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CIA enxerga Bitcoin como arma estratégica na disputa tecnológica entre EUA e China, diz vice-diretor Michael Ellis

Michael Ellis, vice-diretor da CIA, declarou que o Bitcoin é uma ferramenta estratégica dos EUA na disputa tecnológica contra China e regimes adversários, ressaltando o papel das criptomoedas na geopolítica global.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Escalabilidade no Bitcoin

A Central Intelligence Agency (CIA), tradicionalmente associada a operações de inteligência e segurança nacional, agora amplia seu foco para o setor de criptoativos.

Em uma revelação surpreendente, Michael Ellis, vice-diretor da agência e atualmente a segunda figura mais poderosa dentro da instituição, afirmou que o Bitcoin e outras criptomoedas são ferramentas importantes na competição geopolítica e tecnológica dos Estados Unidos, sobretudo contra a China.

Durante participação em um podcast especializado em segurança e tecnologia, realizado na quarta-feira, 30 de abril de 2025, Ellis destacou o potencial estratégico das criptomoedas, abordando desde sua utilização como instrumento de inteligência até sua função em enfraquecer adversários internacionais.

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Bitcoin na arena geopolítica: de ativo digital a recurso estratégico

Tether
Imagem: Seu Crédito Digital / Freepik

O Bitcoin, que começou em 2009 como um experimento descentralizado de dinheiro digital, evoluiu para muito mais que um simples ativo financeiro. Hoje, está no centro de disputas regulatórias, debates sobre soberania digital e estratégias geopolíticas entre grandes potências, como Estados Unidos e China.

Michael Ellis, indicado ao cargo por Donald Trump e empossado como vice-diretor da CIA em fevereiro de 2025, deixou claro que as criptomoedas são agora parte do arsenal estratégico do país.

“Bitcoin e outras criptomoedas são outra ferramenta dentro da nossa caixa de ferramentas”, afirmou Ellis.

A fala sinaliza que os EUA não apenas reconhecem a importância do setor de criptoativos, mas também pretendem integrá-lo às suas estratégias de defesa e inteligência.

Criptomoedas como vantagem tática e risco calculado

Em sua fala, Ellis revelou que a CIA vê nas criptomoedas uma forma eficaz de coletar inteligência. Graças à transparência pública do blockchain, é possível rastrear atividades financeiras, identificar padrões de movimentação e cruzar dados com investigações de segurança nacional.

“Podemos usar essas tecnologias para coletar mais inteligência, mais informações sobre nossos adversários”, explicou.

Embora o anonimato seja uma das bandeiras do setor cripto, muitas transações são pseudoanônimas e, com recursos adequados, podem ser associadas a pessoas ou entidades.

Assim, o blockchain pode ser um mapa digital de atividades geopolíticas, especialmente quando regimes adversários como Coreia do Norte, Irã ou Venezuela utilizam criptomoedas para financiar operações ilícitas.

A disrupção dos meios adversários

A CIA também pretende usar as criptomoedas de forma ofensiva, ou seja, para interromper a maneira como nações inimigas operam financeiramente.

Segundo Ellis, “podemos causar uma disrupção na forma como nossos adversários usam [as criptomoedas]”.

Entre os alvos estariam cartéis de drogas, grupos terroristas e governos sancionados, como o da Coreia do Norte, conhecidos por utilizar ativos digitais para escapar do sistema financeiro tradicional e das sanções impostas por organismos internacionais.

Bitcoin como escudo contra a influência da China

A nova corrida tecnológica: blockchain e supremacia digital

Além da função tática, o Bitcoin tem uma dimensão simbólica e estratégica. Ellis destacou que as criptomoedas são mais um campo de batalha na corrida tecnológica entre Estados Unidos e China.

“Essa é outra área de competição tecnológica em que temos de garantir que os Estados Unidos estejam muito bem posicionados contra a China e nossos outros adversários.”

A China, embora tenha banido transações com Bitcoin para seus cidadãos, é líder no desenvolvimento de moedas digitais de banco central (CBDCs), como o yuan digital, e também domina a produção de equipamentos de mineração e a infraestrutura de tecnologia blockchain.

