A reabertura das negociações entre o Banco do Brasil e os representantes dos trabalhadores terminou sem uma nova proposta. A instituição reafirmou que as condições apresentadas anteriormente são definitivas e que não pretende avançar nas reivindicações feitas pelos funcionários.
A reunião ocorreu depois que diferentes assembleias sindicais rejeitaram o Acordo Coletivo de Trabalho específico do banco e aprovaram a retomada das conversas. A expectativa dos trabalhadores era conseguir mudanças em pontos como Participação nos Lucros e Resultados, benefícios, carreira e assistência à saúde.
O Banco do Brasil, entretanto, alegou que chegou ao limite das concessões. A instituição também mencionou restrições relacionadas à legislação eleitoral, que impõe cuidados adicionais às empresas estatais durante o período de eleições.
Com a manutenção da proposta, os sindicatos que ainda não aprovaram o acordo deverão convocar novas assembleias. Os funcionários dessas bases terão de decidir se aceitam o texto, mantêm a mobilização ou adotam outras formas de pressão.
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O que aconteceu na reabertura da negociação?

A negociação foi retomada porque a maioria das assembleias realizadas em 4 de setembro aprovou a continuidade das tratativas. Parte dos trabalhadores considerou que ainda havia espaço para melhorar a proposta do Acordo Coletivo de Trabalho, conhecido pela sigla ACT.
O ACT estabelece regras específicas para os empregados do Banco do Brasil. Ele funciona em conjunto com a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria bancária, mas trata de assuntos próprios da instituição.
Enquanto a convenção geral estabelece direitos aplicáveis aos bancários de diferentes empresas, o acordo específico pode definir benefícios, programas internos, condições de carreira e obrigações exclusivas do BB.
Na nova reunião, os representantes dos funcionários pediram avanços e esclarecimentos. O banco respondeu que a proposta já havia atingido seu limite e seria mantida sem alterações relevantes.
Por que o banco afirmou que não pode melhorar a proposta?
Segundo o relato do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o Banco do Brasil citou as limitações impostas pela legislação eleitoral como um dos motivos para encerrar as concessões.
Por ser uma empresa controlada pelo poder público, o BB precisa observar regras específicas durante o ano eleitoral. Essas normas buscam impedir que decisões administrativas, contratações ou vantagens concedidas por estatais sejam utilizadas para influenciar a disputa política.
O banco argumentou que existem restrições para a realização de concursos e para a concessão de reajustes que ultrapassem a recomposição salarial permitida no período.
Isso não significa que todos os direitos ou negociações coletivas estejam suspensos. A instituição pode renovar acordos e aplicar correções, desde que respeite os limites legais. No caso da negociação de 2026, o BB afirma que a proposta apresentada utiliza a margem disponível.
O acordo foi aprovado ou rejeitado?
A situação varia conforme a base sindical. Os trabalhadores de São Paulo, Osasco e região aprovaram a proposta, mas funcionários representados por outros sindicatos rejeitaram o texto e pediram a reabertura das negociações.
Cada base realiza sua própria assembleia. Por esse motivo, o resultado não é necessariamente igual em todas as cidades e estados.
Nas regiões em que o acordo foi rejeitado, os sindicatos devem convocar novas votações para apresentar a resposta do banco. Os trabalhadores poderão avaliar se a manutenção do texto é suficiente para encerrar o impasse.
A ausência de uma decisão única também afeta o momento da assinatura do ACT e, consequentemente, o processamento de pagamentos vinculados ao acordo.
O que pode acontecer com a PLR do Banco do Brasil?
A Participação nos Lucros e Resultados, conhecida como PLR, é um pagamento relacionado ao desempenho financeiro da instituição. Ela não substitui o salário e segue critérios definidos em acordo coletivo.
Normalmente, uma parte é antecipada no segundo semestre e o restante é pago depois da divulgação dos resultados do ano. O cálculo pode considerar salário, parcelas fixas, lucro do banco e limites previstos na negociação.
O Banco do Brasil informou que não pode processar a PLR para as bases sem a assinatura da garantia de crédito do valor. A instituição também alegou existir impedimento jurídico para realizar dois processamentos separados.
