O mercado de criptomoedas opera em forte cautela nesta quinta-feira (12), refletindo incertezas macroeconômicas, tensões geopolíticas e as movimentações regulatórias nos Estados Unidos. O destaque negativo do dia é o Bitcoin (BTC), que recua 1,8% e volta a ser negociado abaixo dos R$ 600 mil.
Manhã Cripto: Bitcoin perde valor e recua para US$ 107 mil
Bitcoin cai 1,8% e perde os R$ 600 mil nesta quinta (12). Solana, XRP e Dogecoin lideram perdas. Saiba mais!
A maior criptomoeda do mundo está cotada a US$ 107.360 no exterior, de acordo com o Portal do Bitcoin, após ter tocado a máxima diária de US$ 110,2 mil na quarta-feira (11). Em reais, o BTC está cotado a R$ 596.887, indicando um novo ponto de suporte para os investidores brasileiros.
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Desempenho negativo generalizado entre as criptomoedas
O dia também é de queda para outros ativos relevantes do universo cripto. A Solana (SOL) lidera as perdas entre os maiores projetos, com recuo de 3,8%. O XRP, token nativo da Ripple, registra baixa de 3,6%, enquanto o Dogecoin (DOGE), popularizado por Elon Musk, despenca 6%.
Entre os gigantes, o Ethereum (ETH) também não escapou do tombo, embora com intensidade menor. A segunda maior criptomoeda do mundo cai 1% e é negociada a US$ 2.745. Ainda assim, o ETH tem atraído atenção de investidores institucionais ao longo da semana, impulsionado pelo desempenho positivo dos ETFs de derivativos baseados no ativo.
Na terça-feira (10), os ETFs de Ethereum registraram entradas líquidas de US$ 125 milhões, o maior volume diário dos últimos quatro meses, sinalizando um crescente interesse institucional pelo ativo mesmo em meio a um cenário de correções no mercado.
Clima geopolítico e comercial traz incertezas
Boa parte da instabilidade atual decorre do cenário externo, especialmente das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China. Ainda pendente de aprovação formal pelos presidentes Donald Trump e Xi Jinping, o acordo prevê uma reversão parcial de tarifas impostas anteriormente, o que poderia aliviar parte da tensão entre as duas maiores economias do mundo.
Segundo comunicado da Casa Branca, o novo arranjo tarifário retoma uma estrutura com 10% de tarifas recíprocas, 20% ligadas ao combate ao tráfico de fentanil, e a manutenção da tarifa de 25% aplicada durante o primeiro mandato de Trump.
Apesar de representar algum avanço, o mercado financeiro segue com pé atrás. Para os analistas da QCP Capital, “o tom geral permanece moderado, principalmente porque o Secretário de Comércio dos EUA reafirmou uma postura dura sobre exportações de tecnologia, enfatizando que os EUA não darão à China seus melhores chips.”
Essa sinalização de rigidez nas relações tecnológicas reforça o cenário de fragmentação global das cadeias de suprimento e aumenta o custo de produção global, afetando diretamente o apetite por ativos de risco, incluindo criptoativos.
Queda não afasta otimismo institucional no médio prazo
Apesar das quedas registradas nesta manhã, analistas apontam que o cenário macroeconômico ainda é considerado construtivo para o mercado cripto em médio e longo prazo. O crescimento do engajamento institucional, a maior maturidade dos produtos financeiros relacionados a criptomoedas e o avanço nas regulamentações têm pavimentado um ambiente mais estável.
Para o analista-chefe da Glassnode, Daniel Callahan, “os investidores institucionais seguem ampliando posições em criptoativos em portfólios diversificados, impulsionados pela tese de longo prazo de valorização em ciclos futuros de alta”.
Segundo ele, a atual fase de correção representa uma “consolidação saudável”, e pode abrir espaço para novas entradas a preços mais atrativos.
CLARITY Act avança no Congresso dos EUA

Outro fator que impacta diretamente o humor dos investidores é o avanço de uma importante proposta legislativa nos Estados Unidos. O CLARITY Act, que busca criar diretrizes claras para a regulamentação de criptomoedas, foi aprovado por dois comitês-chave da Câmara dos Representantes nesta semana.
O projeto segue agora para votação no plenário e, se aprovado, poderá representar um divisor de águas para o mercado norte-americano. A proposta estabelece critérios objetivos para classificar ativos digitais como títulos (securities) ou commodities, além de criar um órgão de coordenação regulatória entre a SEC e a CFTC.
O setor cripto tem pressionado por mais clareza jurídica há anos, uma vez que o vácuo regulatório tem gerado insegurança para exchanges, fundos e investidores de varejo.
ETFs de Solana podem impulsionar nova temporada das altcoins
Enquanto o mercado acompanha o desempenho do Bitcoin e Ethereum, a atenção também se volta para a possibilidade de aprovação de um ETF à vista baseado na Solana (SOL). A SEC pediu recentemente que as gestoras atualizem seus registros, o que foi interpretado como um sinal de que as aprovações podem estar próximas.
De acordo com Eric Balchunas, analista de ETFs da Bloomberg, a chance de aprovação de ETFs de altcoins nos EUA nos próximos quatro meses é de 90%. Para ele, esse movimento deve dar início ao que chamou de “verão das altcoins”.
“A aprovação de ETFs de Solana ou outras altcoins pode abrir uma nova avenida de capital institucional, especialmente em um cenário onde os investidores buscam diversificação e exposição a projetos com fundamentos sólidos além do Bitcoin e Ethereum”, afirmou Balchunas.
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Bitcoin no Brasil: resistência em R$ 600 mil preocupa
A cotação do Bitcoin no Brasil voltou a ficar abaixo da marca psicológica de R$ 600 mil. O nível, que já funcionou como suporte em ciclos anteriores, agora é acompanhado com atenção por analistas técnicos.
Se perder esse patamar com consistência, o BTC pode testar níveis mais baixos de suporte, como R$ 585 mil e R$ 562 mil. No entanto, se houver recuperação nos mercados internacionais e um novo influxo de capital institucional, o movimento de queda pode ser revertido com rapidez.
Perspectivas para o curto e médio prazo

O cenário para o mercado cripto permanece volátil, mas com fundamentos que sustentam a tese de crescimento no médio e longo prazo. A curto prazo, os investidores devem seguir atentos aos seguintes pontos:
Indicadores macroeconômicos nos EUA
- Dados de inflação, emprego e atividade continuam guiando as decisões do Federal Reserve.
- A expectativa de corte de juros ainda neste ano pode beneficiar ativos de risco como as criptos.
Clima geopolítico e comercial
- A evolução das negociações entre EUA e China segue como fator de volatilidade.
- Conflitos comerciais e tecnológicos têm impacto direto nas decisões de alocação global de capital.
Avanços regulatórios e ETFs
- O avanço do CLARITY Act e as movimentações da SEC sobre ETFs devem moldar o ambiente jurídico e estimular novos fluxos institucionais.
- A aprovação de ETFs de altcoins pode impulsionar um novo ciclo de valorização de projetos alternativos.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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