O Banco Central do Brasil (BC) oficializou nesta terça-feira (24/2), por meio de publicação no Diário Oficial da União (DOU), a nomeação de um novo liquidante para conduzir o processo de liquidação extrajudicial do Banco Master.
BC nomeia novo liquidante para o Banco Master
Banco Central (BC) oficializa novo liquidante do Banco Master e detalha mudanças na liquidação extrajudicial decretada em 2025.
A substituição ocorre em caráter temporário e envolve tanto a empresa responsável quanto o profissional designado como responsável técnico.
Segundo o ato publicado, passa a atuar como liquidante substituto a empresa Sebastião Marcio Monteiro, sendo o próprio Sebastião Marcio Monteiro indicado como responsável técnico pela condução dos trabalhos. Eles assumem interinamente as funções exercidas anteriormente pela EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda.
A mudança vale entre os dias 20 de fevereiro e 6 de março de 2026.
Por que houve a substituição do liquidante?
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Na última sexta-feira (20/2), o Banco Central informou que o então liquidante do conglomerado, Eduardo Félix Bianchini, seria substituído temporariamente por motivo de saúde.
A medida não altera o status jurídico da liquidação, mas impacta diretamente a condução técnica do processo, que envolve:
- Levantamento de ativos e passivos
- Apuração de créditos
- Pagamento de credores conforme ordem legal
- Representação judicial da massa liquidanda
Em processos de liquidação extrajudicial, o liquidante exerce função estratégica. Ele passa a administrar a instituição em nome do Banco Central, com poderes amplos para encerrar operações, alienar ativos e organizar o pagamento de obrigações.
Relembre a liquidação do Banco Master
A decisão ocorreu após suspeitas de que o conglomerado teria estruturado e tentado vender carteiras de crédito e fundos sem lastro real. O valor envolvido poderia chegar a aproximadamente R$ 12 bilhões.
A defesa do controlador do grupo, o banqueiro Daniel Vorcaro, nega irregularidades e sustenta que as operações seguiam padrões de mercado.
O que é liquidação extrajudicial?
A liquidação extrajudicial é um regime previsto na legislação bancária brasileira, aplicado quando uma instituição financeira apresenta graves irregularidades ou insolvência.
Diferentemente da falência comum, ela é conduzida administrativamente pelo Banco Central, sem necessidade de decisão judicial inicial.
Como funciona na prática?
Quando a liquidação é decretada:
- As atividades da instituição são encerradas
- A administração é afastada
- Um liquidante é nomeado pelo Banco Central
- Os bens são arrecadados
- Credores são pagos conforme ordem legal
O processo pode levar anos, dependendo do volume de ativos e do número de credores envolvidos.
O que é o Raet aplicado ao Master?
No mesmo dia da liquidação, o Banco Central determinou a aplicação do Regime de Administração Especial Temporária (Raet) ao Banco Master Múltiplo S.A.
O Raet é uma medida anterior à liquidação ou paralela a ela, que permite ao Banco Central assumir temporariamente a gestão da instituição para tentar reorganizá-la ou proteger o sistema financeiro.
Nesse caso, foi nomeada a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda. para exercer a administração especial temporária, com plenos poderes.
Impacto para clientes e investidores
Uma das principais dúvidas dos brasileiros envolve os efeitos práticos da liquidação.
Depósitos são perdidos?
Não necessariamente.
Depósitos e aplicações em instituições financeiras contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitando os limites vigentes — atualmente até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Investidores com valores acima desse limite entram na fila de credores da massa liquidanda.
E os contratos de crédito?
Operações de crédito continuam existindo e devem ser honradas. A liquidação não extingue automaticamente dívidas com o banco. O liquidante pode vender essas carteiras para outras instituições.
Por que o caso chama atenção no mercado?
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O episódio ganhou repercussão por três fatores principais:
- Valor elevado das operações sob suspeita
- Envolvimento de múltiplas empresas do conglomerado
- Potencial impacto sistêmico
O Banco Central tem reforçado, nos últimos anos, sua atuação preventiva para preservar a estabilidade do sistema financeiro nacional. Casos como o do Banco Master são tratados como prioritários para evitar riscos de contágio.
O que acontece agora?
Com a nova nomeação temporária:
- O processo de liquidação segue normalmente
- Não há reabertura das operações do banco
- A apuração de ativos e passivos continua
- Credores seguem aguardando cronograma oficial
Após 6 de março de 2026, o Banco Central poderá manter a substituição ou redefinir novamente o comando técnico da liquidação.
A publicação no DOU formaliza a mudança e garante continuidade jurídica ao processo.
FAQ
A liquidação do Banco Master foi cancelada com a troca do liquidante?
Não. A liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025 continua válida. A mudança envolve apenas o responsável técnico pela condução do processo.
Quem tinha dinheiro no Banco Master perdeu os valores?
Não necessariamente. Depósitos e aplicações financeiras podem estar protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição, respeitando o teto global vigente.
Considerações finais
A nomeação de novo liquidante para o Banco Master reforça que a liquidação extrajudicial segue ativa e sob supervisão direta do Banco Central. A substituição ocorre por motivo de saúde do responsável anterior e não altera o estágio do processo.
Para clientes, investidores e credores, o cenário permanece o mesmo: aguardar os desdobramentos oficiais e acompanhar comunicados do Banco Central e do Fundo Garantidor de Créditos.
O caso segue como um dos mais relevantes do sistema financeiro brasileiro recente, tanto pelo volume envolvido quanto pela complexidade operacional.
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