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Quando os dividendos generosos de BBAS3 podem voltar para os acionistas?

Banco do Brasil reduz payout para 30% em 2025 após queda nos lucros. Analistas avaliam quando os dividendos voltarão ao patamar elevado.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
BB SEGURIDADE

Entre 2020 e 2024, o Banco do Brasil viveu um de seus períodos mais lucrativos da história. O lucro líquido ajustado ultrapassou a marca dos R$ 9 bilhões por trimestre, com ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) consistentemente acima de 20%. Nesse cenário, os dividendos pagos aos acionistas — incluindo dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) — chegaram a representar mais de dois dígitos de retorno anual, tornando o papel BBAS3 um dos favoritos dos investidores focados em renda.

Porém, esse ciclo virtuoso começou a dar sinais de esgotamento em 2025, com resultados mais modestos no primeiro e segundo trimestres. O impacto foi imediato: o banco decidiu revisar sua estratégia de remuneração aos acionistas.

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Banco do Brasil BBAS3
Imagem: Freepik e Canva

Queda do payout de 40% para 30% frustra investidores

O que é o payout?

O payout é a parcela do lucro que uma empresa distribui aos seus acionistas. No caso do Banco do Brasil, o payout vinha girando em torno de 40%, mas foi reduzido para 30% em 2025, o que impactou diretamente o rendimento das ações.

Essa mudança fez com que o retorno com dividendos — que já chegou a superar 10% ao ano — caísse para uma faixa estimada de 3,5% a 4%, afastando investidores que viam no banco uma fonte de rentabilidade previsível.

Segundo o JPMorgan, que recentemente se reuniu com a administração do banco, ainda não há previsão de retomada do payout mais elevado em 2026. A decisão dependerá da recuperação dos indicadores financeiros e de crédito.

A fala do diretor de RI sinaliza prudência

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Durante conferência com jornalistas, o diretor de Relações com Investidores do BB, Giovanne Tobias, foi direto ao ponto:

“2025 é o ano para fazer o freio de arrumação para nos prepararmos para 2026”.

A frase resume o momento: o banco não descarta a retomada da atratividade da ação BBAS3, mas também não antecipa uma recuperação rápida.

Foco está na reconstrução de fundamentos

A meta da instituição é retomar um ROE em torno de 15% até 2026, com base em três pilares estratégicos:

1. Estabilização da inadimplência

A deterioração da carteira de crédito, especialmente no agronegócio e entre pequenas empresas, forçou o banco a rever sua política de concessão de crédito. A inadimplência nas PMEs chegou a 10,6%, embora, ajustada pela composição da dívida, fique em torno de 6,1%.

O BB passou a exigir mais garantias reais nas operações, o que desacelerou os desembolsos e pode limitar o crescimento no curto prazo.

2. Ganhos de eficiência

O banco aposta na digitalização e racionalização de custos para sustentar margens operacionais em um cenário de menor crescimento.

3. Melhora nas margens com queda da Selic

Com a expectativa de queda da taxa Selic, o BB pretende reduzir seu custo de captação. Essa mudança pode trazer fôlego à margem financeira líquida (NII), que está pressionada desde 2024.

Resoluções regulatórias ajudam, mas não são suficientes

A administração do BB também aposta em duas novas resoluções:

  • Resolução 5244, que trata da cura de operações de crédito — ou seja, da recuperação de dívidas em atraso.
  • Nova regulamentação sobre empréstimos de programas governamentais, com potencial de alívio no balanço.

Ambas as medidas podem ajudar a recompor o capital e melhorar a eficiência, mas ainda dependem da implementação prática e do ambiente macroeconômico.

JPMorgan mantém recomendação neutra para BBAS3

Alívio parcial com MP do governo

Após o anúncio da medida provisória que trouxe alívio para o setor bancário, o papel BBAS3 chegou a subir 20% desde as mínimas, segundo o JPMorgan. Porém, os analistas mantiveram recomendação neutra, com preço-alvo em R$ 24, abaixo da cotação de pico registrada em 2024.

Sinais negativos persistem

Apesar da reação do mercado, os sinais seguem preocupantes:

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  • Inadimplência em alta, especialmente no crédito rural.
  • Compressão de margens devido à queda dos preços agrícolas.
  • Eventos climáticos adversos afetando os produtores rurais.
  • Renegociação de dívidas com resultados ainda limitados.

Segundo o banco, os produtores rurais estão altamente alavancados, e o ambiente de juros altos inviabilizou parte das renegociações.

Programa de renegociação pode trazer alívio

Banco do Brasil
Imagem: Freepik e Canva

O relatório do JPMorgan estima que, a cada R$ 7 bilhões renegociados, pode haver um ganho de 60 pontos-base no capital do banco. Há potencial de uso de até R$ 20 bilhões em ativos fiscais diferidos (DTAs), o que abriria espaço para recuperação gradual.

Ainda assim, os analistas alertam que o BB continuará enfrentando dificuldades na carteira de pequenas e médias empresas.

Ação pode estar em piso técnico

Risco x Oportunidade

Apesar dos desafios, alguns analistas de mercado veem sinais de piso técnico no preço de BBAS3, o que abriria espaço para entrada estratégica de investidores com visão de longo prazo.

O racional por trás dessa leitura inclui:

  • Preço atrativo, com BBAS3 negociando a múltiplos baixos de P/L (Preço/Lucro).
  • Potencial de recuperação de ROE para 15% em 2026.
  • Estratégia conservadora que evita deterioração maior do balanço.
  • Histórico de governança sólida mesmo em anos eleitorais.

Dividendos polpudos? Só em 2026 — e se tudo der certo

A expectativa do mercado é que, caso os fundamentos melhorem, o Banco do Brasil pode retomar gradualmente seu payout para 35% ou 40%, com retorno de dividendos novamente acima de 7% ao ano.

Contudo, esse cenário otimista depende da queda sustentável da inadimplência, da recuperação do crédito rural e da estabilização do custo de captação.

Como resume o próprio JPMorgan:

“Ainda é cedo para discutir payout em 2026.”

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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