Segundo o relato sindical, o banco já teria sido autuado por efetuar pagamentos em datas diferentes. Por isso, sustenta que precisa concluir o procedimento de maneira uniforme.
Quem não assinar o ACT perderá a PLR?
A principal preocupação envolve a antecipação prevista para setembro. De acordo com as explicações apresentadas na negociação, os funcionários das bases que não assinarem o ACT a tempo poderão ficar sem essa primeira parcela.
Nesse cenário, haveria apenas um pagamento posterior, previsto para fevereiro de 2027. O valor de setembro não seria simplesmente depositado junto com a parcela seguinte.
A proposta estabelece o compromisso de creditar a PLR em até 72 horas depois da assinatura do ACT por todas as bases necessárias. O sindicato deverá informar aos funcionários quando a data de assinatura for confirmada.
Como o tema envolve diferenças entre bases sindicais e regras de processamento, cada empregado deve acompanhar os comunicados da entidade que representa sua região. A situação de uma base que já aprovou o texto pode ser diferente daquela que ainda realizará nova assembleia.
Como funciona o bônus de R$ 3 mil?
Outro ponto esclarecido pelo banco foi o pagamento de um reconhecimento financeiro de R$ 3 mil, relacionado à Campanha de Adimplência 2026.
Adimplência significa o pagamento das dívidas dentro do prazo. No contexto da campanha, o Banco do Brasil acompanha um indicador geral relacionado ao desempenho das unidades na administração dos créditos e na redução dos atrasos.
Segundo o BB, o valor não representa uma nova meta individual. O indicador já faz parte dos objetivos estabelecidos para as unidades e não dependerá do resultado isolado de cada funcionário.
Se o banco alcançar o índice previsto, os empregados incluídos no público da campanha receberão os R$ 3 mil, conforme as regras que ainda serão formalizadas.
Quem poderá receber o reconhecimento financeiro?
A estimativa é de que aproximadamente 71,5 mil funcionários estejam no público-alvo. O grupo inclui trabalhadores lotados em áreas de negócio e de apoio.
Funcionários que atuam em áreas classificadas como táticas e estratégicas não estão incluídos na proposta divulgada.
O pagamento não é automático nem está garantido apenas com a assinatura do acordo. Ele depende do cumprimento do indicador da Campanha de Adimplência.
Segundo as informações apresentadas na negociação, a probabilidade de o banco atingir o resultado estava estimada em 85%. Embora o percentual seja alto, ele não representa a confirmação antecipada do pagamento.
Considere um empregado lotado em uma agência e incluído em uma área de negócio. Se o Banco do Brasil atingir o indicador geral e o trabalhador cumprir as condições do regulamento, ele poderá receber os R$ 3 mil. Caso a meta institucional não seja alcançada, o bônus não será liberado.
O que muda na Cassi?
A proposta prevê o adiantamento de R$ 360 milhões da contribuição patronal para o Plano de Associados da Cassi, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.
Contribuição patronal é a parte paga pela empresa para ajudar a financiar o benefício. Nesse caso, o adiantamento pretende reforçar os recursos disponíveis para o plano.
O acordo também estabelece prioridade para a contratação da Cassi no atendimento relacionado ao Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho, o SESMT, sempre que essa contratação for possível.
O SESMT reúne ações voltadas à proteção da saúde e da segurança dos trabalhadores. A participação da Cassi pode aproximar o acompanhamento ocupacional dos serviços já prestados aos funcionários do banco.
A proposta ainda prevê a inclusão de empregados egressos de bancos incorporados no Programa Bem Viver. A medida ficará condicionada à expansão do atendimento nas unidades da CliniCassi.
Quais são as mudanças na licença-paternidade?
O período de licença-paternidade previsto no acordo aumenta de 20 para 35 dias. A ampliação permite que o funcionário permaneça mais tempo com a família após o nascimento ou a chegada da criança.
O afastamento maior pode ajudar na divisão dos cuidados, na adaptação da família e no apoio durante as primeiras semanas.
