Na manhã desta quarta-feira (16), o mercado de criptomoedas despertou sob forte pressão. O Bitcoin (BTC), maior ativo digital do mundo, recuava 2,08%, sendo negociado a US$ 84 mil às 09:15 (horário de Brasília), enquanto o Ethereum (ETH) desvalorizava 3,60%, cotado a US$ 1.582.
Trump eleva tarifas contra a China e afunda o Bitcoin: mercado cripto reage com forte volatilidade
Bitcoin despenca após Trump elevar tarifas contra a China para 245%. Medidas alimentam temores de recessão global e pressionam o mercado cripto. Confira a análise completa.
O movimento ocorre em meio a uma nova escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China.
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O presidente Donald Trump surpreendeu ao anunciar um novo aumento nas tarifas sobre produtos chineses, elevando a taxa de 145% para 245%.
A decisão, considerada drástica por analistas, reacendeu o temor de uma recessão global e impactou fortemente os mercados financeiros, incluindo o segmento de criptoativos.
Segundo economistas, a medida sinaliza uma postura cada vez mais protecionista e imprevisível do governo norte-americano, o que afasta investidores de ativos de risco e fortalece ativos considerados mais conservadores, como ouro e títulos do Tesouro.
Recessão no radar
O mercado teme que o novo tarifaço comprometa ainda mais as cadeias produtivas globais e agrave a desaceleração econômica já em curso.
Com um possível esfriamento da economia chinesa e retaliações à altura, a tensão comercial tende a se espalhar por toda a economia global.
Declarações de Jerome Powell aumentam cautela
Inflação persistente e juros altos
A declaração do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, prevista para as 14:30, é outra peça-chave no quebra-cabeça que explica a aversão ao risco desta quarta-feira.
Powell revisou sua visão sobre a inflação, admitindo que as tarifas promovidas por Trump podem ter efeitos mais duradouros e inflacionários do que o esperado.
Com isso, Powell indicou que não há pressa para cortar os juros nos Estados Unidos, mantendo o patamar atual por mais tempo. Essa postura mais conservadora tende a penalizar ativos especulativos como criptomoedas.
Impacto no mercado cripto: da liderança do Bitcoin à pressão nas altcoins
Confira os desempenhos dos principais criptoativos nesta manhã (16):
| Nome | Código | Preço (USD) | Var (24h) | Var (7d) |
|---|---|---|---|---|
| Bitcoin | BTC | 84.023,7 | -2,08% | +10,39% |
| Ethereum | ETH | 1.582,96 | -3,60% | +9,01% |
| XRP | XRP | 2,0827 | -3,76% | +17,13% |
| BNB | BNB | 582,10 | -1,04% | +5,03% |
| Solana | SOL | 125,899 | -5,08% | +20,87% |
| Dogecoin | DOGE | 0,153122 | -3,83% | +6,00% |
| Cardano | ADA | 0,6059 | -4,71% | +8,27% |
Enquanto o Bitcoin registra perdas modestas, altcoins como Solana e Cardano enfrentam correções mais intensas, indicando uma fuga generalizada de ativos de maior risco no ecossistema digital.
Análise técnica aponta resistências no curto prazo
Níveis críticos no radar
Segundo analistas da Glassnode, o Bitcoin pode encontrar suporte técnico próximo a US$ 81.500, com resistência relevante em US$ 86.300. Caso a pressão vendedora se intensifique, o BTC pode retornar à faixa de US$ 78.000, considerada um patamar crítico para os touros.
Ethereum, por sua vez, testa suporte em US$ 1.550 e precisa recuperar US$ 1.600 para evitar um novo ciclo de baixa.
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Tendência é de curto prazo ou sinal de reversão?
Divergências entre os analistas
Enquanto alguns especialistas enxergam a queda atual como uma correção saudável após fortes altas nas últimas semanas, outros alertam que a combinação de incertezas macroeconômicas e aumento das tensões geopolíticas pode desencadear uma reversão mais duradoura.
“Os mercados estão excessivamente sensíveis à política monetária e aos conflitos comerciais. Isso pressiona o Bitcoin, mas também abre oportunidades para quem busca acumulação no longo prazo”, afirma Laura Mendez, analista-chefe da CryptoInsights.
Blockchain como solução geopolítica?

Brasil propõe plataforma blockchain para os BRICS
Em meio ao caos dos mercados, o Brasil surpreendeu ao propor uma plataforma blockchain para pagamentos internacionais entre os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
A iniciativa visa driblar a dependência do dólar em transações internacionais, fortalecendo a soberania monetária dos emergentes.
Caso a ideia avance, pode abrir um novo ciclo de demanda institucional por ativos digitais e tecnologias de blockchain, criando um contraponto aos efeitos negativos das decisões tarifárias dos EUA.
Conclusão: incerteza é a nova normalidade no cripto
O aumento das tarifas dos EUA contra a China, combinado com o discurso conservador do Fed, criou um ambiente hostil para os ativos digitais no curto prazo. No entanto, fundamentos de longo prazo seguem sólidos, com crescente adoção institucional, avanços tecnológicos e novas propostas para integração financeira global.
Para investidores, o momento exige cautela, mas também pode representar uma janela de oportunidades para acumulação de ativos com visão de longo prazo. A volatilidade é alta, mas é justamente nas incertezas que nascem os ciclos mais lucrativos da história do Bitcoin.
