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Entenda por que o Itaú (ITUB4) sobe e o BB (BBAS3) cai com atraso nos balanços!

Banco do Brasil lucra R$ 516 milhões em maio, abaixo das projeções, e ações caem 7% com temores de inadimplência no agronegócio.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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No final da última semana, o mercado financeiro foi surpreendido por uma queda acentuada de cerca de 7% nas ações do Banco do Brasil (BBAS3), movimento que colocou investidores e analistas em alerta. Embora houvesse rumores sobre possíveis fatores políticos influenciando o desempenho, a principal causa apontada para o tombo foi a divulgação, pelo Banco Central, dos resultados de maio das instituições financeiras — e os números para o banco estatal ficaram bem abaixo das expectativas.

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Imagem: pressfoto – Freepik

Lucro muito abaixo das projeções

O Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 516 milhões em maio, valor que, segundo estimativas, corresponde a um resultado de R$ 3,5 bilhões no segundo trimestre de 2025 quando extrapolado na métrica run rate. Essa projeção representa um desempenho 31% inferior à expectativa do Bradesco BBI, que previa lucro de R$ 4,89 bilhões.

O Morgan Stanley reforçou a visão negativa, calculando lucro trimestral de R$ 3,345 bilhões com base nos dados do Banco Central — queda de 50% em relação ao primeiro trimestre e de 63% na comparação anual. Para a equipe de análise, o resultado indica problemas persistentes de inadimplência no segmento de agronegócios, um dos pilares da carteira de crédito do banco.

O Goldman Sachs também revisou para baixo suas estimativas, projetando R$ 3,4 bilhões de lucro no segundo trimestre, 33% abaixo de sua previsão inicial e 35% inferior ao consenso Bloomberg.

Impacto da inadimplência no agronegócio

A qualidade da carteira de crédito do Banco do Brasil, especialmente no agronegócio, é o ponto mais preocupante para analistas. O segmento tem enfrentado dificuldades devido à queda nos preços de commodities, variações climáticas e aumento dos custos de produção, fatores que elevam o risco de inadimplência.

O banco, por ser um dos principais financiadores do setor, sente diretamente os impactos. Para os especialistas, os dados de maio já antecipam que o balanço do segundo trimestre trará más notícias, o que pode pressionar ainda mais o preço das ações após a divulgação oficial marcada para 14 de agosto, após o fechamento do mercado.

Comparação com outras instituições

Enquanto o Banco do Brasil decepcionou, outras instituições financeiras apresentaram números mais sólidos, o que reforçou a percepção negativa do mercado em relação ao banco estatal.

Itaú Unibanco (ITUB4)

O Itaú reportou lucro líquido de R$ 4,3 bilhões em maio, projetando R$ 12 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 3,6% em relação à expectativa do Bradesco BBI. O banco também apresentou aumento de 2% na carteira de empréstimos e crescimento de 1% na base de depósitos no trimestre, indicadores que sustentam a visão positiva para o desempenho.

Os resultados serão divulgados nesta terça-feira (5), após o fechamento do mercado, e há expectativa de que confirmem a resiliência do Itaú mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.

BTG Pactual (BPAC11)

O BTG Pactual também mostrou força, com lucro líquido de R$ 1,5 bilhão em maio, projetando R$ 4 bilhões para o trimestre, 7,8% acima das projeções do BBI. O banco manteve estabilidade na carteira de crédito e registrou crescimento de 5% nos depósitos. Os resultados serão apresentados no dia 12 de agosto, antes da abertura do mercado.

Nubank (BDR: ROXO34)

O Nubank teve desempenho misto. Registrou lucro líquido de US$ 163 milhões em maio, o que representa US$ 488 milhões no segundo trimestre, queda de 15% em relação às projeções do BBI. Apesar disso, apresentou avanços de 6% na carteira de crédito e nos depósitos no trimestre.

Banco Inter (BDR: INBR32)

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O Banco Inter reportou lucro líquido de R$ 79 milhões em maio, projetando R$ 242 milhões no segundo trimestre — resultado 22% abaixo das estimativas do BBI. Apesar do crescimento de 4% na carteira de crédito e 5% nos depósitos, o desempenho ainda foi considerado fraco.

Reação do mercado

A queda de quase 7% nas ações do Banco do Brasil reflete uma combinação de fatores:

  • Lucro fraco em relação às projeções de mercado.
  • Preocupações com inadimplência no segmento de agronegócios.
  • Sensibilidade política, dado o controle estatal sobre a instituição.
  • Comparação desfavorável com os concorrentes, que apresentaram resultados melhores.

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Analistas alertam que, embora parte do movimento possa ser exagerado pela reação imediata do mercado, o cenário para o curto prazo ainda é desafiador, especialmente se os resultados de agosto confirmarem as estimativas negativas.

Recomendações de investimento

O Goldman Sachs mantém recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 23, refletindo a incerteza sobre a recuperação no curto prazo. Para Itaú e BTG Pactual, a recomendação é de compra, com preços-alvo de R$ 40 e R$ 46, respectivamente.

Segundo especialistas, a recomendação neutra para o Banco do Brasil se baseia na combinação de riscos setoriais e políticos, somada à necessidade de ver sinais concretos de melhoria na qualidade dos ativos antes de uma mudança de postura.

Perspectivas para o segundo semestre

Apesar do cenário negativo no curto prazo, o Banco do Brasil ainda possui fundamentos sólidos no longo prazo, com forte presença no mercado, base diversificada de clientes e capacidade de recuperação. Entretanto, para que isso se reflita nas ações, será necessário:

  • Reduzir a inadimplência na carteira de agronegócios.
  • Melhorar a rentabilidade com eficiência operacional.
  • Reforçar a governança para aumentar a confiança dos investidores.

A expectativa é que as próximas divulgações tragam maior clareza sobre o impacto real das perdas e as estratégias adotadas pela instituição para mitigar riscos.

Importância do setor bancário no contexto econômico

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O desempenho dos grandes bancos brasileiros serve como termômetro para a economia. Resultados fortes indicam crescimento na concessão de crédito e estabilidade na inadimplência, enquanto números fracos, como os apresentados pelo Banco do Brasil, podem sinalizar desaceleração econômica e maior risco para o sistema financeiro.

A diferença de desempenho entre as instituições também mostra como a gestão de risco e a diversificação de operações influenciam diretamente a lucratividade, especialmente em setores vulneráveis como o agronegócio.

Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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