As regras completas deverão observar as condições previstas no ACT, incluindo a forma de solicitação e os documentos necessários. O empregado deverá comunicar o nascimento ao banco e seguir o procedimento interno indicado.
Auxílio para filhos com deficiência terá aumento
O benefício destinado aos empregados que possuem filhos com deficiência passará de R$ 760,48 para R$ 874,55.
O reajuste corresponde a aproximadamente 15%. O objetivo é ajudar as famílias com despesas relacionadas a tratamentos, acompanhamento profissional, equipamentos e outras necessidades.
A proposta também prevê financiamento sem juros, em até 96 meses, para pais de filhos com deficiência. As condições de utilização, os valores disponíveis e os documentos necessários dependerão da regulamentação interna.
Outro avanço permite cinco jornadas de trabalho para a realização de reparos em equipamentos utilizados pela pessoa com deficiência.
Salário de referência da central de relacionamento aumentará
A proposta prevê uma alteração importante para os funcionários da central de relacionamento. O salário de referência passará de R$ 4.795,12 para R$ 6.302,77 a partir de janeiro de 2027.
A diferença é de R$ 1.507,65, equivalente a um aumento nominal de aproximadamente 31,4%.
Salário de referência é o valor estabelecido para determinada função ou estrutura de remuneração. A aplicação concreta pode depender do cargo, da jornada, da situação funcional e das demais regras internas do banco.
Os empregados alcançados pela mudança deverão conferir como o novo valor aparecerá na folha e se haverá reflexos em outras parcelas calculadas sobre a remuneração.
O acordo prevê mudanças na carreira?
O Banco do Brasil assumiu o compromisso de realizar estudos para revisar os critérios do Plano de Carreira e Remuneração.
Esse ponto não representa uma mudança imediata nas promoções ou nos salários. Trata-se do compromisso de analisar o modelo atual e discutir possíveis ajustes posteriormente.
Para os trabalhadores, a diferença é importante. Uma cláusula que estabelece estudo não garante que todas as reivindicações serão atendidas, mas cria uma obrigação de colocar o assunto na agenda de negociação.
As entidades sindicais devem acompanhar os prazos, a participação dos funcionários e os resultados desses estudos.
Quais medidas tratam da saúde mental?
O banco informou que cumprirá a cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho que prevê a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais.
Riscos psicossociais são fatores do ambiente de trabalho capazes de afetar a saúde mental. Entre eles estão metas excessivas, pressão constante, assédio, jornadas prolongadas, falta de autonomia e cobrança fora do expediente.
O programa está relacionado à aplicação da Norma Regulamentadora nº 1, a NR-1. A norma estabelece regras gerais para o gerenciamento dos riscos ocupacionais dentro das empresas.
Na prática, o acordo busca garantir que os sindicatos participem da identificação dos problemas e da discussão de medidas preventivas. O objetivo é reduzir situações que possam provocar ansiedade, esgotamento, depressão ou outros quadros relacionados ao trabalho.
Quais outros direitos aparecem na proposta?
O texto apresentado pelo Banco do Brasil reúne medidas para diferentes situações da vida profissional e familiar.
Entre os principais pontos estão:
- abono da ausência em 31 de dezembro de 2026;
- indenização de até R$ 550,5 mil por morte decorrente de assalto;
- novo modelo de enfrentamento ao endividamento dos funcionários;
- revisão de exames complementares para doenças crônicas;
- abono de até cinco dias para deslocamento e realização de provas da Anbima;
- oito dias de abono na formalização de união estável;
- políticas de ações afirmativas nos processos seletivos internos;
- estabilidade na função comissionada para vítimas de violência doméstica;
- medidas específicas para funcionários com deficiência e pais de filhos com deficiência.
As regras de cada benefício devem ser conferidas no texto final do ACT. A simples inclusão de um item no resumo da proposta não dispensa o cumprimento de requisitos e procedimentos internos.
Como funciona a proteção para vítimas de violência doméstica?
A proposta garante estabilidade de seis meses na função comissionada após o retorno da empregada ou do empregado que tenha utilizado o afastamento relacionado à Lei Maria da Penha.
