O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo federal, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) apresentem, em até 15 dias, suas posições sobre a tentativa do Governo do Distrito Federal (GDF) de viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para o Banco de Brasília (BRB).
A decisão coloca novamente no centro do debate a situação financeira do banco público do Distrito Federal, afetado pelas operações realizadas com o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro. O processo envolve uma estrutura financeira que depende de garantias e contragarantias ainda contestadas pelas partes.
Fux classificou o caso como complexo e, depois da manifestação dos envolvidos, determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) também seja ouvida.
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O pedido de financiamento surgiu após perdas associadas aos negócios realizados pelo BRB com ativos do Banco Master. O objetivo do GDF é conseguir recursos para reforçar o patrimônio da instituição e preservar sua capacidade financeira.
A operação discutida prevê até R$ 6,6 bilhões em recursos do FGC, com o governo do Distrito Federal buscando uma estrutura que permita garantir o pagamento do empréstimo. A Câmara Legislativa do DF já havia aprovado, em junho, projeto que ratificava os termos de um acordo homologado pelo STF para viabilizar a operação.
Entretanto, a negociação não avançou conforme o cronograma inicialmente imaginado. O principal problema passou a ser a estrutura das garantias e a resistência de instituições envolvidas em assumir determinados riscos.
Em agosto, uma audiência de conciliação conduzida por Fux terminou sem uma solução definitiva. As partes concordaram em continuar negociando as condições necessárias para o financiamento.
O que está impedindo a liberação dos recursos
Um dos obstáculos é a própria situação fiscal do Distrito Federal. A capacidade de pagamento dos governos locais é considerada pelo Tesouro Nacional por meio da chamada Capag, classificação que vai de A a D.
A classificação do DF é C, o que dificulta a obtenção de uma garantia soberana da União pelas regras ordinárias. Por isso, a tentativa atual depende de uma construção jurídica e financeira diferente do caminho tradicional.
Também existe uma questão de transparência financeira. O FGC já havia apontado a necessidade de receber informações atualizadas sobre a situação patrimonial e operacional do BRB antes de avançar na operação.
Qual é o papel do FGC no caso
O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada responsável por administrar mecanismos de proteção a determinados depósitos e investimentos, dentro dos limites previstos na regulamentação.
O caso do BRB, porém, tem uma particularidade. A discussão não trata simplesmente do pagamento de uma garantia a clientes de uma instituição liquidada. O que está em debate é uma operação de assistência financeira destinada a reforçar a posição do banco.
O próprio FGC informou em seu relatório anual que atuou no caso Master e que uma operação de suporte financeiro foi realizada em 2025 para viabilizar pagamentos a credores elegíveis à garantia, enquanto uma possível operação envolvendo o BRB era analisada pelo Banco Central. A proposta acabou não sendo aprovada pelo regulador naquele momento.
Por isso, a nova operação exige avaliação específica dos riscos, das garantias e da capacidade de pagamento envolvida.
Por que o Banco Central precisa se manifestar
O Banco Central exerce a supervisão das instituições financeiras e tem papel central na avaliação da saúde do sistema bancário. No caso do BRB, a posição da autoridade monetária é relevante porque o eventual reforço de capital precisa ser compatível com as regras prudenciais e com a estabilidade da instituição.
O pedido de Fux não significa que o Banco Central tenha sido obrigado a aprovar o empréstimo. O ministro apenas determinou que a autoridade apresente sua manifestação no processo.
O mesmo vale para o governo federal e o FGC. As manifestações servirão para que o Supremo tenha elementos adicionais antes de decidir os próximos passos.
Depósitos judiciais aumentam a importância do BRB

A situação do banco ganhou ainda mais relevância porque o BRB administra recursos vinculados a depósitos judiciais de diferentes tribunais.
Entre os contratos está a relação com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Em agosto, Fux prorrogou por 90 dias o contrato que movimenta aproximadamente R$ 394 milhões mensais para o banco.
O BRB também administra cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais vinculados a tribunais do Distrito Federal, Paraíba, Alagoas e Maranhão, segundo informações apresentadas no processo.
Esses valores ajudam a explicar por que a situação do banco ultrapassa os interesses de seu controlador. Uma deterioração mais intensa da instituição poderia gerar efeitos sobre contratos, clientes, parceiros e a administração de recursos de terceiros.
O que acontece agora no processo
A determinação de Fux abre uma nova etapa da discussão. União, Banco Central e FGC têm 15 dias para apresentar suas manifestações. Depois disso, a PGR deverá se pronunciar.
Somente após essa sequência o ministro poderá avaliar se existem condições jurídicas e financeiras para avançar na tentativa de estruturar o empréstimo.
O STF, portanto, ainda não autorizou a liberação dos R$ 6,6 bilhões. O que existe neste momento é uma tentativa de destravar uma operação que já passou por negociações, audiência de conciliação e aprovação legislativa no Distrito Federal, mas continua enfrentando obstáculos.
O principal desafio é encontrar uma estrutura que permita reforçar o BRB sem transferir de forma inadequada os riscos da operação para a União ou para outras instituições financeiras.
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