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BCE reforça alerta sobre riscos de IA aplicada a ataques cibernéticos

Banco Central Europeu (BCE) pede reação urgente dos bancos diante de ameaças cibernéticas impulsionadas por IA avançada.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
BCE reforça alerta sobre riscos de IA aplicada a ataques cibernéticos

O avanço acelerado da inteligência artificial voltou a colocar o sistema financeiro global em estado de alerta. Desta vez, o aviso partiu do Banco Central Europeu (BCE), que pediu aos bancos da zona do euro que reforcem imediatamente suas defesas contra possíveis ataques cibernéticos impulsionados por ferramentas avançadas de IA, como o modelo Mythos, desenvolvido pela empresa Anthropic.

O alerta foi feito nesta quarta-feira pelo integrante da diretoria do BCE Frank Elderson, vice-presidente da área de supervisão bancária da instituição. Segundo ele, o setor financeiro europeu precisa agir rapidamente para evitar que novas gerações de inteligência artificial sejam utilizadas para explorar vulnerabilidades tecnológicas de bancos e empresas parceiras.

A preocupação ganhou força após relatos de que grandes bancos dos Estados Unidos já estariam correndo para corrigir falhas críticas identificadas por sistemas de IA avançados.

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O que é o modelo Mythos e por que ele preocupa

O Mythos é um modelo de inteligência artificial associado à Anthropic, empresa que vem desenvolvendo tecnologias avançadas de IA voltadas para análise de dados, automação e interpretação de sistemas complexos.

Especialistas em segurança digital afirmam que ferramentas desse tipo possuem capacidade crescente para:

  • Identificar vulnerabilidades em sistemas;
  • Automatizar análises de segurança;
  • Detectar falhas em redes corporativas;
  • Simular ataques sofisticados;
  • Acelerar processos de invasão digital.

Embora essas tecnologias também possam ser usadas defensivamente, autoridades regulatórias temem que criminosos utilizem modelos avançados de IA para aumentar a escala e a eficiência de ataques cibernéticos.

BCE vê cenário mais perigoso para bancos europeus

Segundo Frank Elderson, o fato de bancos da zona do euro ainda não terem acesso amplo ao Mythos torna a situação ainda mais delicada.

Isso porque instituições financeiras americanas já estariam utilizando o sistema para detectar vulnerabilidades internas e acelerar correções de segurança.

Enquanto isso, bancos europeus poderiam ficar temporariamente em desvantagem tecnológica.

O representante do BCE afirmou que a falta de acesso ao modelo não pode servir como justificativa para atrasos na modernização da segurança digital.

Christine Lagarde também demonstrou preocupação

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, já havia alertado neste mês que o BCE está estudando mecanismos de defesa contra ataques cibernéticos guiados por inteligência artificial avançada.

Segundo Lagarde, o crescimento dessas ferramentas exige uma nova abordagem regulatória e tecnológica para proteger o sistema financeiro europeu.

A dirigente reconheceu que o BCE enfrenta dificuldades por ainda não possuir acesso amplo ao modelo Mythos.

Bancos dos EUA saem na frente

Segundo informações divulgadas pela Reuters, grandes bancos americanos receberam acesso antecipado ao sistema e passaram a revisar rapidamente suas estruturas digitais.

As instituições financeiras estariam corrigindo dezenas de vulnerabilidades identificadas pela ferramenta de IA.

Entre os possíveis problemas detectados estariam:

  • Falhas em bancos de dados;
  • Sistemas desatualizados;
  • Brechas em autenticação;
  • Vulnerabilidades em APIs;
  • Configurações inseguras em redes internas.

Esse movimento reforçou preocupações de reguladores internacionais sobre a velocidade da transformação tecnológica no setor financeiro.

Japão também pode ganhar acesso em breve

O cenário pode ampliar a diferença tecnológica entre regiões.

Segundo as informações divulgadas, os três maiores bancos do Japão devem receber autorização para começar a trabalhar com o Mythos nas próximas semanas.

Caso isso se confirme, Europa e parte de outros mercados globais poderão enfrentar pressão para acelerar investimentos em segurança cibernética baseada em IA.

