Os mercados internacionais operam com viés misto nesta quarta-feira (11), refletindo a divulgação de um dado importante para os rumos da política monetária dos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) americano subiu apenas 0,1% em maio, abaixo das projeções de analistas, o que sinaliza uma desaceleração da inflação. Esse resultado reforça as apostas de que o Federal Reserve poderá iniciar cortes nas taxas de juros ainda em 2025.
Mercados focam em alívio da inflação nos EUA, enquanto Ibovespa sofre pressão
Mercados globais operam com viés misto após dados fracos de inflação nos EUA e avanço comercial com a China. Veja os impactos no Ibovespa e dólar.
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Impacto nos rendimentos dos Treasuries e no dólar

Com o alívio inflacionário, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) registram queda, enquanto o dólar perde força frente a outras moedas globais. Esse movimento reflete a expectativa de um cenário monetário menos restritivo, o que favorece o apetite por ativos de risco nos mercados emergentes.
Petróleo sobe com tensões geopolíticas
Outro fator que movimenta os mercados é a alta do petróleo. Os preços do barril avançam diante da incerteza em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o acordo nuclear. O impasse eleva os riscos sobre a oferta global da commodity, impulsionando os preços do Brent e do WTI.
Brasil se beneficia do ambiente externo e da Selic alta
Ibovespa tem alta tímida com foco nas incertezas fiscais
No cenário doméstico, o real se valoriza frente ao dólar, cotado a R$ 5,53 com queda de 0,68% até às 13h30. A moeda brasileira se fortalece com o suporte da elevada taxa Selic e o maior apetite dos investidores por ativos de países emergentes, beneficiados pela perspectiva de juros mais baixos nos EUA.
Apesar do ambiente externo mais favorável, o Ibovespa exibe desempenho contido. O índice principal da bolsa brasileira subia 0,08%, aos 136.638 pontos, refletindo a cautela dos investidores em relação ao cenário fiscal do país.
As dúvidas sobre a viabilidade das medidas alternativas ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) afetam a confiança do mercado. O governo busca formas de compensar a renúncia de receita com incentivos sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.
Juros futuros sobem nos vencimentos mais curtos
O mercado de juros futuros registra alta nas taxas de curto prazo, indicando receio quanto à capacidade do governo de conduzir o ajuste fiscal. A elevação das taxas reflete um movimento defensivo diante do risco de deterioração fiscal, mesmo com a inflação doméstica sob controle.
Destaques do dia no Ibovespa

Setor financeiro lidera ganhos com recomendação estrangeira
Entre os destaques positivos do pregão, o setor financeiro puxa os ganhos. As units do Santander registram forte valorização após uma instituição financeira estrangeira elevar a recomendação de compra dos papéis. A expectativa é de melhora nos resultados do banco no segundo semestre, com ajuste de margens e redução de inadimplência.
Commodities metálicas recuam com acordo EUA-China
Por outro lado, ações de empresas ligadas a commodities metálicas, como Gerdau e CSN, operam em baixa. O avanço das tratativas comerciais entre Estados Unidos e China acende o alerta sobre a possível redução das tarifas sobre o aço chinês, o que pode afetar a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.
Elétricas pressionadas por decisão da Aneel
No setor elétrico, os papéis de Eletrobras e Energisa são pressionados após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgar novas diretrizes sobre o ressarcimento da RBSE (Rede Básica do Sistema Existente). A decisão pode impactar negativamente o caixa de algumas concessionárias, trazendo volatilidade para o segmento.
Petrobras e telecomunicações avançam
Já Petrobras se beneficia da valorização do petróleo e sobe com força. A estatal também é favorecida pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries, que reduz a aversão ao risco. No setor de telecomunicações, Tim e Telefônica Brasil operam em alta após divulgarem informações corporativas positivas, como crescimento na base de clientes e avanços em digitalização.
Análise técnica e projeções de curto prazo
Ibovespa testa resistência em meio à cautela
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Do ponto de vista técnico, o Ibovespa testa a região de resistência nos 137 mil pontos, mas encontra dificuldade em romper esse patamar devido às incertezas fiscais. A ausência de um plano claro para substituição do IOF e o debate político sobre a reforma tributária mantêm os investidores em modo de espera.
Dólar pode seguir em queda se Fed sinalizar cortes
No câmbio, o dólar pode continuar sua trajetória de queda frente ao real, caso o Federal Reserve reforce a intenção de afrouxar a política monetária nas próximas reuniões. No entanto, ruídos internos relacionados ao cenário político e fiscal podem limitar o movimento.
O que esperar nos próximos dias

Reunião do FOMC pode consolidar expectativa de corte
Os mercados agora voltam suas atenções para a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que ocorrerá nos dias 17 e 18 de junho. Caso o Fed traga uma sinalização mais clara sobre o início do ciclo de corte de juros, a tendência é de maior otimismo nos mercados globais.
Fiscal brasileiro continua no radar
No Brasil, o foco segue sendo a condução da política fiscal. Investidores esperam que o governo apresente medidas de compensação críveis e sustentáveis para cumprir as metas do novo arcabouço fiscal. Qualquer sinalização de desvio pode provocar fuga de capital e pressão sobre os ativos domésticos.
Commodities e petróleo seguem monitorados
As negociações comerciais entre EUA e China e as tratativas sobre o acordo nuclear iraniano continuarão influenciando os mercados de commodities. Investidores acompanham com atenção qualquer mudança que afete o fluxo de oferta e demanda global, especialmente no setor de energia.
Conclusão
O dia é marcado por uma combinação de otimismo com os dados inflacionários dos Estados Unidos e cautela com o cenário fiscal brasileiro. A valorização do real e o desempenho positivo de setores como o financeiro e o de petróleo são contrabalançados pelas preocupações com o ajuste das contas públicas e a pressão sobre ações de commodities e elétricas. A tendência dos próximos pregões dependerá do posicionamento do Fed, da evolução das reformas fiscais no Brasil e dos desdobramentos geopolíticos envolvendo China e Irã.
