A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada pelo BC nesta terça-feira (24), trouxe a confirmação de que o ciclo de elevação da taxa Selic pode estar chegando ao fim. Após uma sequência de sete aumentos consecutivos, a taxa básica de juros foi elevada em 0,25 ponto percentual, passando de 14,75% para 15% ao ano — o maior patamar desde junho de 2006.
Banco Central diz que impacto da Selic virá com mais força nos próximos meses
BC: Ata do Copom sinaliza fim da alta da Selic, hoje em 15%, e alerta para efeitos pendentes e riscos com guerra no Oriente Médio.
O documento revela que os membros do comitê consideram o nível atual de juros como “significativamente contracionista”, sendo necessário aguardar os efeitos acumulados das medidas adotadas anteriormente. Segundo o Copom, grande parte do impacto da política monetária “ainda está por vir”.
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Copom antecipa pausa no ciclo de alta
Juros no maior patamar em quase duas décadas
A decisão de elevar a Selic para 15% reflete o entendimento do Banco Central de que ainda existem riscos significativos no cenário inflacionário. No entanto, o Copom indicou que os próximos encontros deverão ser pautados por maior cautela e avaliação do impacto das ações já implementadas.
Racional da interrupção
De acordo com a ata, o Copom decidiu antecipar a interrupção no ciclo de elevações para observar os efeitos defasados do aperto monetário já promovido. A elevação de 0,25 p.p. foi menor do que a anterior, que havia sido de 0,50 p.p., sinalizando uma clara desaceleração no ritmo das altas.
Inflação segue acima da meta
Expectativas desancoradas
O Banco Central reforçou que as expectativas de inflação continuam desancoradas em todos os horizontes temporais. Isso significa que, mesmo com juros altos, o mercado ainda projeta inflação acima do centro da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O intervalo de tolerância para essa meta vai de 1,5% a 4,5%, mas as projeções ainda indicam resistência em convergir para esse objetivo, o que causa desconforto entre os integrantes do Copom.
Pressões inflacionárias e demanda interna
O Copom observa que a desaceleração da economia brasileira é fundamental para controlar os preços. A expansão do crédito e a resiliência do consumo das famílias seguem pressionando a inflação, mesmo com a política monetária em campo restritivo.
Impactos do cenário internacional
Guerra entre Israel e Irã
A reunião do Copom ocorreu antes da confirmação do envolvimento direto dos Estados Unidos na guerra entre Israel e Irã, mas o documento já alertava para o agravamento das tensões geopolíticas. O Banco Central destaca que o conflito no Oriente Médio adiciona incertezas ao mercado internacional, especialmente com relação ao petróleo.
Israel confirmou nesta terça-feira (24) que aceitou um cessar-fogo com o Irã, após ataques mútuos a instalações nucleares. Apesar da trégua, o Copom avalia que o cenário permanece volátil e requer atenção redobrada na condução da política monetária.
Incertezas nos Estados Unidos
O documento também aponta que o ambiente externo segue adverso, em especial por conta da política econômica dos Estados Unidos. O Copom vê com preocupação a falta de clareza quanto à trajetória fiscal americana, aos estímulos à economia e à condução da política comercial.
Há dúvidas sobre o impacto de medidas protecionistas, tarifas e sobre a capacidade do governo americano de promover um ajuste fiscal consistente. Isso, segundo o BC, aumenta a volatilidade global e gera movimentos inesperados nos mercados cambiais e de ativos.
Mercado de trabalho no Brasil
Desemprego em queda
A ata ressalta que o mercado de trabalho brasileiro segue em ritmo acelerado. A taxa de desemprego caiu para 6,6% no trimestre encerrado em abril, o menor patamar para o período desde o início da série histórica em 2012.
O Banco Central vê com atenção esse dinamismo, destacando que os ganhos reais de renda estão acima da produtividade — o que pode pressionar a inflação no médio prazo.
Sinal de inflexão à frente
Mesmo com dados positivos, o Copom afirma que a política monetária tende a gerar efeitos defasados sobre o emprego. A expectativa é que uma “inflexão” no mercado de trabalho se torne evidente ao longo do tempo, sinalizando uma desaceleração compatível com a taxa de juros atual.
Desempenho da economia brasileira

PIB surpreende no 1º trimestre
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025, na comparação com o quarto trimestre de 2024. Esse resultado posiciona o país entre os que mais cresceram globalmente no período, puxado principalmente pela agropecuária e setores menos sensíveis ao ciclo de juros.
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Segundo o Copom, houve uma reversão parcial do consumo das famílias, além de uma retomada do investimento. No entanto, o BC alerta que esse ritmo pode não se sustentar, já que o crédito começa a mostrar sinais de inflexão.
Renda e crédito sustentam o consumo
A autoridade monetária avalia que o dinamismo do consumo se deve ao crescimento da renda real e à manutenção do crédito em níveis ainda elevados. Contudo, aponta que o processo de moderação da atividade econômica segue em andamento — ainda que de forma lenta.
Política fiscal e confiança do mercado
Gastos públicos no radar
O Banco Central afirmou que a política fiscal do governo federal tem impacto direto sobre a demanda agregada de curto prazo e influencia a curva de juros no médio e longo prazo. O Copom defende uma atuação contracíclica do governo, para que se reduza o prêmio de risco e se favoreça o controle inflacionário.
A autoridade monetária também mencionou o debate sobre a estrutura do orçamento público e os gastos tributários como elementos que podem alterar a percepção de sustentabilidade da dívida.
Sinalizações fiscais e confiança
O documento ressalta que mudanças na percepção fiscal podem influenciar os juros futuros. A transparência e previsibilidade na condução das contas públicas são fundamentais para manter a confiança dos investidores e ajudar no esforço de ancoragem das expectativas de inflação.
Perspectivas para a taxa Selic

Manutenção em nível elevado
Apesar de sinalizar o fim do ciclo de alta, o Copom deixa claro que a Selic deve permanecer em um patamar elevado por um período prolongado. O objetivo é garantir que os efeitos da política monetária se consolidem, ajudando a conter a inflação e a reancorar as expectativas.
Cautela nas próximas decisões
O Banco Central adota um tom de cautela diante das incertezas externas e internas. Segundo o Copom, o momento exige vigilância, paciência e serenidade para garantir que a política monetária continue produzindo os efeitos desejados.
Não há, por ora, sinalização de cortes de juros, e o BC reforça que qualquer decisão futura dependerá da evolução dos dados de inflação, atividade econômica, emprego e cenário internacional.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