Por que ataques com IA preocupam tanto o setor financeiro

O sistema bancário é considerado uma das infraestruturas mais sensíveis da economia global.

Bancos armazenam:

  • Dados financeiros;
  • Informações pessoais;
  • Registros de transações;
  • Sistemas de pagamentos;
  • Plataformas de crédito;
  • Operações internacionais.

Qualquer ataque bem-sucedido pode gerar impactos bilionários.

Com a inteligência artificial, especialistas acreditam que criminosos poderão desenvolver ataques mais sofisticados, rápidos e difíceis de detectar.

IA pode acelerar ataques automatizados

Ferramentas avançadas de IA conseguem analisar grandes volumes de dados em poucos segundos.

Isso pode permitir:

  • Descoberta automatizada de falhas;
  • Criação de códigos maliciosos;
  • Engenharia social mais sofisticada;
  • Ataques personalizados;
  • Simulação de comportamento humano.

Além disso, modelos avançados podem reduzir drasticamente o tempo necessário para identificar vulnerabilidades exploráveis.

BCE quer mudanças rápidas nos bancos

Frank Elderson afirmou que bancos e empresas terceirizadas precisam acelerar correções de segurança, inclusive em falhas consideradas pequenas.

Tradicionalmente, muitas instituições financeiras corrigem vulnerabilidades em ciclos longos de atualização de software.

Agora, o BCE defende um modelo mais ágil diante da velocidade de evolução da inteligência artificial.

Segundo o dirigente, futuros modelos poderão ser ainda mais poderosos e lançados em intervalos cada vez menores.

Empresas terceirizadas também entram no radar

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Outro ponto destacado pelo BCE envolve fornecedores externos.

Atualmente, bancos dependem de diversas empresas terceirizadas para:

  • Hospedagem em nuvem;
  • Sistemas de pagamentos;
  • Softwares internos;
  • Infraestrutura digital;
  • Atendimento automatizado.

Se essas companhias apresentarem vulnerabilidades, todo o ecossistema financeiro pode ser afetado.

Por isso, autoridades europeias querem ampliar exigências de monitoramento e segurança também sobre parceiros tecnológicos.

Brasil também acompanha avanço das ameaças digitais

Embora o alerta tenha partido da Europa, especialistas afirmam que o tema também preocupa o sistema financeiro brasileiro.

Nos últimos anos, o Brasil registrou aumento expressivo de:

  • Golpes digitais;
  • Vazamentos de dados;
  • Fraudes bancárias;
  • Ataques ransomware;
  • Tentativas de phishing.

O próprio Banco Central brasileiro já ampliou regras de segurança envolvendo Pix, autenticação e prevenção a fraudes.

Grandes bancos nacionais também vêm investindo fortemente em:

  • Inteligência artificial defensiva;
  • Monitoramento em tempo real;
  • Biometria;
  • Análise comportamental;
  • Proteção contra engenharia social.

Reguladores globais ampliam pressão por segurança digital

A preocupação do BCE faz parte de um movimento internacional mais amplo.

Autoridades financeiras de diversos países passaram a considerar segurança cibernética como tema prioritário para estabilidade econômica.

Nos últimos anos, reguladores intensificaram exigências relacionadas a:

  • Governança tecnológica;
  • Gestão de riscos digitais;
  • Continuidade operacional;
  • Proteção de dados;
  • Planos de resposta a incidentes.

Com a popularização da inteligência artificial generativa, o debate ganhou urgência adicional.

IA traz oportunidades, mas também amplia riscos

Apesar das preocupações, especialistas destacam que a inteligência artificial também pode fortalecer a segurança bancária.

Ferramentas avançadas conseguem:

  • Detectar fraudes em tempo real;
  • Identificar comportamentos suspeitos;
  • Automatizar auditorias;
  • Melhorar análise de riscos;
  • Reduzir tempo de resposta a ataques.

O desafio, segundo reguladores, é garantir que a evolução tecnológica ocorra de forma equilibrada e segura.

Wolfgang Rattay/ Reuters

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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