. Segundo os dados mais recentes divulgados pelo BC, o indicador ficou em 49,8% em junho de 2026, enquanto o comprometimento de renda chegou a 28,9%.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O problema não está apenas no tamanho das dívidas, mas também na composição do crédito utilizado pelas famílias. Modalidades de custo elevado podem aumentar rapidamente o valor devido quando o consumidor não consegue quitar a obrigação no prazo original.

Cartão de crédito, crédito pessoal e outras operações sem garantias podem apresentar taxas significativamente superiores às de financiamentos com garantias. Quando uma dívida é renovada sucessivamente, o consumidor pode acabar utilizando uma parcela cada vez maior da renda apenas para pagar compromissos financeiros.

O próprio Comef já apontou que o cenário de juros restritivos, maior inadimplência e elevação do comprometimento de renda exige maior cautela na concessão de crédito e na avaliação do apetite ao risco das instituições financeiras.

Endividamento não é o mesmo que inadimplência

É importante diferenciar dois conceitos que frequentemente aparecem juntos nas notícias.

O endividamento mede a relação entre o saldo das dívidas das famílias com o sistema financeiro e a renda acumulada em determinado período. Já o comprometimento de renda considera quanto da renda mensal está destinado ao pagamento do serviço da dívida. O Banco Central mantém séries específicas para acompanhar esses indicadores.

Já a inadimplência está relacionada às operações que não estão sendo pagas dentro das condições estabelecidas. Em junho, a inadimplência do crédito livre para pessoas físicas chegou a 7,8%, segundo o Banco Central.

Que medidas podem mudar para os bancos

Uma das possibilidades discutidas no âmbito regulatório envolve alterações nos requisitos de capital relacionados a operações consideradas mais arriscadas.

O chamado Fator de Ponderação de Risco (FPR) é utilizado no arcabouço prudencial para determinar o peso de determinadas exposições de crédito na apuração dos requerimentos de capital. Em termos simples, quanto maior o risco atribuído a uma operação, maior pode ser a necessidade de capital da instituição para suportá-la.

Uma eventual mudança nessa estrutura pode fazer com que determinadas modalidades de crédito tenham maior impacto sobre o capital regulatório das instituições. Na prática, isso pode estimular bancos e financeiras a serem mais seletivos na concessão de empréstimos.

O objetivo, portanto, não seria necessariamente impedir o consumidor de tomar crédito, mas reduzir incentivos para uma expansão excessivamente agressiva de carteiras consideradas mais arriscadas.

O que pode mudar para o consumidor

Para quem precisa de dinheiro emprestado, uma eventual mudança regulatória pode ter efeitos diferentes dependendo do perfil e da modalidade utilizada.

Clientes considerados de menor risco podem continuar encontrando ofertas competitivas. Já consumidores com maior comprometimento de renda ou histórico de atrasos podem enfrentar critérios mais rigorosos, limites menores ou custos maiores.

Por outro lado, uma política de concessão mais cuidadosa pode ajudar a evitar que famílias assumam parcelas incompatíveis com o orçamento. Esse é um dos pontos centrais da preocupação do regulador: impedir que o crédito seja utilizado para mascarar uma dificuldade financeira que tende a se agravar posteriormente.

Além das regras prudenciais, o BC também já possui iniciativas voltadas à orientação do consumidor. A Resolução BCB nº 567, publicada em maio de 2026, estabelece medidas de assessoramento e informações mínimas para clientes pessoas físicas em operações de crédito.

Juros altos aumentam a pressão sobre o orçamento

Copom
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O ambiente monetário também ajuda a explicar por que o tema ganhou importância. Desde agosto de 2026, a meta da Selic está em 14% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

A Selic não determina diretamente todas as taxas cobradas dos consumidores, mas influencia o custo geral do dinheiro na economia. Quando permanece elevada, operações de crédito tendem a ficar mais caras e famílias com dívidas podem sentir maior pressão sobre o orçamento.

O efeito é especialmente relevante para quem recorre ao crédito rotativo, parcelamentos, empréstimos pessoais ou outras linhas com juros elevados. Uma dívida que inicialmente parece administrável pode crescer de forma expressiva quando o pagamento integral deixa de ser possível.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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