O Bendigo Bank confirmou nesta semana o encerramento de dez agências físicas em três estados australianos — Victoria, Queensland e Tasmânia — entre os meses de agosto e outubro de 2025. A decisão faz parte de uma reestruturação motivada pelo crescente uso de canais digitais e mudanças no comportamento dos consumidores. No entanto, comunidades inteiras ficarão desassistidas, reacendendo o debate sobre inclusão financeira nas regiões mais remotas da Austrália.
Bancos vão fechar unidades em 3 estados, veja se a sua cidade está na lista
Bendigo Bank anuncia o fechamento de 10 agências físicas em 3 estados até outubro de 2025, levantando debates sobre inclusão financeira e digitalização.
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Victoria lidera em número de unidades encerradas
O estado de Victoria será o mais afetado, com seis agências encerradas. A lista inclui unidades em centros urbanos, como Geelong e Ballarat, mas também em cidades pequenas e rurais, como Bannockburn, Yarram e Korumburra. Estas três últimas perderão seu único ponto de atendimento bancário físico.
Calendário de encerramento em Victoria:
- Sul de Melbourne: 1º de agosto
- Rua Malop, Geelong: 1º de agosto
- Korumburra: 29 de agosto
- Bannockburn: 25 de setembro
- Yarram: 26 de setembro
- Ballarat Central: 31 de outubro
Queensland e Tasmânia também são impactados
Além de Victoria, duas agências em Queensland e duas na Tasmânia fecharão as portas, afetando diretamente moradores de áreas interioranas.
Encerramentos em Queensland:
- Malanda: 26 de setembro
- Tully Norte: 26 de setembro
Encerramentos na Tasmânia:
- Prado dos Reis: 1º de agosto
- Queenstown: 26 de setembro
Comunidades que ficarão sem nenhum banco físico
Cinco comunidades perderão completamente o acesso a agências bancárias físicas:
- Bannockburn (VIC)
- Korumburra (VIC)
- Yarram (VIC)
- Malanda (QLD)
- Queenstown (TAS)
Essas localidades enfrentarão agora um novo desafio: operar suas finanças apenas com o suporte digital, o que pode ser problemático para idosos, pequenos comerciantes e pessoas com baixa familiaridade com tecnologia.
Justificativa do banco: digitalização e eficiência operacional
CEO afirma que decisão foi um “último recurso”
O CEO do Bendigo Bank, Richard Fennell, afirmou que os fechamentos são um “último recurso” e fazem parte de um esforço para realinhar a estrutura física do banco aos investimentos em canais digitais. Segundo ele, a instituição mantém uma das maiores presenças regionais do país e continuará servindo seus 2,7 milhões de clientes.
“Ainda somos um banco regional e nos orgulhamos disso. Mas precisamos evoluir com os nossos clientes e com as novas formas de interação”, disse Fennell.
Sindicato critica medida e teme por empregos e comunidades
Secretária nacional reage com dureza
Julia Angrisano, secretária nacional do Sindicato do Setor Financeiro, criticou duramente a decisão, classificando-a como um “retrocesso” e alertando para os impactos na relação do banco com as comunidades.
“Encerrar a última agência de cidades como Queenstown ou Yarram é uma agressão direta ao papel social que o banco sempre defendeu”, declarou.
Ela também apontou preocupação com as demissões indiretas e com o efeito sobre o atendimento humanizado, que muitas vezes é essencial em áreas distantes dos grandes centros.
Funcionários afetados: realocação ou desemprego?

Cerca de 30 trabalhadores podem ser impactados
O banco informou que aproximadamente 30 funcionários estão diretamente ligados às unidades que serão fechadas. A intenção é tentar realocá-los em outras áreas da empresa, evitando demissões sempre que possível.
Ainda assim, o sindicato teme que muitos desses colaboradores — especialmente os baseados em cidades pequenas — não consigam manter seus postos por falta de unidades próximas onde possam ser reaproveitados.
Digitalização: tendência global, dilema regional
Avanço digital é inevitável, mas exige inclusão
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A migração para os canais digitais não é exclusividade do Bendigo Bank. Nos últimos anos, grandes bancos ao redor do mundo têm fechado agências em resposta à crescente adoção de aplicativos e internet banking. No entanto, isso acirra a desigualdade de acesso em regiões onde a conectividade é limitada ou onde parte da população tem dificuldades com tecnologia.
O dilema do “banco que some do mapa”
Especialistas alertam que o desaparecimento de agências físicas pode deixar um “vazio funcional” em muitas cidades, comprometendo não apenas o acesso ao dinheiro, mas também a confiança no sistema bancário.
“Para muita gente, principalmente idosos, o banco é mais do que uma instituição financeira — é um lugar de segurança e relacionamento”, afirma o economista Tom Davies, da Griffith University.
Confiança ainda depende da presença física
Papel das agências vai além do atendimento
Apesar da eficiência dos canais digitais, a presença física continua sendo um diferencial competitivo. Pesquisas mostram que pequenos negócios e comunidades isoladas preferem realizar operações com o suporte de um gerente ou caixa que conheça sua realidade.
Esse contato próximo, segundo especialistas, reduz a insegurança e aumenta o engajamento com produtos financeiros como crédito, seguros e investimentos.
Qual o futuro da presença bancária regional?

A decisão do Bendigo Bank é mais um capítulo no encolhimento das redes de atendimento presencial. Desde 2017, segundo dados da APRA (Australian Prudential Regulation Authority), mais de 650 agências foram fechadas no país, sendo a maioria em áreas rurais e suburbanas.
Propostas de soluções alternativas
Organizações comunitárias e sindicatos têm pressionado o governo e os bancos para adotarem modelos híbridos, como:
- Agências móveis, que viajam até cidades pequenas em dias específicos;
- Parcerias com correios e lojas locais, para fornecer serviços básicos;
- Educação digital gratuita, para preparar a população para o uso dos apps;
- Infraestrutura de conectividade rural, com foco na expansão do acesso à internet.
Bancos enfrentam dilema de identidade
O Bendigo Bank, conhecido por sua identidade regional, agora precisa encontrar formas de preservar seu papel social enquanto avança na digitalização. A decisão de encerrar agências pode trazer benefícios financeiros de curto prazo, mas terá um custo reputacional e comunitário de longo alcance.
Conclusão: avanço digital pede cautela com exclusão social
O encerramento de dez agências do Bendigo Bank é reflexo de uma tendência inevitável no setor bancário, mas também um alerta para os desafios da transformação digital. A necessidade de equilibrar eficiência operacional com responsabilidade social será cada vez mais central no debate sobre o futuro dos bancos regionais.
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