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Por que o preço do Bitcoin despencou e não consegue subir? Entenda os fatores que pressionam o mercado

Avatar de Tainara Ferreira Tainara Ferreira · · 6 min de leitura
Bitcoin

O Bitcoin (BTC) iniciou esta sexta-feira, 22 de agosto de 2025, em terreno negativo. Cotado em torno de R$ 618.693,66 no mercado brasileiro — o equivalente a aproximadamente US$ 113.100 — o ativo digital perdeu a força de recuperação observada nos últimos dias. A retração reflete um cenário de incertezas macroeconômicas, tensões geopolíticas e postura cautelosa dos investidores globais.

A pergunta que domina os mercados hoje é: por que o preço do Bitcoin caiu e não consegue sustentar altas consistentes? A resposta envolve uma série de fatores que vão desde as expectativas sobre a política monetária nos Estados Unidos até os desdobramentos da guerra no Leste Europeu.

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Expectativa em torno do simpósio de Jackson Hole

Um dos principais fatores que influencia o mercado hoje é a expectativa pelo discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), no tradicional simpósio de Jackson Hole, que reúne autoridades monetárias e economistas de todo o mundo.

  • Se Powell adotar tom mais duro (hawkish) → o mercado pode entender que os juros permanecerão altos por mais tempo, reduzindo o apetite por risco.
  • Se o discurso for mais suave (dovish) → aumenta a chance de cortes já em setembro, o que tende a favorecer ativos como Bitcoin e ações de tecnologia.

Probabilidade de corte de juros recua

Até poucas semanas atrás, o mercado praticamente dava como certo o início do ciclo de cortes em setembro. Agora, as apostas foram reduzidas para 75%, segundo dados de mercado.

Essa mudança fortaleceu o índice do dólar (DXY), que se mantém próximo de 98,60, pressionando ativos de risco como o Bitcoin. Em geral, juros altos = dólar forte = liquidez global mais apertada = desvalorização de criptoativos.

O peso da geopolítica sobre o Bitcoin

A guerra no Leste Europeu

Além dos fatores econômicos, a geopolítica também influencia diretamente o comportamento do Bitcoin. Nesta semana, a Reuters noticiou que o presidente russo, Vladimir Putin, condicionou um cessar-fogo a três exigências, incluindo a renúncia da Ucrânia à região de Donbas e o compromisso de não ingressar na OTAN.

A recusa de Kiev em aceitar os termos elevou a percepção de risco nos mercados. Em contextos de incerteza, investidores costumam migrar para ativos considerados seguros, como dólar e títulos do Tesouro americano, deixando o Bitcoin em segundo plano.

Taxações e regulação global

Outro ponto levantado por analistas é o aumento das discussões sobre taxação de criptomoedas em diversas economias. Isso amplia a volatilidade e adiciona mais obstáculos à recuperação do BTC.

Bitcoin sob pressão técnica

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Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

Resistências e suportes

Segundo análises da corretora Bitunix, o Bitcoin enfrenta barreiras técnicas importantes:

  • Resistências: US$ 114,7 mil e US$ 116,8 mil
  • Suporte imediato: US$ 111,2 mil
  • Suporte mais profundo: entre US$ 109,4 mil e US$ 107,6 mil

Enquanto não romper as resistências, o ativo tende a permanecer preso em uma faixa lateralizada, reforçando a dificuldade em retomar uma tendência de alta consistente.

Liquidações e pressão vendedora

Nos últimos dias, a concentração de liquidações de posições compradas (longs) em torno de US$ 115 mil aumentou a pressão vendedora. Esse movimento técnico impede o BTC de se manter acima da região dos US$ 113 mil a US$ 115 mil.

O que dizem os especialistas sobre o preço do Bitcoin

Visão cautelosa

Para Pedro Xavier, CEO da Mannah, o mercado permanece extremamente sensível às falas de Powell. Segundo ele, qualquer sinal de manutenção dos juros elevados tende a pressionar ainda mais as criptomoedas.

“Se Powell for incisivo e indicar juros altos por mais tempo, o Bitcoin deve continuar em queda. Por outro lado, um tom mais suave pode trazer alívio imediato”, disse Xavier.

Perspectiva otimista

Por outro lado, Caio Leta, da Bipa, acredita que há um consenso crescente de que o Fed deve sim começar a reduzir as taxas em setembro. Nesse cenário, o Bitcoin pode recuperar força e até buscar novos recordes ainda em 2025.

Visão técnica de longo prazo

Mike Ermolaev, da OutsetPR, reforça que os ciclos atuais do Bitcoin ainda seguem padrões históricos. Para ele, os sinais técnicos de longo prazo sugerem que o ativo pode já ter encontrado o fundo da correção, preparando terreno para novas altas no futuro.

O Bitcoin como ativo de risco em 2025

Menor liquidez global

O contexto atual mostra como o Bitcoin está sendo tratado cada vez mais como um ativo de risco — semelhante a ações de tecnologia. Com juros elevados nos EUA e menor liquidez global, investidores preferem ativos de renda fixa tradicional, deixando menos espaço para especulação em cripto.

A questão da volatilidade

Apesar da recente queda, analistas como Guilherme Prado, da Bitget, destacam que a volatilidade do Bitcoin está em níveis historicamente baixos, o que indica uma fase de consolidação. Sem catalisadores claros, o ativo deve continuar preso entre suportes e resistências até que Powell traga novos sinais.

O futuro do Bitcoin depende do Fed?

Possíveis cenários

  • Corte de juros em setembro → BTC pode ganhar impulso e testar resistências em US$ 120 mil;
  • Manutenção dos juros → mercado permanece lateralizado, entre US$ 110 mil e US$ 115 mil;
  • Discurso hawkish → aumento da pressão vendedora pode levar o Bitcoin a testar US$ 109 mil ou até US$ 107 mil.

A longo prazo

Mesmo com os riscos atuais, muitos analistas acreditam que o Bitcoin permanece em trajetória de valorização estrutural. A escassez programada do ativo, somada ao aumento do interesse institucional, pode impulsionar novos ciclos de alta, especialmente em 2026.

Considerações finais

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Imagem: REDPIXEL.PL / Shutterstock.com

O Bitcoin caiu em 22 de agosto de 2025, refletindo a combinação de fatores econômicos e políticos: expectativas sobre juros nos EUA, fortalecimento do dólar, tensões geopolíticas e barreiras técnicas de preço.

Apesar do clima de cautela, o mercado aguarda com atenção o discurso de Jerome Powell em Jackson Hole e os dados de inflação dos EUA na próxima semana, que podem redefinir os rumos da política monetária americana e, consequentemente, do mercado de criptomoedas.

Até lá, especialistas recomendam cautela e foco no gerenciamento de risco, já que o Bitcoin deve continuar preso entre suportes e resistências.

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