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Inflação baixa pode levar BCE a cortar juros novamente, diz Simkus

Avatar de Fernanda Ramos Fernanda Ramos · · · 4 min de leitura
Pilhas de moedas em formato decrescente com seta amarela em cima

O cenário econômico da zona do euro continua desafiador, e o Banco Central Europeu (BCE) pode ter que ajustar sua política monetária mais uma vez ainda em 2025. Gediminas Simkus, integrante do Conselho do BCE e presidente do Banco Central da Lituânia, afirmou nesta quinta-feira (12) que a instituição pode considerar um novo corte na taxa de juros se a inflação persistir abaixo da meta estipulada de 2%. A afirmação surge em meio a uma série de avaliações do BCE sobre o ritmo da desaceleração dos preços e o impacto das políticas recentes na recuperação econômica da região.

Embora tenha admitido a possibilidade de novos cortes, Simkus também deixou claro que qualquer decisão dependerá da análise de dados adicionais, mantendo o tom de cautela que tem caracterizado o discurso da autoridade monetária europeia nos últimos meses.

Leia mais: Mercados focam em alívio da inflação nos EUA, enquanto Ibovespa sofre pressão

Perspectiva de inflação pressiona política do BCE

Imagem mostra uma sequencia de moedas com a palavra "inflation"
Imagem: d.ee_angelo/shutterstock

Simkus destacou que o comportamento recente da inflação levanta preocupações quanto à trajetória dos preços no futuro. O BCE já havia projetado que a inflação deve se manter abaixo da meta de 2% ao longo de 2026, com uma possível recuperação apenas em 2027.

O comentário do dirigente indica uma percepção crescente dentro do BCE de que o controle rigoroso da inflação pode ter sido eficaz demais, colocando a estabilidade de preços em risco pela deflação.

Redução anterior ainda gera cautela

O BCE já deu início a uma flexibilização de sua política monetária com um corte de juros recente, após uma longa série de aumentos adotados entre 2022 e 2023 para conter a escalada dos preços provocada por choques globais, como a guerra na Ucrânia e a crise energética.

Apesar da melhora nos indicadores inflacionários, Simkus reforçou que é cedo para se comprometer com novos cortes. “Entretanto, é muito cedo para se comprometer com qualquer movimento e o BCE precisa de mais dados”, afirmou. A prudência reflete a tentativa da instituição de equilibrar o estímulo à economia com a prevenção de novos ciclos inflacionários.

Trajetória esperada para os próximos anos

As projeções do BCE indicam que a inflação deverá continuar abaixo do objetivo em 2026, cenário que pode justificar a reavaliação da atual política monetária. Para 2027, contudo, a expectativa é de que os preços voltem a ganhar fôlego e convergir para a meta.

Esse movimento de recuperação é esperado diante de uma retomada mais consistente do consumo e da atividade industrial, após o longo período de juros altos que impactaram negativamente a economia real. Ainda assim, a instituição trabalha com um cronograma de ajustes pautado por evidências, evitando ações precipitadas.

Impactos possíveis de um novo corte

Caso o BCE opte por um novo corte de juros ainda em 2025, os efeitos podem ser sentidos em diferentes áreas da economia europeia. O crédito pode se tornar mais acessível, incentivando investimentos e consumo, fatores fundamentais para sustentar o crescimento econômico. Por outro lado, há o risco de reacender pressões inflacionárias caso a recuperação ocorra em ritmo acelerado.

O debate interno entre os membros do Conselho do BCE tem sido marcado justamente por essa dualidade: enquanto alguns defendem mais estímulo à economia, outros temem que a política acomodatícia traga riscos a médio prazo.

Condição global influencia decisão

Além do cenário interno da zona do euro, fatores externos também desempenham papel fundamental nas decisões do BCE. A política monetária dos Estados Unidos, por exemplo, influencia o fluxo de capitais para economias desenvolvidas, o que pode afetar o câmbio e, por consequência, os preços na Europa.

A instabilidade geopolítica e o comportamento dos mercados globais de energia também continuam sendo acompanhados de perto, já que podem reverter a tendência de queda inflacionária em caso de novos choques.

Expectativa do mercado

Pessoa colocando moeda em um porquinho de porcelana
Imagem: Natthapol Siridech/shutterstock.com

Analistas do setor financeiro acompanham com atenção os sinais emitidos por membros do BCE como Simkus. Para muitos economistas, o fato de a autoridade ter cogitado publicamente um novo corte de juros indica que a ideia está, ao menos, em discussão no alto escalão do banco central.

Com a próxima reunião do BCE prevista para o segundo semestre, o mercado estará atento à divulgação de novos indicadores de inflação e atividade econômica. Esses dados serão cruciais para definir os próximos passos da política monetária europeia.

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