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Rebaixamento do Banco do Brasil ameaça dividendos; entenda o impacto

Rebaixamento de projeções faz Banco do Brasil prever dividendos menores em 2025. Impactos vêm do agronegócio, FIES e novas regras contábeis.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Dividendos

O Banco do Brasil (BBAS3) voltou a ser alvo de um rebaixamento por parte do mercado financeiro. Desta vez, a preocupação gira em torno da possibilidade de o banco público pagar o menor dividendo entre os grandes bancos brasileiros em 2025. A projeção negativa vem embasada em uma série de fatores que vêm pressionando os resultados da instituição, como a explosão da inadimplência no agronegócio, prejuízos com o FIES e a aplicação da nova resolução 4966 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que muda as regras contábeis para provisão de perdas.

Segundo o Itaú BBA, que revisou suas projeções para o Banco do Brasil, os lucros esperados para 2025 caíram 33%, enquanto para 2026 a queda projetada é de 24%. Além disso, o payout — parcela do lucro destinada ao pagamento de dividendos — foi ajustado para baixo, chegando a apenas 30%, o que representa um dividend yield estimado de 6%, abaixo da média histórica do BB e inferior aos principais concorrentes privados.

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Estimativas de dividendos e impacto no mercado

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Imagem: Freepik e Canva

Projeção reduz dividend yield e amplia desconfiança

A redução na expectativa de distribuição de dividendos coloca o Banco do Brasil em desvantagem frente a Itaú, Bradesco e Santander. Apesar da desvalorização de cerca de 28% nas ações do BBAS3 nos últimos meses, o dividend yield continua menos atrativo. A média histórica do banco é de 7,41%, mas a nova projeção do Itaú aponta para um retorno de 6%, o menor entre os grandes bancos.

P/VPA reforça percepção de desconto

A queda no valor das ações levou o P/VPA (Preço sobre Valor Patrimonial) do Banco do Brasil para 0,68, abaixo da média histórica de 0,94. Isso indica que o papel está sendo negociado com desconto em relação ao valor contábil da instituição — o que pode representar oportunidade, mas também embute riscos, especialmente considerando os fatores negativos que impactam o banco.

Inadimplência no agro e nova resolução agravam o cenário

Setor agrícola expõe fragilidade da carteira

A nova resolução 4966 do CMN obriga os bancos a adotarem o modelo contábil de perdas esperadas em três estágios. O Banco do Brasil, com cerca de R$ 400 bilhões em crédito agrícola — equivalente a um terço da sua carteira —, foi particularmente atingido. Ao contrário de instituições como o Bradesco e o Itaú, que já vinham se adequando, o BB manteve práticas mais conservadoras.

Estágio 3 e a deterioração dos ativos

No estágio 3 da nova regra contábil — o mais crítico — cerca de 72,6% da carteira agrícola do BB já está provisionada, sendo 38,5% ligada diretamente ao agronegócio. O avanço da inadimplência após a safra de 2024 e o aumento de pedidos de recuperação judicial levaram o banco a reforçar as provisões, pressionando ainda mais a margem de lucro.

Crise do FIES adiciona pressão aos resultados

Impacto bilionário no balanço contábil

Outro fator de peso na revisão negativa foi o prejuízo bilionário com o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). O Banco do Brasil possui cerca de R$ 26 bilhões em contratos inadimplentes, majoritariamente firmados entre 2010 e 2018. Mais de 838 mil contratos estão em atraso, enquanto o Fundo Garantidor de Operações (FGO) dispõe de apenas R$ 20 milhões — valor irrisório diante da magnitude do problema.

Risco contábil, ainda que não operacional

Embora o BB atue apenas como agente financeiro e não assuma o risco de crédito — responsabilidade que recai sobre o governo —, o impacto contábil desses prejuízos ainda reflete nos balanços trimestrais. Isso contribui para a percepção negativa do mercado quanto à lucratividade futura da instituição.

Perspectivas e tentativas de reversão

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Imagem: Freepik e Canva

BB busca flexibilização junto ao Banco Central

Diante das dificuldades, o Banco do Brasil iniciou conversas com o Banco Central para tentar flexibilizar a forma de avaliação da carteira de crédito rural. A ideia seria ajustar os critérios de classificação e provisionamento exigidos pela nova resolução, o que poderia aliviar a pressão sobre os balanços contábeis.

Mercado continua cauteloso com interferência estatal

Apesar da movimentação, o mercado segue reticente. Além das dúvidas sobre a capacidade de reversão dos fatores negativos, há também preocupação com o comportamento do governo em relação ao risco fiscal e à condução dos bancos públicos. O Itaú, inclusive, cortou o preço-alvo das ações BBAS3 para R$ 25, mantendo a recomendação de cautela para o curto prazo.

Comparativo de dividendos estimados para 2025

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Tabela: Dividend yield projetado por banco

BancoDividend Yield Estimado (%)
Itaú3,5% – 8%
Banco do Brasil6% (pior cenário)
Bradesco5,7% – 8,5%
Santander4,5% – 7,5%

Historicamente, o Banco do Brasil liderava o ranking de retorno via dividendos entre os grandes bancos brasileiros. No entanto, com a combinação de fatores adversos — agronegócio, FIES e mudanças contábeis —, esse cenário pode mudar significativamente em 2025.

O que esperar daqui pra frente?

Pressão sobre lucros e dividendos deve continuar

Se não houver mudanças regulatórias ou uma recuperação significativa na qualidade da carteira de crédito, é provável que os lucros do Banco do Brasil continuem pressionados. Isso comprometeria a distribuição de dividendos não apenas em 2025, mas também nos próximos anos.

Risco político pode interferir nas decisões estratégicas

Por ser uma instituição pública, o BB está mais exposto a decisões de governo, inclusive sobre dividendos. Em um cenário de maior intervenção política, é possível que os lucros sejam retidos para reforço de capital ou financiamento de políticas públicas, o que também afetaria os acionistas.

Possibilidade de recuperação ainda é incerta

Apesar de estar descontado, com múltiplos atrativos como o baixo P/VPA, o papel BBAS3 só deve se recuperar de forma consistente se houver clareza sobre a gestão do risco agro, soluções para o FIES e maior previsibilidade das regras contábeis. Sem esses elementos, o mercado tende a manter sua postura defensiva.

Conclusão

O Banco do Brasil enfrenta um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos, com múltiplos vetores de pressão sobre sua rentabilidade e capacidade de remunerar acionistas. A combinação de inadimplência no agronegócio, prejuízos com o FIES e mudanças contábeis impostas pelo CMN coloca o banco em posição delicada frente aos seus pares. Embora existam tentativas de mitigação, o cenário ainda é incerto, e o mercado permanece cauteloso quanto ao desempenho futuro da instituição. Para os investidores, o momento exige atenção redobrada e análise criteriosa dos fundamentos antes de qualquer decisão.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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