A função comissionada representa uma parcela importante da remuneração de muitos funcionários. A proteção busca evitar que a vítima volte ao trabalho e perca imediatamente o cargo ou a gratificação.
Essa estabilidade oferece maior segurança financeira em um momento no qual a pessoa pode estar reorganizando a vida, mudando de endereço ou buscando proteção judicial.
O que é ultratividade e por que ela importa?
Durante a reunião, as entidades questionaram o banco sobre a prorrogação da ultratividade, mas ainda não receberam uma resposta.
Ultratividade é a manutenção temporária das cláusulas de um acordo coletivo depois do fim de sua vigência, até que um novo texto seja firmado.
Em linguagem simples, funciona como uma ponte entre o acordo antigo e o novo. Sem alguma forma de prorrogação, podem surgir dúvidas sobre quais regras continuam sendo aplicadas durante o período de negociação.
O tema é relevante porque o atraso na assinatura não envolve apenas benefícios novos. Os trabalhadores também querem segurança sobre a continuidade dos direitos que já existiam.
A negociação afeta os clientes do Banco do Brasil?
As condições do ACT dizem respeito diretamente aos funcionários. Clientes não recebem o bônus de R$ 3 mil, não participam da PLR dos empregados e não são beneficiários das cláusulas trabalhistas.
O atendimento pode ser afetado indiretamente nas bases que aprovaram paralisação ou outra forma de mobilização. Nesses locais, algumas agências podem funcionar com equipes reduzidas.
Aplicativo, internet banking, Pix, caixas eletrônicos e correspondentes bancários devem continuar disponíveis, salvo problema técnico independente do movimento.
Antes de procurar uma agência, o cliente pode consultar os canais oficiais do banco ou entrar em contato pelos telefones 4004 0001, nas capitais e regiões metropolitanas, e 0800 729 0001, nas demais localidades.
O que acontece agora?
Os sindicatos das bases que rejeitaram a proposta deverão convocar novas assembleias. Nelas, os funcionários avaliarão a posição definitiva apresentada pelo Banco do Brasil.
Há três caminhos principais: aprovar o texto, manter a rejeição e continuar mobilizados ou adotar formas de protesto definidas por cada base.
A decisão também será importante para a assinatura do ACT e para o processamento da antecipação da PLR. Quanto maior a demora para concluir o acordo, maior a preocupação dos trabalhadores com o calendário do pagamento.
Para o funcionário, o próximo passo é acompanhar exclusivamente os comunicados do sindicato responsável por sua base. Mensagens compartilhadas por colegas de outras regiões podem não refletir a situação local.
Perguntas frequentes

O Banco do Brasil apresentou uma nova proposta?
Não. Na reabertura da negociação, o banco reafirmou a proposta anterior e declarou que não pretende avançar nas reivindicações.
O acordo do Banco do Brasil já foi aprovado?
A aprovação depende de cada base sindical. Algumas assembleias aceitaram a proposta, enquanto outras rejeitaram o texto e decidirão novamente.
Todos os funcionários receberão o bônus de R$ 3 mil?
Não. O público estimado é de 71,5 mil funcionários das áreas de negócio e apoio. O pagamento também depende do cumprimento do indicador da Campanha de Adimplência.
O bônus de R$ 3 mil é uma nova meta individual?
Segundo o Banco do Brasil, não. O pagamento está ligado a um indicador institucional que já faz parte dos objetivos das unidades.
Quando a PLR será paga?
A proposta prevê crédito em até 72 horas após a assinatura do ACT pelas bases necessárias. Funcionários de bases que não assinarem a tempo podem ficar sem a antecipação de setembro.
O que a proposta prevê para a Cassi?
O texto inclui o adiantamento de R$ 360 milhões da contribuição patronal para o Plano de Associados e a priorização da Cassi em determinados serviços de saúde ocupacional.
Qual será a nova licença-paternidade?
A proposta amplia o período de 20 para 35 dias, conforme as condições estabelecidas no acordo.
O que acontece depois da nova rodada de negociação?
As bases que rejeitaram o texto deverão realizar novas assembleias para avaliar a resposta do banco e decidir se aprovam a proposta ou mantêm a mobilização.
