O mercado de criptomoedas iniciou esta terça-feira (12) em clima de cautela, com o Bitcoin (BTC) recuando para a faixa de US$ 118.252 — uma queda de 2,4% nas últimas 24 horas — à medida que investidores voltam suas atenções para os dados de inflação dos Estados Unidos (CPI), que podem redefinir as expectativas para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Bitcoin recua para US$ 118 mil antes de dados de inflação dos EUA; Ethereum mantém rali com apoio institucional
Bitcoin cai para US$ 118 mil com investidores atentos ao CPI dos EUA, enquanto Ethereum mantém alta impulsionada por interesse institucional. Veja análise.
Em reais, o BTC é negociado a R$ 644.703, segundo dados do Portal do Bitcoin. Apesar da correção diária, a criptomoeda líder ainda acumula ganhos de 3,1% na semana.
Enquanto isso, o Ethereum (ETH) mantém um desempenho superior: valorização de 17% nos últimos sete dias e impressionantes 45% no acumulado do mês, refletindo um aumento significativo do interesse institucional pela segunda maior criptomoeda do mercado.
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Ethereum supera Bitcoin em desempenho recente
Aposta institucional crescente
Dados da StrategicETHReserve.xyz mostram que 8% da oferta total de Ether está atualmente alocada em ETFs ou em tesourarias corporativas. Para efeito de comparação, há quatro meses essa participação era de apenas 3%.
Esse salto representa um ritmo de acumulação mais acelerado que o do Bitcoin, cujo total de ativos sob gestão (AUM) cresceu 12,5% desde o final de junho.
“Muitos investidores que perderam o momento do Bitcoin estão agora posicionando recursos no Ethereum e em outras altcoins, buscando repetir o mesmo efeito de valorização”, explicou Jad Comair, CEO da Melanion Capital, em entrevista ao Decrypt.
Meta de preço ainda distante
O Ethereum ainda não revisitou sua máxima histórica de US$ 4.878, registrada em 2021. Negociado nesta terça-feira a US$ 4.293, o ativo precisa subir cerca de 12% para romper seu recorde, enquanto o Bitcoin já superou o pico anterior ao atingir US$ 122,8 mil neste ano.
Investidores atentos à inflação dos EUA

CPI como fator-chave
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) referente a julho será divulgado nesta terça-feira, às 9h30 (horário de Brasília). O resultado é aguardado com atenção porque pode mudar as apostas sobre a política monetária do Fed e, consequentemente, influenciar a liquidez no mercado cripto.
Segundo a QCP Capital, uma inflação acima do esperado poderia interromper o ciclo de cortes de juros, enquanto uma leitura mais branda pode reforçar as expectativas de afrouxamento monetário já na próxima reunião do Fed.
“A questão não é apenas o número do CPI, mas como ele vai remodelar a percepção do mercado sobre a postura de Powell e o acesso à liquidez para ativos de risco”, afirmou Daniel Liu, CEO da Republic Technologies.
Influência política
A pressão do presidente Donald Trump sobre o mandato de Jerome Powell segue no radar dos investidores. Apesar disso, operadores do mercado de futuros já precificam um corte de juros quase certo para a próxima reunião do Fed.
Bitcoin encontra resistência técnica
Realização de lucros antes do CPI
Analistas da QCP Capital apontam que o Bitcoin está testando uma resistência técnica relevante, o que aumenta a probabilidade de realização de lucros antes da divulgação do CPI.
Essa previsão se confirma nesta terça-feira, com o BTC sofrendo pressão vendedora após a sequência de ganhos observada entre o fim de semana e a segunda-feira.
“A capacidade do mercado de absorver vendas significativas de ‘baleias OG’ sem perder força é um sinal estruturalmente positivo”, destacou a QCP em nota.
Níveis de suporte e resistência
- Resistência primária: US$ 120.000 – US$ 122.800;
- Suporte imediato: US$ 115.500;
- Zona de suporte secundário: US$ 112.000.
Se o CPI vier abaixo do esperado, o Bitcoin pode tentar novo teste da máxima histórica ainda nesta semana. Caso contrário, uma correção até a faixa de US$ 112 mil não está descartada.
Impactos mais amplos no mercado cripto
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Liquidez e política monetária
O custo do dinheiro é um fator crucial para ativos de risco, incluindo criptomoedas. Juros mais baixos aumentam a liquidez disponível no sistema financeiro, o que tende a favorecer o fluxo de capital para o setor cripto.
Se o CPI reforçar a expectativa de cortes, altcoins e ativos de menor capitalização também podem se beneficiar, seguindo a tendência observada no Ethereum.
Possível efeito rotacional
O atual desempenho superior do ETH sugere um efeito de rotação de capital, em que investidores deslocam recursos do Bitcoin para outras criptomoedas com maior potencial de crescimento no curto prazo.
Panorama para os próximos dias
Cenário otimista
- CPI abaixo das expectativas;
- Confirmação de corte de juros no próximo encontro do Fed;
- Retomada da alta do BTC rumo aos US$ 125 mil;
- ETH rompendo a barreira dos US$ 4.500.
Cenário de cautela
- CPI acima do esperado;
- Possível adiamento de cortes pelo Fed;
- Correção do BTC para US$ 112 mil;
- ETH recuando para abaixo de US$ 4.100.
Considerações finais

O dia promete volatilidade para o mercado cripto. Bitcoin inicia a terça-feira em leve queda após ganhos recentes, enquanto o Ethereum continua em um rali apoiado pelo forte interesse institucional.
O foco total está nos dados de inflação dos EUA (CPI), que serão determinantes para o rumo das taxas de juros e para a liquidez disponível no mercado global.
Independentemente do resultado, especialistas apontam que a resiliência recente do mercado diante de vendas de grandes players é um sinal de que o apetite por risco no setor cripto permanece robusto — e que, mesmo com oscilações no curto prazo, o cenário estrutural de alta segue intacto.