Os EUA, por outro lado, demonstram interesse crescente em fortalecer o ecossistema cripto privado como forma de promover inovação descentralizada, reduzindo a dependência de sistemas financeiros centralizados ou autoritários.

Criptomoedas sob vigilância: entre adoção e controle

A CIA e o paradoxo do Bitcoin

Embora a CIA veja valor estratégico no Bitcoin, Ellis também fez ressalvas. Segundo ele, criptomoedas podem se transformar em alvos de investigação e contenção, dependendo do contexto geopolítico.

Ou seja, o mesmo Bitcoin que é visto como ferramenta, pode ser também objeto de repressão, caso utilizado por nações adversárias para fins de espionagem, financiamento ilícito ou manipulação econômica.

Esse paradoxo reflete o dilema enfrentado por diversos órgãos reguladores e agências de segurança: como incentivar a inovação sem comprometer a segurança nacional?

Declarações alinhadas com Donald Trump e a agenda cripto da Casa Branca

Estados Unidos querem liderar o mundo das criptomoedas

As palavras de Ellis não estão isoladas. Elas refletem a visão estratégica do presidente Donald Trump, que já declarou publicamente seu objetivo de transformar os EUA na “capital mundial das criptomoedas”.

Segundo Trump, o país não pode se dar ao luxo de perder protagonismo na revolução cripto para potências como a China ou blocos como a União Europeia.

Para isso, sua administração vem apoiando políticas de incentivo ao setor, como:

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  • Criação de zonas francas para inovação em blockchain;
  • Apoio a startups de tecnologia financeira;
  • Pressão por clareza regulatória no Congresso;
  • Parcerias entre agências de segurança e empresas do setor cripto.

Geopolítica do Bitcoin: novos capítulos da guerra fria digital

Blockchain como instrumento de soberania e resistência

O debate sobre Bitcoin ultrapassou há muito o universo dos entusiastas e traders. Ele agora ocupa espaço em mesas de estratégia, departamentos de defesa e gabinetes presidenciais.

A declaração de Michael Ellis marca um novo capítulo: a institucionalização do Bitcoin como ferramenta de inteligência e geopolítica.

Não se trata mais de uma moeda apenas, mas de uma infraestrutura global descentralizada, capaz de desafiar bancos centrais, redes de espionagem e regimes autoritários.

Enquanto países como China desenvolvem redes digitais fechadas e controladas pelo Estado, os EUA apostam na resiliência da descentralização como vantagem competitiva.

Implicações futuras: o que esperar do uso estratégico do Bitcoin

Orange BTC
Imagem: Vladimka Production / Shutterstock.com

O Bitcoin será um aliado ou uma ameaça?

A fala de Ellis levanta uma pergunta fundamental: o Bitcoin será um aliado das democracias ou uma ameaça em mãos erradas?

A resposta dependerá de como as nações moldarão sua política externa, regulatória e de segurança em relação aos criptoativos.

Cenários possíveis:

  • Aliança entre democracias ocidentais para padronizar a regulação cripto;
  • Adoção crescente de Bitcoin por regimes autoritários como mecanismo de resistência a sanções;
  • Criação de redes paralelas de pagamentos internacionais fora do controle dos EUA;
  • Espionagem e guerra cibernética baseadas em transações cripto;
  • Avanço das CBDCs como resposta estatal às moedas descentralizadas.

Conclusão: o Bitcoin como peça-chave no xadrez global

A declaração do vice-diretor da CIA é mais um sinal de que o mundo está entrando em uma nova era da diplomacia e segurança, em que criptomoedas não são mais apenas ativos financeiros, mas elementos centrais da política internacional.

Ao assumir publicamente que o Bitcoin é uma ferramenta estratégica, Michael Ellis sinaliza que os EUA estão dispostos a jogar forte nesse novo tabuleiro.

Seja como meio de espionagem, instrumento de disrupção ou símbolo de liberdade econômica, o Bitcoin está no centro de uma nova guerra fria digital — e a CIA está observando cada bloco.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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