O Bitcoin Core é o software que mantém viva a rede Bitcoin — desde a validação de transações até a manutenção de consenso entre os nós. Em junho de 2025, uma mudança significativa na política de retransmissão de transações, envolvendo o opcode OP_RETURN, gerou um debate acalorado na comunidade cripto.
Bitcoin Core na berlinda: nova política de OP_RETURN reacende debate sobre descentralização e expansão da rede
Nova política do Bitcoin Core dobrando limite de OP_RETURN até 4 MB reacende debate entre inovação e centralização. Entenda por que isso importa para segurança.
Essa medida flexibiliza o volume de dados anexados a transações e reforça uma discussão histórica: até que ponto o Bitcoin pode evoluir sem comprometer seus pilares?
Leia mais:
O que é o Bitcoin Core?
Definição e funções principais
O Bitcoin Core é o software de nó completo que dá suporte à rede Bitcoin desde 2009. É código aberto, auditável e protegido por uma governança pela comunidade. Executar o Core significa ser capaz de:
- Validar blocos e transações: assegura que regras como “gasto duplo” ou o limite de 21 milhões de bitcoins sejam respeitados.
- Manter consenso descentralizado: todos os nós decidem juntos sobre o estado da rede.
- Ampliar a segurança: se um nó falhar, milhares de outros garantem o funcionamento contínuo.
- Oferecer carteira e suporte à Lightning Network: permite enviar e receber BTC, além de transações rápidas e baratas.
Papel na descentralização
Quanto mais pessoas executam o Core, mais difícil a centralização. Um único nó não consegue ditar termos: a rede só aceita mudanças se houver consenso.
Governança e desenvolvimento comunitário
Modelo colaborativo por BIPs
As melhorias chegam por meio dos Bitcoin Improvement Proposals (BIPs) — documentos que definem mudanças. Eles são debatidos no GitHub, BitcoinTalk e fóruns específicos.
Decisão por consenso
Para que uma BIP seja adotada, é preciso consenso tácito. Usuários, mineradores e operadores de nós precisam atualizar para a nova versão — nada muda sem apoio amplo.
Política de retransmissão: o que mudou?

OP_RETURN e seu propósito histórico
O opcode OP_RETURN permite incluir dados não financeiros em transações, marcando saídas como não gastáveis. Desde 2014, há um limite de 80 bytes por transação, evitando sobrecarga e bloat.
O novo cenário
A partir de maio/junho de 2025, o Bitcoin Core começou a permitir até 160 bytes por OP_RETURN, dobrando o limite. A versão futura (Core 30, prevista para outubro) planeja liberar até 4 MB, aproximando-se do limite de tamanho total de bloco.
O debate que dividiu a comunidade
O lado reformista
Defensores — como Peter Todd e Antoine Poinsot — argumentam que fallback do limite evita práticas obscuras que bloatam o UTXO, e que desenvolvimentos como o BitVM e identidades descentralizadas se beneficiarão disso.
O lado conservador
Críticos destacam:
- Spam e bloat: transações pesadas prejudicam nodes menores.
- Centralização: mineradores ou nós grandes podem priorizar inscritos “ricos em dados”.
- Mudança de foco: temem que o Bitcoin deixe de ser moeda e vire banco de dados geral .
Perspectivas e reações
Rejeição da comunidade
Pesquisas como a da newsletter Bitcoin Minimalist mostraram que 71% dos leitores rejeitam usos não financeiros via OP_RETURN, preferindo manter o perfil apenas monetário.
Migração para concorrentes
Alternativas como o Bitcoin Knots ganharam adoção — subindo de 2% para 11% dos nós em pouco tempo.
O que muda com o Bitcoin Core 30?
Novos limites
- OP_RETURN disponível por padrão até 4 MB por saída;
- Configurações antigas de limite de dados tornam-se obsoletas e receberão aviso.
Objetivo técnico
Simplificar o manejo de dados no mempool e UTXO, reduzindo demanda por scripts criativos que burlam o limite.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Impactos na rede e no ecossistema
Sobrecarga na rede
Transações maiores:
- Aumentam o tamanho de blocos;
- Pressionam nodes menores com maior uso de banda e armazenamento.
Evolução ou ruína?
- Fortalece protocolos on‑chain e identidade descentralizada;
- Mas pode alienar puristas da moeda digital com os riscos de centralização.
O futuro do Bitcoin Core e o que esperar
Governança em questão
O episódio reforça a necessidade de equilíbrio entre:
- Inovação técnica;
- Respeito à descentralização e legitimidade da rede.
Participação comunitária
Operadores de nós e usuários são encorajados a:
- Revisar propostas no GitHub;
- Participar de discussões técnicas;
- Optar por implementações que condizem com seus valores (Core, Knots, etc.).
Considerações finais

O Bitcoin Core é o coração do ecossistema BTC — responsável pela manutenção das regras, segurança e descentralização. A decisão de relaxar o limite de OP_RETURN expõe um dilema fundamental: inovação dentro da rede ou preservação de sua natureza financeira pura?
A versão 30, prevista para outubro de 2025, será um divisor de águas. Pode abrir caminho para avanços como BitVM e blockchain de identidade, ou desencadear pressões de centralização e aumento de spam.
Como tudo no Bitcoin, a solução virá do equilíbrio entre paradoxo entre liberdade e disciplina, governança comunitária e adoção ideal. E a comunidade — operadores de nós, desenvolvedores e usuários — decidirá os rumos dessa história.
