O governo federal determinou que, a partir de 21 de novembro de 2025, o cadastramento biométrico será obrigatório para novas concessões do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A medida, prevista no Decreto nº 12.561, publicado em julho de 2025, visa aumentar a segurança, reduzir fraudes e garantir que os recursos públicos cheguem a quem realmente precisa.
Biometria e CadÚnico: guia prático para continuar recebendo a partir de Novembro
A partir de novembro, o governo exigirá cadastramento biométrico no CadÚnico para novos beneficiários do Bolsa Família e BPC. Veja quem precisa fazer.
A obrigatoriedade vale para todo o território nacional e atinge apenas novos solicitantes que ainda não possuem biometria registrada em bases oficiais do governo. Quem já recebe o Bolsa Família ou o BPC e possui registro biométrico — como o da CNH, título de eleitor ou passaporte — não precisará realizar o procedimento novamente.
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O que diz o decreto e quem será impactado

O texto do Decreto nº 12.561 define que o cadastramento biométrico será exigido nas novas concessões de benefícios sociais e será implementado de forma gradual, sob coordenação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
A regra se aplica a dois dos principais programas federais de transferência de renda:
- Bolsa Família: destinado a famílias com renda per capita de até meio salário mínimo;
- BPC (Benefício de Prestação Continuada): pago a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, administrado pelo INSS.
O governo reforça que beneficiários atuais não precisam se preocupar neste momento, desde que já possuam biometria em alguma base governamental.
Por que o cadastramento biométrico é necessário
O objetivo do governo é integrar as bases de dados biométricos e aumentar o nível de segurança nas concessões de benefícios, evitando fraudes, cadastros duplicados e pagamentos indevidos.
A integração da biometria ao Cadastro Único (CadÚnico) — que hoje é utilizado por mais de 80 programas sociais federais — permitirá um cruzamento de informações mais preciso, facilitando a verificação de identidade e reduzindo o risco de desvios de recursos.
De acordo com o Ministério da Gestão, cerca de 150 milhões de brasileiros já possuem registro biométrico em alguma base federal, como a do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou da Polícia Federal. Isso cobre boa parte dos beneficiários potenciais do Bolsa Família e do BPC.
“A biometria é uma ferramenta essencial para garantir a transparência e a justiça social. Ela impede fraudes e assegura que o benefício chegue às mãos de quem realmente precisa”, afirmou o MGI em nota oficial.
Como será feito o cadastramento biométrico

