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Crise no Oriente Médio derruba Bitcoin para US$ 100 mil e pressiona Ethereum: incertezas geopolíticas afetam criptomoedas

Bitcoin despenca para US$ 100 mil após ataques dos EUA ao Irã e intensificação do conflito no Oriente Médio. Ethereum acumula perdas de 13%.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira··7 min de leitura
bitcoin

O mercado global de criptomoedas viveu um fim de semana turbulento. A escalada do conflito entre Israel e Irã, com a inesperada intervenção militar dos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas no sábado (21), provocou uma onda de aversão ao risco que repercutiu diretamente sobre os principais ativos digitais.

O Bitcoin (BTC), principal criptomoeda do mundo, chegou a cair para US$ 100 mil no domingo (22), enquanto o Ethereum (ETH) acumulou perdas superiores a 13% em sete dias.

As movimentações geopolíticas reforçaram a fragilidade do mercado diante de eventos externos e acenderam alertas em relação à segurança e previsibilidade dos criptoativos, especialmente em um momento de aumento do volume institucional no setor.

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Bitcoin atinge patamar psicológico de US$ 100 mil

No início da madrugada de domingo, o Bitcoin viu seu preço desabar para US$ 100 mil, após notícias da ofensiva militar norte-americana contra alvos nucleares iranianos.

Embora o ativo tenha se recuperado ligeiramente nas horas seguintes, sua cotação permaneceu na casa de US$ 101 mil na manhã da segunda-feira (23), refletindo um mercado ainda em estado de alerta.

Segundo analistas da QCP Capital, apesar do “repique” parcial nos preços, o movimento revela um mercado dividido entre o apetite por risco e a postura defensiva diante de um cenário internacional cada vez mais volátil.

“A compressão da volatilidade de curto prazo sugere que os investidores, por ora, não antecipam um contágio mais profundo”, diz o relatório da QCP.

Desempenho das principais criptomoedas

B3 criptos
Imagem: Freepik

Às 8h45 de segunda-feira, o mercado apresentava os seguintes números:

  • Bitcoin (BTC): -1,33%, cotado a US$ 101.356
  • Ethereum (ETH): -0,80%, cotado a US$ 2.254
  • XRP: -0,85%, cotado a US$ 2,00
  • BNB: -2,06%, cotado a US$ 617,40
  • Solana (SOL): +1,13%, cotado a US$ 134,19
  • Dogecoin (DOGE): -2,15%, cotado a US$ 0,1518

Enquanto o Bitcoin tenta se manter próximo da nova linha de suporte, outras criptos seguem trajetória semelhante, com quedas generalizadas, exceto algumas altcoins que surpreenderam com desempenhos positivos, como a Hyperliquid (HYPE) e a Hedera (HBAR).

Ethereum recua para US$ 2.200 e acumula perdas semanais

O Ethereum, segunda maior criptomoeda em valor de mercado, viu seu preço cair para US$ 2.200, patamar que não era registrado desde meados de fevereiro. A queda de mais de 13% nos últimos sete dias é um sinal claro de que o mercado altcoin está sendo ainda mais afetado pela instabilidade global do que o próprio Bitcoin.

Essa retração também está relacionada à correção técnica dos preços após uma sequência de altas acumuladas nos primeiros meses de 2025, impulsionadas por expectativas positivas em torno da atualização Dencun e da adoção institucional crescente.

Geopolítica, criptoativos e a volatilidade interconectada

A ofensiva militar dos EUA no Irã causou ondas de choque nos principais mercados financeiros do mundo. Petróleo e ouro dispararam, com o ouro atingindo novos recordes em função da corrida por ativos considerados mais seguros.

Em contrapartida, ativos de risco, como criptomoedas e ações de tecnologia, sofreram com a aversão de investidores.

“Estamos diante de um ponto de inflexão em que o mercado precisa decidir entre buscar proteção ou continuar apostando em ativos de risco”, avaliou um estrategista do Morgan Stanley.

O papel do Bitcoin como “porto seguro” questionado

Historicamente defendido por entusiastas como uma reserva de valor semelhante ao ouro, o Bitcoin falhou, neste episódio, em cumprir esse papel. Em vez de se valorizar com a tensão geopolítica, sofreu uma queda expressiva, indicando que sua correlação com ativos tradicionais ainda não está consolidada.

