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Golpe com Pix de R$ 51 mil leva bancos à condenação em SP

STJ condena Inter e Nubank após golpe do bilhete premiado contra idosa. Decisão reforça dever dos bancos em fraudes via Pix.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
pix

O crescimento do Pix revolucionou os pagamentos no Brasil, mas também abriu espaço para novas modalidades de golpes financeiros. Entre elas, o tradicional golpe do bilhete premiado ganhou uma versão moderna: agora, criminosos usam transferências instantâneas para convencer vítimas a entregar grandes quantias em poucos minutos.

Uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça chamou atenção justamente por responsabilizar duas instituições financeiras digitais por falhas de segurança em uma fraude desse tipo. O tribunal condenou Banco Inter e Nubank a indenizar uma idosa que perdeu R$ 51,7 mil após ser enganada em Santos, no litoral de São Paulo.

O caso é considerado relevante porque reforça o entendimento de que os bancos também podem responder por fraudes quando há indícios de movimentações atípicas, demora na tentativa de bloqueio dos valores ou falhas nos mecanismos de prevenção.

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Como aconteceu o golpe do bilhete premiado

O crime ocorreu em novembro de 2022. A vítima foi abordada por duas mulheres e um homem que alegavam possuir um bilhete premiado. A estratégia usada pelos criminosos seguia o roteiro clássico desse golpe: convencer a vítima de que participaria da divisão do prêmio em troca de uma garantia financeira.

Durante o trajeto até uma agência bancária, o suspeito solicitou um Pix como prova de confiança. A idosa realizou então uma transferência de R$ 51,7 mil de sua conta no Nubank para uma conta aberta no Banco Inter em nome de um dos envolvidos.

Depois da transferência, uma das mulheres acompanhou a vítima até a agência, mas voltou ao carro e desapareceu junto aos comparsas.

Segundo os advogados da vítima, Fabricio Posocco e Andrews Ferrucio, a cliente entrou em contato rapidamente com os bancos para tentar bloquear o dinheiro. No entanto, a demora no atendimento e na adoção de medidas permitiu que os golpistas movimentassem os valores antes do bloqueio.

O que decidiu a Justiça

Condenação em primeira instância

Em 2024, a vítima acionou a Justiça. A decisão da 3ª Vara Cível de Santos reconheceu falhas de segurança das duas instituições.

No caso do Nubank, o entendimento foi de que a instituição deveria ter identificado a operação como incompatível com o perfil financeiro da cliente. O Judiciário apontou que a movimentação era atípica e merecia mecanismos extras de verificação.

Já em relação ao Banco Inter, a decisão destacou a ausência de comprovação sobre os procedimentos adotados na abertura da conta utilizada pelos criminosos.

As instituições foram condenadas a devolver os R$ 51,7 mil e ainda pagar R$ 10 mil por danos morais.

Reviravolta no TJ-SP

Em 2025, os bancos recorreram ao Tribunal de Justiça de São Paulo. O tribunal estadual reformou a sentença e entendeu que a transferência havia sido feita espontaneamente pela vítima.

Na prática, o TJ-SP considerou que houve culpa exclusiva da idosa, afastando a responsabilidade das instituições financeiras.

STJ volta a condenar os bancos

O processo chegou então à Terceira Turma do STJ, que restabeleceu a condenação das instituições.

O relator do caso, Ricardo Villas Bôas Cueva, afirmou que houve falha bancária na prevenção da fraude.

Segundo ele, o Nubank deveria ter dado atenção especial à movimentação fora do padrão da cliente.

“Caso o Nubank tivesse dispensada a devida atenção à movimentação repentina de alto valor, em total dissonância com a movimentação padrão da consumidora, por certo, teria evitado a concretização da fraude.”

Sobre o Banco Inter, o ministro destacou que a instituição não comprovou a regularidade da abertura da conta usada pelos criminosos.

A decisão determinou responsabilidade solidária, ou seja, ambos os bancos respondem conjuntamente pelo pagamento da indenização.

O que significa responsabilidade solidária

Na prática, a responsabilidade solidária permite que a vítima cobre integralmente o valor de qualquer uma das instituições condenadas.

Depois, os próprios bancos resolvem internamente como dividir o prejuízo.

Esse tipo de decisão costuma ser aplicado quando o Judiciário entende que houve falhas concorrentes de diferentes empresas na prestação do serviço.

O impacto da decisão para consumidores

A decisão do STJ pode influenciar outros processos envolvendo golpes via Pix, principalmente em situações que apresentem:

  • movimentações incompatíveis com o perfil do cliente;
  • ausência de mecanismos adicionais de confirmação;
  • demora no bloqueio de valores;
  • falhas no monitoramento antifraude;
  • abertura irregular de contas usadas por criminosos.

Especialistas em direito do consumidor apontam que o entendimento reforça a aplicação do Código de Defesa do Consumidor às instituições financeiras.

O próprio STJ já possui jurisprudência consolidada sobre responsabilidade objetiva dos bancos em casos de fraudes relacionadas à prestação de serviços financeiros.

O avanço dos golpes financeiros no Brasil

Dados da Federação Brasileira de Bancos mostram que golpes envolvendo engenharia social cresceram fortemente após a popularização do Pix.

Criminosos passaram a explorar principalmente:

Golpe do falso funcionário

O criminoso se passa por atendente do banco e induz a vítima a fazer transferências.

Golpe do WhatsApp clonado

Os golpistas usam contas falsas para pedir dinheiro a familiares e amigos.

Golpe da falsa central telefônica

A vítima acredita estar falando com o banco e acaba autorizando operações fraudulentas.

Golpe do bilhete premiado

Apesar de antigo, continua fazendo vítimas, especialmente idosos.

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Nesse modelo, os criminosos exploram pressão psicológica, senso de urgência e promessa de ganhos financeiros fáceis.

O que os bancos dizem sobre segurança

Em nota, o Nubank afirmou que não comenta decisões judiciais específicas por causa do sigilo bancário e da privacidade dos clientes.

A instituição destacou investimentos em:

  • tecnologia antifraude;
  • monitoramento de operações atípicas;
  • mecanismos extras de segurança;
  • campanhas educativas contra golpes.

O banco também informou que mantém alertas dentro do aplicativo e canais de atendimento para suporte aos clientes.

Até o momento, o Banco Inter não apresentou posicionamento público detalhado sobre o caso.

Como agir rapidamente após um golpe via Pix

Especialistas recomendam que a vítima tome providências imediatas para aumentar as chances de recuperação do dinheiro.

Acione o banco imediatamente

O primeiro passo é comunicar a fraude pelos canais oficiais da instituição.

Solicite o MED do Pix

O Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central do Brasil, permite rastrear e tentar bloquear valores enviados em fraudes.

O pedido deve ser feito o mais rápido possível.

Faça boletim de ocorrência

O registro policial é importante para investigação e para fortalecer eventual ação judicial.

Guarde provas

Conversas, comprovantes, ligações e registros do atendimento bancário podem ser essenciais no processo.

Idosos seguem entre os principais alvos

Casos como o de Santos evidenciam um padrão recorrente no Brasil: idosos continuam sendo alvo preferencial de criminosos.

A combinação entre abordagem emocional, pressão psicológica e aparência de urgência aumenta o risco de fraudes.

Especialistas orientam que familiares conversem frequentemente sobre golpes financeiros e reforcem cuidados básicos, como:

  • nunca realizar transferências sob pressão;
  • desconfiar de promessas de dinheiro fácil;
  • evitar decisões financeiras sozinho em situações suspeitas;
  • confirmar informações com familiares ou gerentes do banco.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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