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IA pode substituir algumas profissões antes de outras, diz Bill Gates; veja quais

Bill Gates alerta que a IA pode reduzir vagas de entrada e afetar jovens. Veja quais profissões podem mudar e as soluções propostas.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
IA pode substituir algumas profissões antes de outras, diz Bill Gates; veja quais

O avanço da inteligência artificial (IA) pode atingir primeiro profissionais que estão começando a carreira e ocupações com grande volume de tarefas repetitivas ou padronizadas. O alerta foi feito por Bill Gates, cofundador da Microsoft, em um ensaio publicado em 26 de agosto de 2026.

Gates defende que a transformação provocada pela IA poderá ser diferente de revoluções tecnológicas anteriores. Na avaliação dele, a tecnologia avança justamente sobre atividades que dependem de capacidades cognitivas, o que pode acelerar mudanças no mercado de trabalho e reduzir vagas em determinadas funções. Entre as áreas citadas estão vendas, atendimento ao cliente, desenvolvimento de software e serviços jurídicos de apoio.

A preocupação ganha importância especialmente para os jovens, que tradicionalmente dependem de empregos de entrada para adquirir experiência profissional e avançar na carreira.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Quais profissões podem sentir primeiro os efeitos da IA?

Segundo Gates, os empregos de nível inicial e intermediário estão entre os mais expostos à transformação. Isso não significa necessariamente que todas essas profissões vão desaparecer, mas muitas tarefas poderão ser automatizadas ou passar a exigir menos trabalhadores.

Em vendas e atendimento, sistemas de IA já conseguem responder perguntas, organizar informações e conduzir parte do relacionamento inicial com consumidores. No desenvolvimento de software, ferramentas generativas ajudam a escrever códigos, localizar erros e automatizar atividades antes destinadas a profissionais em início de carreira.

O setor jurídico também pode passar por mudanças. Atividades como pesquisa de documentos, organização de informações e análise preliminar de grandes volumes de dados são exemplos de tarefas que podem ser aceleradas por inteligência artificial.

Gates também menciona funções ligadas à análise de crédito, processamento de dados e triagem inicial de informações. O principal impacto, portanto, pode ocorrer sobre tarefas, e não necessariamente sobre profissões inteiras. Empresas podem manter profissionais humanos, mas reduzir a quantidade de pessoas necessária para executar determinadas etapas do trabalho.

Jovens podem enfrentar menos oportunidades de entrada

Um dos pontos centrais do alerta é o possível efeito sobre trabalhadores mais jovens. Se empresas automatizarem atividades tradicionalmente destinadas a estagiários, trainees e profissionais iniciantes, pode surgir um problema: como esses trabalhadores conseguirão a experiência necessária para chegar aos cargos mais avançados?

Gates cita evidências preliminares de queda do emprego entre jovens em funções consideradas mais vulneráveis à automação. Para ele, a transição pode ocorrer mais rapidamente do que em revoluções industriais anteriores, justamente porque a IA pode ser aplicada simultaneamente em diferentes setores.

No Brasil, esse cenário exige atenção de quem está entrando no mercado. Conhecimentos básicos continuam importantes, mas saber trabalhar com ferramentas digitais, interpretar resultados, tomar decisões e supervisionar processos automatizados pode se tornar um diferencial cada vez maior.

A adaptação, porém, não depende apenas do trabalhador. Gates argumenta que a requalificação profissional, sozinha, pode não ser suficiente caso a automação elimine vagas em velocidade superior à criação de novas oportunidades.

Até empregos manuais podem entrar na rota da automação

O impacto da IA não ficaria restrito ao trabalho de escritório. Com o avanço da robótica, Gates prevê que máquinas mais capazes poderão competir também por atividades em setores como construção e hospitalidade ao longo dos próximos anos.

A velocidade dessa mudança dependerá, entre outros fatores, da evolução tecnológica e do custo dos robôs. Quanto mais baratos e eficientes se tornarem, maior poderá ser o interesse empresarial em automatizar atividades físicas.

Ainda assim, esse processo tende a ocorrer de forma diferente entre países e setores. No Brasil, fatores como custo de investimento, infraestrutura, legislação e disponibilidade de mão de obra podem influenciar o ritmo da adoção.

A proposta de empregos “reservados a humanos”

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Como possível resposta à substituição de trabalhadores, Gates propôs o conceito de “Human Reserved”, ou empregos e funções reservados exclusivamente para pessoas.

A ideia seria preservar determinadas atividades mesmo quando uma máquina fosse tecnicamente capaz de executá-las. Em alguns casos, o motivo seria humano e ético, especialmente em situações que exigem empatia e contato pessoal.

Gates usa como exemplo a comunicação de um diagnóstico grave. Embora uma IA possa processar informações médicas, isso não significa que a sociedade queira transferir integralmente para uma máquina momentos que envolvem cuidado, sensibilidade e responsabilidade humana.

A proposta também poderia ser usada para proteger trabalhadores que teriam grande dificuldade de mudar completamente de profissão. Segundo Gates, a adoção da IA em algumas áreas poderia ocorrer gradualmente, evitando uma substituição imediata e em larga escala.

Bill Gates propõe taxar IA e robôs

bill gates
Imagem: Shutterstock

Outra sugestão é a criação de uma cobrança sobre o uso de IA e robôs no ambiente de trabalho. A chamada “token tax” buscaria reduzir o incentivo econômico para substituir rapidamente funcionários por máquinas e, ao mesmo tempo, gerar recursos para requalificação profissional e redes de proteção social.

A proposta parte de uma discussão sobre o atual sistema tributário: contratar trabalhadores normalmente envolve impostos e encargos, enquanto investimentos em automação podem receber tratamento contábil e tributário diferente.

Na visão de Gates, as regras deveriam ser revistas para evitar que o sistema favoreça automaticamente a troca de pessoas por tecnologia. A arrecadação poderia ajudar trabalhadores deslocados pela automação, embora a proposta ainda enfrente grandes desafios práticos sobre cobrança, fiscalização e aplicação.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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