A discussão sobre a regulamentação dos juros do crédito consignado do INSS chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), com bancos questionando a competência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) para determinar o teto dessas taxas.
Bancos x INSS: quem ganha e quem perde na batalha pelos juros do consignado?
Bancos questionam no STF a competência do INSS e do CNPS para definir juros do consignado. Entenda a polêmica e os impactos para aposentados e instituições financeiras
A polêmica envolve interesses econômicos, jurídicos e sociais, afetando diretamente aposentados, pensionistas e as instituições financeiras. O crédito consignado é uma modalidade de empréstimo voltada para aposentados e pensionistas do INSS, onde as parcelas são descontadas diretamente no benefício recebido.
Leia mais: Golpe do consignado do INSS: saiba como se proteger!
Regra atual
A regra atual permite comprometer até 45% da renda mensal com o consignado, sendo:
- 35% para empréstimos pessoais;
- 5% para o uso de cartões de crédito;
- 5% para o cartão de benefício.
Os prazos podem chegar a 84 meses (sete anos), tornando essa linha de crédito atrativa pela previsibilidade das condições.

Entenda a ação no STF
Quem ingressou com a ação?
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) foi apresentada pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa instituições financeiras de médio porte.
O que está sendo questionado?
A ABBC argumenta que:
- A legislação atual (Lei 10.820/2003) não concede ao INSS e ao CNPS autoridade para definir o teto de juros;
- A competência seria exclusiva do Conselho Monetário Nacional (CMN), conforme a Lei 4.595/64, que organiza o Sistema Financeiro Nacional.
A entidade defende que as recentes reduções de juros, promovidas pelo CNPS com base na taxa Selic, tornam a operação do consignado inviável para muitos bancos.
Argumentos da ABBC
Comprometimento da viabilidade econômica
A ABBC aponta que o teto de 1,66% ao mês (aproximadamente 21,72% ao ano) para os juros do consignado não cobre os custos de captação no mercado financeiro, que chegam a 14% ao ano.
Crítica ao uso da Selic:
Os bancos argumentam que a Selic, usada como referência para o cálculo das taxas, não reflete os custos reais de captação de longo prazo, necessários para contratos de até sete anos.
Impacto na oferta de crédito
Segundo a associação, a inviabilidade econômica já levou à suspensão da oferta de crédito consignado por várias instituições. Isso pode levar aposentados a buscar alternativas mais caras ou arriscadas, como agiotas.
A posição do Ministério da Previdência e do CNPS
Defesa da regulamentação atual
O Ministério da Previdência Social reafirma que o INSS e o CNPS têm competência legal para deliberar sobre o crédito consignado. Segundo a pasta, as reduções nas taxas beneficiam os aposentados, principalmente na portabilidade e refinanciamento de contratos.
Proteção a aposentados e pensionistas
A advogada Tonia Galetti, do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas (Sindnapi), destaca que o controle das taxas é essencial para proteger uma população vulnerável.
“A média de benefícios pagos aos aposentados no Brasil não chega a R$ 2.000. Para muitos, o consignado é a única alternativa para necessidades básicas”, afirma Galetti.
Impactos para aposentados e para o mercado financeiro
Para aposentados
- Benefícios: Taxas mais baixas permitem o acesso a crédito mais barato, reduzindo o endividamento excessivo;
- Desafios: A restrição na oferta de crédito pode limitar as opções disponíveis, especialmente para quem depende do consignado.
Para bancos
- Prejuízos: A baixa rentabilidade compromete a sustentabilidade das operações;
- Alternativas: Instituições podem buscar outros nichos ou pressionar por mudanças no modelo de regulamentação.
O papel do STF na decisão
O STF terá de decidir sobre:
- A competência para regulamentar os juros do consignado;
- A constitucionalidade das deliberações do CNPS e do INSS.
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Se a corte decidir a favor da ABBC, o CMN poderá reassumir o controle sobre o teto de juros, possivelmente resultando em condições mais favoráveis aos bancos.
Como contratar um crédito consignado
Contratar um crédito consignado é um processo simples e atrativo para aposentados, pensionistas do INSS e trabalhadores de empresas conveniadas, devido às suas taxas reduzidas e ao desconto automático no benefício ou salário. Veja o passo a passo:
Verifique sua margem consignável
A margem consignável é o limite da renda que pode ser comprometido com parcelas do consignado. No caso de aposentados e pensionistas do INSS, esse valor é de até 45% do benefício mensal, dividido entre empréstimos pessoais (35%), cartão de crédito (5%) e cartão de benefício (5%).
Escolha uma instituição financeira
Pesquise bancos e financeiras autorizados pelo INSS para encontrar as melhores taxas e condições. Certifique-se de que a instituição está conveniada ao sistema.
Simule as condições
Utilize simuladores online ou compare propostas diretamente com as instituições financeiras. Verifique taxas de juros, número de parcelas e o valor total a ser pago.
Apresente os documentos necessários
Geralmente, são exigidos RG, CPF, comprovante de residência e extrato do benefício ou contracheque.
Assine o contrato
Após aprovação, assine o contrato e acompanhe o crédito em sua conta. As parcelas serão descontadas automaticamente.

Considerações finais
A disputa judicial evidencia a tensão entre proteger os interesses sociais de aposentados e garantir a viabilidade econômica das instituições financeiras.
Independentemente da decisão do STF, o caso levanta discussões importantes sobre a governança do crédito consignado e a necessidade de equilibrar interesses econômicos e sociais em um cenário de vulnerabilidade crescente.
Imagem: Andrzej Rostek / Shutterstock.com
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