O Bitcoin voltou a operar em queda nesta quarta-feira, sendo negociado próximo de US$ 76 mil após uma forte pressão vendedora que levou a criptomoeda a tocar mínimas de 15 meses. O movimento ocorre em meio a um cenário global de maior aversão ao risco, que tem afetado ativos considerados mais voláteis, como as criptomoedas.
Bitcoin atinge mínima de 15 meses após vendas fortes
Bitcoin recua para perto de US$ 76 mil após liquidações bilionárias. Entenda os motivos da queda e o impacto nas criptomoedas.
Por volta da madrugada no horário de Brasília, o ativo digital mais negociado do mundo chegou a cair para a faixa dos US$ 73 mil, nível que não era visto desde novembro de 2024. Apesar de uma leve recuperação ao longo do dia, o recuo acumulado reforça a mudança de humor dos investidores.
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Liquidações aceleram a queda do Bitcoin
A forte desvalorização foi intensificada por liquidações em massa no mercado de derivativos. Dados da plataforma CoinGlass indicam que aproximadamente US$ 740 milhões em posições compradas foram liquidadas em apenas 24 horas.
Alavancagem amplia perdas
Grande parte dessas liquidações ocorreu em operações altamente alavancadas. Quando o preço do Bitcoin começou a cair, chamadas de margem forçaram o encerramento automático de posições, ampliando o movimento de baixa.
Esse tipo de dinâmica é comum no mercado cripto, que possui elevada participação de investidores operando com alavancagem, especialmente em momentos de euforia ou forte tendência de alta.
Reversão após rali impulsionado por expectativas políticas
A queda atual representa uma reversão relevante em relação ao movimento observado no fim do ano passado. Naquele período, o Bitcoin acumulou ganhos expressivos após a vitória de Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos.
O mercado passou a precificar uma possível flexibilização regulatória para o setor de criptomoedas, além de um ambiente mais favorável a ativos de risco, impulsionado pelos cortes de juros iniciados pelo Federal Reserve em dezembro de 2024.
Com a mudança no cenário, grande parte desses ganhos foi devolvida, levando o preço do Bitcoin a patamares anteriores ao rali eleitoral.
Incertezas monetárias e geopolíticas pesam sobre o mercado
Nos últimos dias, o sentimento dos investidores se deteriorou diante de novos fatores de risco. A escalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã levou investidores a buscar proteção em ativos considerados mais seguros, como o ouro.
Ao mesmo tempo, o mercado acompanha com cautela as sinalizações sobre a política monetária americana. A indicação de Kevin Warsh, ex-diretor do Federal Reserve conhecido por uma postura mais rígida em relação à inflação, para comandar o banco central dos EUA, aumentou as preocupações sobre a manutenção de juros elevados por mais tempo.
Esse cenário reduz a liquidez global e costuma afetar negativamente ativos de risco, incluindo ações e criptomoedas.
Altcoins sofrem quedas ainda mais intensas
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O movimento de baixa não se restringiu ao Bitcoin. As principais altcoins registraram perdas ainda mais acentuadas, refletindo a redução generalizada do apetite por risco no mercado cripto.
Desempenho das principais criptomoedas
- Ethereum caiu cerca de 2,3%, negociado próximo de US$ 2.270
- XRP recuou aproximadamente 1,1%
- Solana teve queda próxima de 6%
- Cardano também caiu cerca de 6%
- Polygon registrou baixa ao redor de 3,5%
Até mesmo criptomoedas de perfil mais especulativo, como a Dogecoin, operaram no campo negativo, ainda que com perdas mais moderadas.
O que o investidor brasileiro deve observar agora
Para o investidor no Brasil, o movimento reforça a importância de cautela e gestão de risco ao investir em criptomoedas. A volatilidade elevada segue como característica central do mercado, especialmente em períodos de incerteza econômica global.
Especialistas recomendam atenção ao uso de alavancagem, diversificação de portfólio e alinhamento dos investimentos ao perfil de risco e horizonte de longo prazo. Em cenários de queda, decisões impulsivas tendem a ampliar prejuízos.
Embora o Bitcoin continue sendo visto por muitos como uma reserva de valor alternativa no longo prazo, movimentos de curto prazo seguem fortemente influenciados por fatores macroeconômicos, liquidez global e comportamento especulativo.
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