A partir desta sexta-feira, 21, brasileiros que solicitarem aposentadoria pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) precisarão obrigatoriamente ter biometria cadastrada em alguma base oficial do governo.
Biometria obrigatória: INSS e BPC exigem digital para novos auxílios; veja como fazer a prova de vida
A biometria será obrigatória para aposentadorias do INSS e BPC a partir de novembro. Veja prazos, regras, exceções e quem precisa da nova CIN.
A exigência marca o início de uma transformação ampla na forma como o Estado brasileiro valida identidades na concessão de benefícios sociais e previdenciários.
A decisão foi anunciada pelos ministros Esther Dweck (Gestão e Inovação) e Wolney Queiroz (Previdência) durante coletiva em Brasília. As regras regulamentam o decreto nº 12.561, publicado em julho de 2025, e serão detalhadas em íntegra no Diário Oficial da União de 21 de novembro.
A ampliação da obrigatoriedade faz parte de um plano para unificar cadastros, reduzir fraudes, aumentar segurança e melhorar o rastreamento das bases de dados.
Além das novas exigências, o governo divulgou um cronograma de transição que vai de 2025 até 2028. Nesse período, diferentes grupos de beneficiários terão prazos específicos para realizar ou atualizar sua biometria, com destaque para a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), que gradualmente se tornará obrigatória.
A seguir, veja em detalhes todas as mudanças, as datas importantes, as exceções e como ficam os principais programas sociais e previdenciários.
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O que muda a partir de 21 de novembro de 2025
A partir desta data, qualquer pessoa que solicitar aposentadoria, pensão ou BPC — seja pedido inicial ou renovação — deverá ter biometria registrada em alguma das seguintes bases:
- nova Carteira de Identidade Nacional (CIN)
- CNH (base do Denatran)
- base biométrica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), utilizada no título de eleitor
A exigência vale imediatamente para:
- aposentadoria
- BPC/Loas
- pensão por morte (apenas a partir de 1º de maio de 2026)
- benefício por incapacidade permanente
- benefícios previdenciários tradicionais
No entanto, alguns programas sociais terão prazo diferenciado para a implementação obrigatória da biometria.
Programas com exigência postergada para 1º de maio de 2026
A partir de 2026, serão incluídos na obrigatoriedade os seguintes programas e benefícios:
- Bolsa Família
- Seguro-Desemprego
- Abono Salarial PIS/Pasep
- Pensão por morte
- Benefício por incapacidade temporária
- Salário-maternidade
Isso significa que até maio de 2026 esses benefícios poderão ser concedidos ou renovados mesmo se o cidadão ainda não tiver biometria cadastrada. A partir da data estabelecida, tanto novos pedidos quanto renovações exigirão biometria registrada.
Para quem já recebe benefícios, o que muda?
Para quem já é beneficiário de qualquer auxílio — do INSS ou da assistência social — nada muda de imediato. Os pagamentos continuam normalmente. A biometria passa a ser exigida somente na data da renovação cadastral, geralmente feita a cada dois anos.
Em outras palavras:
- ninguém terá benefício cortado automaticamente agora
- o bloqueio só ocorrerá caso, no momento da renovação, a pessoa não tenha biometria cadastrada
Essa regra vale especialmente para o BPC, cujo recadastramento no CadÚnico é fundamental para manter o pagamento. Caso o beneficiário compareça à renovação sem biometria registrada, precisará providenciá-la antes de manter o benefício ativo.
Entenda o cronograma completo da biometria
O governo divulgou um calendário oficial com quatro etapas, que seguirá vigente até 2028. Veja abaixo em detalhes.
21 de novembro de 2025
Início imediato da exigência de biometria para:
- aposentadoria do INSS
- BPC/Loas
- benefícios previdenciários em geral
- renovações de benefícios com exceção dos listados (Bolsa Família, Seguro-Desemprego, etc.)
Programas com prazo estendido têm início da obrigatoriedade somente em 1º de maio de 2026.
1º de maio de 2026
A partir dessa data:
- todos os pedidos e renovações dos programas que tiveram o prazo estendido passam a exigir biometria
- quem já possui biometria em qualquer base (CIN, CNH ou TSE) pode usá-la normalmente
- quem não possui biometria precisará emitir a nova CIN
1º de janeiro de 2027
Começa uma etapa mais rigorosa:
- todos os beneficiários precisarão ter biometria para renovar ou manter benefícios
- se alguém comparecer à renovação sem biometria, será avisado e deverá emitir a CIN rapidamente
- o bloqueio só ocorrerá se a pessoa ignorar o alerta e não regularizar o cadastro
1º de janeiro de 2028
Data final da transição:
- todos os brasileiros precisarão ter biometria registrada obrigatoriamente pela CIN
- para pedir, renovar ou manter qualquer benefício federal, a nova Carteira de Identidade Nacional será requisito
- bases biométricas da CNH e do TSE deixam de ser aceitas isoladamente
Documentos que servem como biometria até 2026
Durante a fase de transição, até 1º de maio de 2026, serão aceitos os seguintes documentos biométricos:
Carteira de Identidade Nacional (CIN)
Documento lançado em 2023, unifica dados, contém QR Code, número único nacional (CPF) e possui registro digital das impressões.
