Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Bares em SP sofrem queda de vendas de bebidas após surto de metanol

Após o surto de metanol em destilados, bares de São Paulo registram queda de 25% nas vendas e mudança no padrão de consumo.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Casos de intoxicação por metanol terão novo protocolo federal de atendimento comitê bares

A crise causada pela contaminação de destilados com metanol continua impactando fortemente o setor de bares na cidade de São Paulo. Duas semanas após a eclosão do problema, os estabelecimentos ainda operam com resultados financeiros abaixo do período anterior à crise, mesmo com uma leve recuperação nas vendas.

Segundo levantamento da plataforma Zig, especializada em soluções tecnológicas e financeiras para o mercado de entretenimento ao vivo, os bares paulistanos registraram um crescimento de 1% no faturamento entre os dias 6 e 12 de outubro de 2025. No entanto, o resultado ainda representa uma queda de 25% em relação à semana anterior ao surgimento dos primeiros casos de intoxicação por metanol.

Impacto financeiro e mudanças no comportamento do consumidor

metanol
Imagem: Freepik

Leia mais: Golpe do metanol: entenda como funciona!

O estudo da Zig considerou 558 mil pedidos realizados por 155 mil consumidores em 371 estabelecimentos da capital paulista entre 22 de setembro e 12 de outubro. A análise mostra que o impacto da crise foi imediato e severo, mas a recuperação vem ocorrendo de forma gradual e desigual entre os tipos de bebidas.

Os destilados — principais afetados pelas denúncias e pela desconfiança do público — tiveram crescimento de 35,6% na segunda semana após a crise, compensando parcialmente a queda de 70% registrada na primeira semana do surto.

Recuperação dos destilados

Principais bebidas em recuperação

Entre os destilados, três categorias se destacaram pela retomada mais acelerada:

Tipo de bebidaCrescimento nas vendas
Whisky+46,8%
Vodka+37,5%
Gin+35%

Mesmo com esses números positivos, as vendas ainda estão bem abaixo do patamar anterior à crise. A recuperação reflete uma tentativa do público de retomar o consumo, embora com maior cautela e preferência por marcas conhecidas e de procedência garantida.

Bebidas substitutas em retração

Durante a primeira semana da crise, bebidas como cerveja, licor e vinho apresentaram aumento nas vendas, servindo como substitutos temporários aos destilados. No entanto, na segunda semana, esses ganhos começaram a se reverter:

Tipo de bebidaVariação nas vendas
Cerveja-7,81%
Licor-3,26%
Vinho-2,71%

RTDs e spritz em alta

Outra tendência observada é o crescimento dos chamados RTDs (“ready to drink”), bebidas prontas com álcool destilado, que registraram alta de 4,7% na semana e acumulam crescimento de 36% desde antes da crise.

O spritz, bebida à base de espumante e laranja, também ganhou espaço e cresceu 51,33%, tornando-se uma alternativa popular aos coquetéis com destilados.

Público menor, mas com gasto maior

A movimentação nos bares ainda não retornou ao patamar pré-crise. Na semana analisada, foram registrados 50,6 mil consumidores únicos, abaixo dos 52,4 mil da semana anterior e dos 61,7 mil da semana anterior à crise.

Apesar da queda no número de clientes, o ticket médio apresentou alta de 5,9%, passando de R$ 118,06 para R$ 125,01. Antes da crise, o valor médio era de R$ 136,61, o que indica uma lenta recuperação na disposição de gasto dos consumidores.

Crise do metanol: entenda o caso

Como começou

O surto de intoxicações por metanol em bebidas destiladas adulteradas começou no final de setembro de 2025, quando os primeiros casos de envenenamento foram registrados em São Paulo e Pernambuco. Desde então, as autoridades de saúde intensificaram a fiscalização em bares, distribuidoras e produtores artesanais.

Situação atual em números

De acordo com boletim divulgado pelas secretarias estaduais de Saúde, São Paulo já contabiliza:

  • 90 casos de contaminação por metanol, sendo 33 confirmados e 57 em investigação
  • 339 casos descartados
  • 6 mortes confirmadas no estado e 2 em Pernambuco
  • 10 óbitos em investigação, distribuídos entre SP (4), PE (3), MS (1), PB (1) e PR (1)

São Paulo concentra 60,81% das notificações nacionais, o que reforça o peso da crise no estado.

Risco do metanol

O metanol é um álcool altamente tóxico, utilizado em solventes e combustíveis. Quando ingerido, pode causar cegueira, falência renal, danos neurológicos e morte.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

As intoxicações ocorrem geralmente em bebidas clandestinas, adulteradas com o produto para baratear custos de produção. O governo federal reforçou a recomendação para que consumidores evitem destilados de origem desconhecida e priorizem marcas registradas.

STF e o controle da produção de bebidas

Paralelamente à crise, o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento que pode determinar a retomada do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), criado para monitorar o volume fabricado e combater a sonegação e adulteração.

O sistema, desativado em 2016, permitia rastrear cada garrafa produzida, garantindo maior transparência e segurança para o consumidor. Caso o STF decida pela reativação, especialistas acreditam que a medida poderá evitar novos surtos e restabelecer a confiança do público no consumo de destilados.

Desafios para a retomada do setor

metanol Bebida
Imagem: Freepik

Confiança abalada

O maior desafio para os bares é reconquistar a confiança do público. Mesmo com os casos concentrados em produtos ilegais, o medo da contaminação afetou o comportamento de consumo de forma ampla, especialmente em bebidas à base de álcool destilado.

Fiscalização reforçada

A vigilância sanitária intensificou as inspeções em estabelecimentos e distribuidores. Em São Paulo, mais de 400 bares e lojas foram vistoriados desde o início da crise, com interdições e apreensões de bebidas suspeitas.

FAQ – Perguntas frequentes

1. Por que os bares de São Paulo tiveram queda nas vendas?
A queda ocorreu após a divulgação de casos de contaminação por metanol em bebidas destiladas adulteradas, o que reduziu o consumo de álcool forte.

2. Quais bebidas foram mais afetadas?
Whisky, vodka e gin registraram as maiores quedas iniciais, mas estão se recuperando gradualmente.

Considerações finais

A crise do metanol expôs fragilidades no controle da produção e comercialização de bebidas alcoólicas no país, afetando diretamente o comércio de bares em São Paulo. Apesar dos sinais de recuperação, o setor ainda opera com cautela, e a retomada completa dependerá tanto da confiança do consumidor quanto de ações firmes de fiscalização e transparência.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

Topicos relacionados