A biometria facial, considerada uma das tecnologias mais seguras de autenticação digital, está sendo desafiada por técnicas cada vez mais sofisticadas. Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema criminoso que teria comprometido cerca de 3 mil contas da plataforma Gov.br, usada para acesso a mais de 4 mil serviços públicos no Brasil.
Golpistas burlam a biometria de contas Gov: veja como se prevenir
Criminosos usam deepfakes e máscaras 3D para fraudar biometria do Gov.br. Veja como se proteger.
A estratégia dos golpistas? Deepfakes, máscaras 3D hiper-realistas e inteligência artificial avançada para driblar os sistemas de verificação facial.
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Um sistema visado: o alvo das fraudes

A conta Gov.br se tornou um ponto central de acesso para diversos serviços do governo federal, incluindo o aplicativo Meu INSS e funcionalidades como solicitação de benefícios, abertura de empresas e resgate de valores no Banco Central. Justamente por reunir tantos dados e permitir ações sensíveis, tornou-se alvo de criminosos que dominam tecnologias capazes de enganar os sistemas biométricos.
“Sim, é possível burlar a biometria. Sistemas de autenticação facial podem ser enganados por técnicas que simulam a face de uma pessoa. Isso pode incluir o uso de vídeos manipulados, máscaras 3D hiper-realistas ou até imagens alteradas com inteligência artificial, as deepfakes”, explica Hiago Kin, presidente da Associação Brasileira de Segurança Cibernética (Abraseci).
Liveness: o que é e como os criminosos o burlam
A tecnologia usada para garantir que a imagem capturada pertence a um ser humano presente é conhecida como liveness. Essa funcionalidade tenta distinguir imagens reais de tentativas de fraude digital, verificando se há um rosto humano vivo na frente da câmera. O liveness passivo, por exemplo, analisa detalhes como textura da pele, iluminação e reflexos nos olhos, sem exigir interação do usuário.
Contudo, esse método é mais vulnerável, já que criminosos podem utilizar vídeos pré-gravados ou imagens manipuladas para enganar o sistema. Já no liveness ativo, o usuário precisa realizar ações durante a verificação, como piscar, virar a cabeça ou seguir um ponto na tela. Esse tipo de abordagem é mais resistente, embora não infalível.
“Isso torna o processo mais robusto, pois exige respostas sincronizadas e naturais que são difíceis de simular”, reforça Kin.
As ferramentas dos golpistas: da IA às impressoras 3D
Entre os métodos mais usados para simular a presença de uma pessoa real estão:
- Deepfakes em tempo real, que recriam o rosto e os movimentos de alguém com impressionante precisão;
- Vídeos manipulados com diferentes expressões, aplicados em sistemas com liveness passivo;
- Máscaras hiper-realistas, feitas de silicone ou impressas em 3D, que conseguem enganar sensores ópticos menos sofisticados.
“A tecnologia está cada vez mais acessível, inclusive com impressoras 3D produzindo réplicas de rostos que confundem sensores de reconhecimento facial”, alerta Kin.
Fraudes digitais e seus impactos
A falha nos sistemas de autenticação não é apenas um risco técnico, é uma ameaça direta à segurança dos cidadãos. Segundo a especialista em detecção de liveness Márcia Golfieri, os prejuízos podem ser imensos. “Toda vez que um criminoso toma conta de um perfil individual oficial, ele tem milhares de coisas que pode fazer com esse perfil. Isso é muito grave”, destaca.
Ela exemplifica: “Posso autorizar empréstimo consignado no meu FGTS, autorizar desconto no meu INSS, pedir alvará, abrir empresa no meu nome, abrir uma conta bancária”.
Esse tipo de golpe tem causado impacto direto nas finanças e na privacidade das vítimas, além de comprometer a confiança nos serviços digitais do governo.
Uma ameaça global
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O problema não é exclusivo do Brasil. Na Índia, o sistema Aadhaar, que armazena dados biométricos de mais de um bilhão de pessoas, também foi alvo de fraudes. Já nos Estados Unidos, bancos digitais sofreram ataques com uso de deepfakes para autenticação facial e abertura de contas falsas.
Esses casos internacionais reforçam que a biometria, embora avançada, precisa de constante evolução para acompanhar os riscos crescentes.
Como se proteger de fraudes biométricas
Apesar do alto nível de sofisticação dos golpes, usuários podem adotar medidas preventivas eficazes. Veja algumas recomendações para proteger sua conta Gov.br:
- Ative a autenticação em dois fatores (2FA): Dê preferência a aplicativos autenticadores, como Authy ou Google Authenticator, em vez de SMS.
- Monitore sua conta regularmente: Verifique permissões e registros de acessos recentes para identificar atividades suspeitas.
- Nunca compartilhe fotos de documentos: Evite enviar selfies com documentos ou imagens em redes sociais e aplicativos de mensagens.
- Desconfie de solicitações de validação fora do app oficial: Se você não iniciou nenhuma ação no Gov.br e recebe notificações de validação, trata-se de tentativa de golpe.
- Evite usar redes públicas ou dispositivos de terceiros: Opte por conexões seguras e equipamentos confiáveis ao acessar sua conta.
O que o governo pode fazer?

Para especialistas, apenas medidas do usuário não são suficientes. Márcia Golfieri aponta que o governo precisa investir em tecnologias de maior desempenho e confiabilidade. “Nem todas as tecnologias de liveness são iguais. Ao adotar uma solução de mercado, é fundamental avaliar a capacidade de entrega do fornecedor, a qualidade do serviço, suas certificações, o potencial de pesquisa e frequência de atualizações”, afirma.
A implementação de sensores com maior sensibilidade, como detecção de profundidade e calor corporal, pode aumentar a segurança das verificações biométricas e dificultar fraudes com máscaras ou deepfakes.
Com informações de: UOL