Carteira Nacional de Habilitação (CNH)
A base do Denatran segue válida como base biométrica temporária.
Título de eleitor (TSE)
O cadastro biométrico utilizado nas eleições também será aceito até a fase final de transição.
Após maio de 2026, será progressivamente necessário obter a CIN em quase todos os casos.
Quem não precisará de biometria
O governo incluiu um conjunto de exceções voltadas a grupos vulneráveis ou com limitações permanentes, como:
- pessoas com amputações ou ausência de digitais
- indivíduos acamados ou com doenças graves sem capacidade de deslocamento
- população privada de liberdade em determinados regimes
- beneficiários indígenas sem acesso imediato aos sistemas de identificação biométrica
- pessoas com deficiência severa que impossibilite coleta de digitais
Esses grupos terão regras específicas para comprovação de identidade, sem risco de perder o benefício por impossibilidade física.
Por que o governo está exigindo biometria?
Segundo os ministros envolvidos, a medida tem como principal objetivo reduzir fraudes em programas sociais e previdenciários.
Hoje, o governo estima que bilhões de reais escoam anualmente em pagamentos indevidos, seja por duplicidade de cadastros, documentos falsos ou pessoas que usam identidades de terceiros.
A ministra Esther Dweck destacou três pontos principais:
Segurança
A CIN é considerada 10 vezes mais segura que documentos antigos, evitando falsificações.
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Integridade do sistema
A unificação dos cadastros elimina inconsistências encontradas entre diferentes bases federais, estaduais e municipais.
Proteção do beneficiário
O governo quer garantir que apenas quem realmente tenha direito receba o benefício, evitando cortes injustos e aumentando a credibilidade do sistema.
O impacto sobre o Bolsa Família e o BPC
Os dois maiores programas de assistência do país — Bolsa Família e BPC — estão no centro da mudança. Ambos representam despesas bilionárias anuais e, segundo técnicos, sofrem com alto índice de inconsistências cadastrais desde 2022.
No Bolsa Família
A biometria será obrigatória apenas a partir de 1º de maio de 2026. Até lá:
- novos pedidos podem ser feitos sem biometria
- renovações permanecem válidas
- beneficiários não terão bloqueios durante a transição
A partir de 2026, será obrigatório ter biometria em qualquer base; a partir de 2028, somente pela CIN.
No BPC
As exigências começam já em 21 de novembro de 2025:
- novos pedidos exigirão biometria
- renovações também
- ausência de biometria resultará na necessidade de emitir documento antes de concluir o pedido
O BPC é um dos programas com maior incidência de judicialização e inconsistências, por isso integra a primeira etapa.
Busca ativa para evitar cortes indevidos
O governo informou que fará uma grande mobilização de busca ativa para comunicar os beneficiários antes da data de renovação. O objetivo é que ninguém tenha o benefício suspenso por falta de informação.
Essa busca envolve:
- envio de mensagens pelo aplicativo Meu INSS
- avisos via Caixa Tem
- notificações por SMS
- parcerias com prefeituras
- agentes do CadÚnico indo até comunidades remotas
O que diz o decreto que regulamenta as mudanças
O decreto 12.561, de 23 de julho de 2025, regulamenta a lei nº 15.077/2024, que trata do fortalecimento dos sistemas de identificação biométrica no Brasil. O texto estabelece que:
- a biometria será requisito para qualquer benefício federal
- as bases serão unificadas até 2028
- a CIN será o documento oficial de identificação válido no país
- haverá exceções específicas para grupos vulneráveis
Segundo o governo, o decreto demorou a ser regulamentado por envolver diferentes órgãos: MGI, INSS, TSE, Denatran, Polícia Federal e estados.
Quanto da população já tem biometria cadastrada?
Os dados divulgados mostram que:
- 150 milhões de brasileiros já possuem biometria
- 84% dos beneficiários de programas sociais já têm cadastro em alguma base
- mais de 90% dos eleitores possuem biometria no TSE
- estados já emitem a CIN desde 2023
Com isso, o governo considera que a transição será suave para a maioria dos cidadãos.
Considerações finais
A biometria obrigatória marca uma das maiores mudanças recentes na gestão de benefícios sociais no Brasil. A nova regra organiza o sistema, unifica dados e amplia a segurança, ao mesmo tempo em que mantém um calendário progressivo para evitar cortes abruptos de auxílios.
A partir de 21 de novembro de 2025, quem solicitar aposentadoria pelo INSS ou o BPC já precisará estar com sua biometria em dia. Até 2028, a nova CIN será o documento central para todos os benefícios. Trata-se de uma transição robusta que promete reduzir fraudes, proteger beneficiários e modernizar o sistema assistencial brasileiro.
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