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Bitcoin recua após atingir US$ 97 mil com entrada bilionária em ETFs e tensão entre EUA e China

Bitcoin recua para US$ 94 mil após atingir US$ 97 mil, com alta entrada em ETFs e tensões comerciais entre EUA e China influenciando investidores. Veja análise técnica e perspectivas.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin

O mercado de criptomoedas iniciou a primeira semana de maio com um movimento corretivo relevante. Após alcançar o patamar de US$ 97 mil no final da semana anterior — o maior nível registrado em mais de dois meses — o Bitcoin (BTC) recuou e foi cotado a aproximadamente US$ 94.050 nesta segunda-feira (5), acumulando queda de 1,6% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinGecko.

A retração ocorre em meio a uma combinação de fatores: o grande fluxo de recursos direcionado aos fundos de índice (ETFs) de Bitcoin nos Estados Unidos, a diminuição de liquidez global e a cautela dos investidores frente ao cenário geopolítico, especialmente nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China.

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Entrada bilionária em ETFs liderada pela BlackRock impulsiona pico recente

O movimento de alta que precedeu a queda teve como combustível o volume massivo de aportes nos ETFs de Bitcoin, que vêm ganhando protagonismo desde sua aprovação oficial nos EUA. No dia 2 de maio, apenas o ETF da gestora BlackRock, o maior da categoria, recebeu US$ 675 milhões em aportes líquidos — um recorde para um único dia.

Esse volume representa uma confiança crescente de investidores institucionais na exposição ao Bitcoin via instrumentos regulados e facilmente acessíveis no mercado tradicional. O total acumulado em ETFs nos primeiros dias de maio já supera os US$ 1 bilhão, reforçando o papel desses fundos como novos vetores de demanda pela criptomoeda.

Influência do cenário macroeconômico e geopolítico

Apesar do otimismo provocado pelos fluxos institucionais, o mercado permanece sensível às variáveis macroeconômicas e geopolíticas.

Analistas acompanham de perto os desdobramentos das tratativas comerciais entre Washington e Pequim, que discutem uma possível flexibilização nas tarifas impostas a produtos chineses durante a gestão anterior.

Segundo Guilherme Prado, gerente da exchange Bitget no Brasil, qualquer avanço positivo nas negociações pode beneficiar ativos de risco, como ações e criptomoedas, ao elevar a liquidez global e reduzir tensões entre as duas maiores economias do mundo.

“O Bitcoin iniciou a semana em retração após registrar um pico no feriado. A correção de 4% é reflexo natural da realização de lucros e do ajuste técnico do mercado, que também vê redução no volume de negociações”, afirmou Prado.

Volume de negociação em queda reforça cautela dos investidores

O enfraquecimento momentâneo do impulso de compra é evidenciado pela expressiva retração no volume diário negociado com Bitcoin. Nas últimas 24 horas, o volume caiu 42,2%, somando US$ 15,8 bilhões.

Essa retração indica um movimento de espera entre investidores, que adotam postura mais cautelosa diante das incertezas que pairam sobre os próximos passos da política monetária dos EUA, os desdobramentos geopolíticos com a China e a trajetória de outros indicadores de risco sistêmico.

Análise técnica do Bitcoin: suporte e resistência em foco

Bitcoin act
Imagem: Vladimka Production / Shutterstock.com

No aspecto técnico, o Bitcoin está atualmente testando zonas-chave de suporte e resistência. De acordo com especialistas, a faixa entre US$ 91.800 e US$ 93.500 se apresenta como uma zona de forte interesse comprador, servindo como suporte imediato após a correção dos últimos dias.

Resistência em US$ 95.500 e projeção de nova máxima

A resistência mais próxima está situada acima dos US$ 95.500. Caso o BTC consiga ultrapassar esse patamar com consistência, abre-se caminho para uma retomada da tendência de alta, com alvo potencial em US$ 98.800 — o que representaria um novo topo local no ano de 2025.

“Se o suporte em US$ 91.800 for mantido, o cenário continua otimista para os próximos meses. Já uma quebra abaixo desse nível pode acionar ordens de venda e levar o ativo a testar novas mínimas locais”, explicou Prado.

Projeções para 2025 mantêm alvo otimista em US$ 125 mil

Apesar da volatilidade de curto prazo, as projeções de médio e longo prazo permanecem favoráveis entre analistas do setor. Muitos mantêm suas estimativas para o Bitcoin atingindo a marca de US$ 125.600 até o fim de 2025, apoiadas por fundamentos como:

  • Crescimento contínuo da adoção institucional;
  • Halving recente e sua redução na emissão de novos bitcoins;
  • Maior atratividade frente à inflação global persistente;
  • Migração de capital de mercados emergentes e de ouro para criptoativos.

Ethereum também recua e mercado de altcoins segue movimento do BTC

Ethereum
Imagem: Big Eyes Coin / Reprodução

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O movimento corretivo não foi exclusivo do Bitcoin. A segunda maior criptomoeda do mercado, o Ethereum (ETH), também registrou queda de 1,4%, sendo negociado a US$ 1.799 no mesmo horário.

Com o BTC dominando os fluxos institucionais por meio dos ETFs, as altcoins enfrentam maior dificuldade em manter ritmos de valorização, especialmente em momentos de realização de lucros ou incertezas econômicas globais.

Situação do Bitcoin no Brasil: cotação e reflexo cambial

A cotação do Bitcoin no Brasil também refletiu a queda global da criptomoeda. Segundo o Cointrade Monitor, o BTC era negociado a cerca de R$ 530.745 nas principais exchanges brasileiras no início da semana.

A variação cambial frente ao dólar norte-americano, combinada à oscilação internacional do ativo, continua influenciando diretamente o preço em reais, sendo um fator de atenção para investidores locais.

Fatores que podem impactar o preço do Bitcoin nos próximos dias

Para os próximos dias, o mercado deve acompanhar atentamente os seguintes elementos:

  • Relatórios econômicos dos EUA: índices de emprego, inflação e decisões do Federal Reserve;
  • Atualizações sobre os ETFs: novos fluxos de entrada ou saída podem influenciar o sentimento de mercado;
  • Situação geopolítica: qualquer avanço ou retrocesso nas relações comerciais entre EUA e China terá impacto direto no apetite por risco;
  • Análise on-chain: dados sobre movimentação de grandes carteiras (whales), reservas de mineradoras e taxas de rede.

Conclusão: correção é saudável, mas atenção ao suporte é crucial

A recente correção do Bitcoin após a máxima de dois meses não altera, por ora, a estrutura de alta de longo prazo. A retração de 4% é considerada saudável por muitos analistas, especialmente após uma valorização significativa impulsionada por aportes em ETFs.

No entanto, a manutenção do suporte entre US$ 91.800 e US$ 93.500 será determinante para o comportamento do preço nas próximas semanas. Uma quebra abaixo dessa faixa pode gerar instabilidade, enquanto a superação de resistências em US$ 95.500 e US$ 98.800 pode abrir caminho para novas máximas e possivelmente uma aproximação do tão aguardado patamar dos US$ 100 mil.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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