O procedimento é gratuito e poderá ser feito de forma presencial ou digital, dependendo da situação de cada solicitante.
1. Verificação em bases já existentes
Antes de solicitar a coleta presencial, o sistema verificará automaticamente se o cidadão já possui biometria cadastrada em alguma base pública, como:
- CNH (Detran);
- Título de eleitor (TSE);
- Passaporte (Polícia Federal).
Se a biometria já existir, não será necessário um novo registro.
2. Coleta presencial em unidades do CRAS ou Caixa
Quem não possuir biometria em nenhuma base deverá comparecer a um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou a uma agência da Caixa Econômica Federal habilitada para o serviço.
O processo envolve a coleta de impressões digitais e reconhecimento facial, realizada em equipamentos certificados.
O atendimento dura cerca de 15 minutos, e o solicitante recebe um protocolo para acompanhamento do pedido.
Agendamento e locais de atendimento
O agendamento pode ser feito de três maneiras:
- Pelo aplicativo Gov.br, na aba “Segurança e Privacidade”, para reconhecimento facial remoto;
- Pelo site da prefeitura, escolhendo o CRAS mais próximo;
- Pelo telefone de atendimento social municipal.
O Ministério da Gestão divulgará um calendário regional com os prazos e locais disponíveis.
Em municípios sem CRAS fixo, unidades móveis farão o atendimento itinerante uma vez por mês, garantindo que nenhum cidadão fique sem acesso ao serviço.
Documentos exigidos
Para o cadastramento biométrico, o cidadão deve apresentar:
- Documento de identidade (RG ou CNH);
- CPF;
- Comprovante de residência atualizado;
- Comprovante de renda familiar, quando solicitado.
Famílias com crianças, gestantes e idosos terão atendimento prioritário, conforme o cronograma de cada município.
Exceções e dispensas previstas
O decreto prevê exceções para grupos vulneráveis. Pessoas com deficiências físicas ou cognitivas que impossibilitem o registro de impressões digitais ou reconhecimento facial serão dispensadas, mediante laudo médico.
Idosos acamados, em tratamento contínuo ou com mobilidade reduzida também terão atendimento adaptado.
Em regiões sem infraestrutura tecnológica suficiente, o governo poderá postergar a obrigatoriedade, até que as condições técnicas sejam atendidas.
Durante a fase de transição, o MGI poderá suspender temporariamente a exigência por meio de portaria conjunta, garantindo que nenhum pedido de benefício seja negado por falta de acesso ao serviço.
Benefícios da biometria para os programas sociais
A inclusão da biometria no CadÚnico trará impactos positivos para a administração pública e para os cidadãos.
Redução de fraudes e pagamentos indevidos
O governo estima que a integração biométrica reduzirá em até 40% os casos de cadastros duplicados e pagamentos irregulares. Isso representa economia de bilhões de reais aos cofres públicos ao longo dos próximos anos.
Agilidade na concessão dos benefícios
Com a identificação digital, os processos de análise e liberação de benefícios serão mais rápidos e automatizados, reduzindo filas e prazos de espera.
Maior transparência e controle social
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A biometria também facilitará o monitoramento das transferências de renda e o acompanhamento do histórico de pagamentos, aumentando a confiança no sistema.
Integração entre ministérios e bancos de dados
O novo sistema é resultado da cooperação entre:
- Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI);
- Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS);
- Ministério da Previdência Social (MPS);
- Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);
- Caixa Econômica Federal.
A integração permitirá conferência automática de informações cadastrais, eliminando divergências entre bases e aumentando a eficiência dos pagamentos do Bolsa Família e do BPC.
Atualização cadastral e manutenção dos benefícios
O governo reforça que a atualização cadastral a cada dois anos continua obrigatória para todos os beneficiários.
Agora, com a biometria, o processo será mais simples, pois parte das informações será sincronizada automaticamente com outras bases federais.
Beneficiários devem ficar atentos a convocações do governo via:
- Aplicativo Gov.br;
- Aplicativo Bolsa Família ou Caixa Tem;
- Comunicados do CRAS local.
Evitar deslocamentos desnecessários é importante — todas as orientações oficiais serão divulgadas nos canais oficiais do governo federal.
Como evitar golpes e intermediários falsos
Com o avanço da biometria, golpistas podem tentar se aproveitar da novidade para aplicar fraudes.
O MGI e o MDS alertam que nenhum agente público faz coleta de dados por telefone, WhatsApp ou redes sociais.
O cadastramento é sempre gratuito, feito somente nos canais oficiais, e não requer pagamento de taxa ou envio de código.
“Nunca forneça documentos pessoais fora dos canais oficiais. O governo não cobra pelo cadastramento biométrico nem envia links por mensagens”, reforça o Ministério da Gestão.
Cronograma e próximos passos

O processo de implementação começa oficialmente em 21 de novembro de 2025 e será ampliado gradualmente ao longo de 2026.
A expectativa é que, até o final do próximo ano, todos os novos beneficiários do Bolsa Família e do BPC já tenham o registro biométrico integrado ao CadÚnico.
As prefeituras, por meio dos CRAS, terão papel fundamental na execução da medida, garantindo que as famílias mais vulneráveis não fiquem sem atendimento.
Conclusão: biometria traz mais segurança e transparência aos benefícios sociais
A adoção do cadastramento biométrico obrigatório representa um avanço na gestão dos programas sociais brasileiros.
Com a nova exigência, o governo busca reforçar a transparência, prevenir fraudes e agilizar o acesso aos benefícios do Bolsa Família e do BPC.
Para a população, o impacto será positivo: mais segurança, menos burocracia e maior confiabilidade nos processos de concessão e manutenção de benefícios.
O desafio agora está na implementação eficiente da infraestrutura biométrica, especialmente em municípios com baixa conectividade, garantindo inclusão digital e social para milhões de brasileiros.
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