O Banco do Brasil (BB) anunciou uma nova fase em sua estratégia de crescimento para 2025, com foco na expansão da concessão de crédito sem garantia. Essa decisão foi divulgada pela diretoria executiva da instituição durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2024.
O objetivo é pavimentar o caminho para novas oportunidades de crescimento, explorando um segmento que, embora mais arriscado, pode oferecer margens maiores para o banco.
Nos últimos 12 meses, o BB viu um aumento de 2,8% em sua linha de crédito sem garantia, enquanto outras modalidades, como o cartão de crédito, registraram queda. Esse cenário evidencia a mudança de postura da instituição, que antes havia reduzido a oferta de produtos de crédito devido à alta inadimplência observada no período pós-pandemia.
Desempenho financeiro e provisões de risco

A decisão do BB de apostar no crédito sem garantia ocorre em um momento de recuperação da inadimplência. Entre dezembro de 2022 e junho de 2024, a inadimplência de pessoas físicas caiu de 5,44% para 4,81%. Esse cenário permitiu ao banco ajustar suas estratégias e preparar o terreno para um novo ciclo de crescimento.
No segundo trimestre de 2024, o Banco do Brasil registrou um lucro líquido ajustado de R$ 9,5 bilhões, resultado da maior concessão de crédito promovida pela instituição. O saldo da carteira de crédito ampliada atingiu R$ 1,18 trilhão em junho de 2024, representando uma evolução de 13,2% em relação ao período homólogo e de 3,9% na comparação com março de 2024.
Mesmo com a expansão planejada para 2025, o BB se mantém cauteloso em relação aos riscos envolvidos. Segundo Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, a instituição possui provisões suficientes para cobrir 172% da inadimplência da carteira de crédito sem garantia. Essa abordagem reflete um equilíbrio entre a busca por maior rentabilidade e a mitigação de riscos.
Estratégia de expansão do crédito sem garantia
A expansão do crédito sem garantia está sendo vista como uma via de crescimento para o Banco do Brasil. Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos do BB, destacou que o banco está “correndo um pouco mais de risco, mas um risco calculado, pensado e com modelos que nos dão plena segurança”. A estratégia é buscar um equilíbrio entre a rentabilidade e a segurança, utilizando modelos avançados de gestão de risco para minimizar possíveis impactos negativos.
Embora o crédito sem garantia seja mais arriscado, a diretoria do BB acredita que o ambiente econômico atual oferece condições propícias para explorar esse nicho. Com uma carteira de crédito sólida e provisões robustas, o banco está bem posicionado para enfrentar os desafios que essa modalidade de crédito pode apresentar.
Papel do crédito consignado no crescimento
Apesar da nova aposta no crédito sem garantia, o Banco do Brasil não abandonou suas estratégias tradicionais, como o crédito consignado atrelado ao INSS. Durante o ano de 2024, o BB manteve um foco significativo no crescimento dessa modalidade, alcançando um aumento de 17%, com um saldo de R$ 24 bilhões em sua carteira de crédito consignado INSS.
Essa estratégia tem se mostrado particularmente eficaz em pequenas cidades, onde a demanda por crédito consignado atrelado ao INSS continua alta. O crescimento nesta área demonstra a capacidade do Banco do Brasil de diversificar suas fontes de receita, mantendo um portfólio equilibrado e resiliente diante de diferentes cenários econômicos.
Impacto no mercado financeiro

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A decisão do Banco do Brasil de expandir a concessão de crédito sem garantia tem potencial para impactar significativamente o mercado financeiro. A medida pode aumentar a competitividade entre as instituições financeiras, especialmente em um ambiente onde o crescimento econômico ainda enfrenta desafios.
O sucesso dessa estratégia dependerá de vários fatores, incluindo a capacidade do BB de gerenciar os riscos associados ao crédito sem garantia, o comportamento da inadimplência, e as condições econômicas gerais do país em 2025. No entanto, com uma abordagem cautelosa e modelos de gestão de risco robustos, o banco espera que essa expansão contribua para um crescimento sustentável nos próximos anos.
Considerações finais
A expansão do crédito sem garantia pelo Banco do Brasil marca uma nova fase na estratégia da instituição, que visa aproveitar as oportunidades de crescimento em um ambiente de menor inadimplência e maior resiliência financeira. Embora essa abordagem envolva riscos, a confiança da diretoria na robustez das provisões e nos modelos de gestão de risco sugere que o banco está bem preparado para navegar nesse novo cenário.
Com um portfólio diversificado e uma estratégia equilibrada, o Banco do Brasil está pavimentando o caminho para um crescimento sustentável em 2025, fortalecendo sua posição no mercado financeiro e oferecendo novas oportunidades para seus clientes. Resta agora acompanhar como essa expansão se desenrolará nos próximos meses e qual será seu impacto no setor bancário brasileiro.