Empresas ampliam exposição ao Bitcoin mesmo diante da turbulência

Bitcoin criptomoedas
Imagem: stockphoto-graf / shutterstock.com

Méliuz lidera aquisição de BTC na América Latina

Mesmo com a queda do mercado, algumas empresas seguem ampliando sua exposição ao Bitcoin. A brasileira Méliuz anunciou a compra de 275,43 BTC por aproximadamente US$ 28,61 milhões, elevando seu total para 595,67 BTC, com preço médio de US$ 102.702,84 por unidade.

Com esse movimento, a empresa se torna a maior detentora de Bitcoin da América Latina entre as companhias de capital aberto, e ocupa a 36ª posição mundial nesse ranking.

“Acreditamos que o Bitcoin será parte essencial do futuro financeiro global, e essa alocação estratégica reforça nossa visão de longo prazo”, declarou o CEO da empresa.

Metaplanet acelera meta de 100 mil BTC

Do outro lado do mundo, a japonesa Metaplanet intensificou seu plano de acumular 100 mil BTC até 2026, com a compra de 1.111 bitcoins por US$ 118 milhões. O caixa da companhia agora soma 11.111 BTC, evidenciando uma estratégia agressiva de longo prazo.

Esse tipo de movimentação institucional indica uma visão estratégica do ativo como reserva contra desvalorização cambial, inflação e instabilidade financeira.

Iniciativas de infraestrutura: stablecoins e IPOs no radar

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A Coinbase, uma das principais exchanges dos Estados Unidos, lançou o serviço Coinbase Payments, com foco em integrar pagamentos com stablecoins ao varejo online. A solução foi desenvolvida para funcionar de forma semelhante aos sistemas de cartão de crédito e já mira grandes plataformas como Shopify e eBay.

“Queremos integrar as stablecoins de maneira fluida no comércio eletrônico global”, afirmou um porta-voz da empresa.

OKX avalia abertura de capital nos EUA

A exchange OKX, baseada na Ásia, está avaliando uma possível oferta pública inicial (IPO) no mercado norte-americano, de acordo com o site The Information. A empresa, que recentemente abriu uma subsidiária nos EUA, ainda não divulgou prazos, mas o movimento indica interesse em se consolidar como player global regulado.

Esse possível IPO ocorre em meio à recuperação da imagem pública da OKX após pagar uma multa de US$ 500 milhões ao Departamento de Justiça dos EUA, encerrando investigações sobre supostas irregularidades envolvendo transferências de dinheiro.

Perspectivas para o mercado de criptomoedas após a tensão geopolítica

Com o alívio parcial da tensão entre os países envolvidos no conflito do Oriente Médio, os investidores seguem atentos a possíveis novos desdobramentos. A continuidade de ataques ou novas sanções econômicas podem reacender a volatilidade e pressionar ainda mais os preços das criptomoedas.

Além disso, indicadores econômicos dos EUA, como a taxa de juros e dados de inflação, continuam a influenciar a dinâmica de mercado, especialmente agora que o Federal Reserve mantém um discurso ambíguo quanto a novos cortes.

Bitcoin: novo suporte em US$ 100 mil?

Após testar o piso psicológico dos US$ 100 mil, o Bitcoin deve encontrar um novo ponto de suporte técnico. Se conseguir se manter acima desse valor nas próximas sessões, o mercado pode sinalizar recuperação. Caso contrário, analistas já apontam para possíveis retrações adicionais rumo a US$ 95 mil.

Por outro lado, uma estabilização nos conflitos internacionais poderia impulsionar o retorno do apetite por risco, fazendo o Bitcoin retomar o patamar anterior de US$ 110 mil ou mais.

Considerações finais

BTC dispara após corte de juros na china e avanços regulatórios sobre stablecoins nos estados unidos
Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

O episódio envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã escancarou a vulnerabilidade do mercado de criptomoedas a eventos geopolíticos, mesmo em um cenário de adoção institucional crescente.

Enquanto o Bitcoin caiu para US$ 100 mil e o Ethereum acumulou perdas de 13%, empresas como Méliuz e Metaplanet continuam investindo pesado no setor, acreditando no potencial de valorização de longo prazo.

No curto prazo, a cautela predomina. Investidores aguardam com apreensão os desdobramentos no Oriente Médio e a resposta dos mercados globais. A narrativa do Bitcoin como reserva de valor será posta à prova em tempo real, e a resiliência do setor dependerá da capacidade de adaptação frente à volatilidade que caracteriza tanto os criptoativos quanto a geopolítica internacional.

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