Em um cenário global marcado por crescentes tensões comerciais, volatilidade nos mercados tradicionais e valorização do dólar, o Bitcoin surge mais uma vez como um ativo de refúgio.
Bitcoin atinge novo recorde em meio à escalada tarifária dos EUA; dólar e bolsas reagem com tensão global
Bitcoin renova recorde acima de US$ 118 mil impulsionado por investidores institucionais, enquanto tarifas dos EUA pressionam bolsas, dólar sobe e Ibovespa recua.
Nesta sexta-feira (11), a criptomoeda líder rompeu um novo recorde histórico, superando os US$ 118 mil e se aproximando da marca simbólica dos US$ 119 mil, impulsionada por uma forte demanda institucional e pelo contexto macroeconômico desafiador.
Enquanto isso, os principais índices de ações — tanto no Brasil quanto em Nova York e Europa — recuam sob o peso da nova rodada de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, desta vez mirando países como Canadá e União Europeia. A valorização do dólar, por sua vez, pressiona economias emergentes como a brasileira e alimenta temores de desaceleração econômica.
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O cenário econômico brasileiro: Ibovespa e dólar sob pressão
Ibovespa recua com aversão ao risco
O Ibovespa futuro começou o dia em queda de 0,49%, aos 137.900 pontos, refletindo a preocupação dos investidores com as implicações das tarifas americanas sobre o comércio global e sobre eventuais medidas de retaliação por parte do Brasil.
A sinalização de menor apetite ao risco afetou diretamente os papéis mais sensíveis ao cenário externo, como Petrobras e Vale.
Dólar à vista sobe novamente
O dólar à vista registrava alta de 0,32% nesta manhã, cotado a R$ 5,5629. O avanço reflete o temor de que as barreiras tarifárias impostas pelos EUA reduzam o fluxo de dólares para o Brasil, encarecendo a moeda americana e pressionando a inflação doméstica.
Setor de serviços estagnado
Conforme divulgado pelo IBGE, o volume de serviços prestados no Brasil cresceu apenas 0,1% em maio, um resultado abaixo da expectativa de 0,2%. O dado reforça a tese de desaceleração da atividade econômica, o que pode levar o Banco Central a considerar cortes na taxa básica de juros ainda em 2025.
Mercados globais reagem a Trump

Nova York em compasso de espera
Os índices futuros das bolsas americanas operam em queda nesta sexta-feira, com o Dow Jones recuando 0,61%, o S&P 500 caindo 0,56% e o Nasdaq em baixa de 0,50%. O mercado aguarda o próximo movimento do presidente Donald Trump, que prometeu divulgar novas tarifas contra a União Europeia ainda hoje.
Tarifas contra o Canadá e expectativa sobre a UE
Na quinta-feira, Trump anunciou uma tarifa de 35% sobre importações canadenses, medida que amplia o escopo da política protecionista adotada pelos EUA neste ano. O Canadá tornou-se o 23º país a ser notificado sobre tarifas nos últimos dias, e a União Europeia deve ser o próximo alvo, segundo fontes próximas à Casa Branca.
Bolsas mundiais em queda
Europa em alerta
As principais bolsas europeias operavam no vermelho na manhã desta sexta-feira. O índice CAC 40 de Paris recuava 0,87%, o DAX de Frankfurt caía 0,82% e o FTSE 100 de Londres cedia 0,47%. A instabilidade nos mercados reflete a preocupação com as retaliações comerciais e com o impacto na atividade econômica da região.
Ásia modera perdas
Na Ásia, os mercados apresentaram desempenho misto. O Nikkei caiu 0,19% em Tóquio, enquanto o Kospi cedeu 0,23% em Seul. Já o Hang Seng avançou 0,46% em Hong Kong, e o Taiex subiu 0,25% em Taiwan. Na China continental, o índice Xangai Composto ficou praticamente estável, com leve alta de 0,01%.
Commodities avançam, mas ADRs brasileiros caem
Petróleo e minério de ferro sobem
O barril do petróleo Brent para setembro registrava alta de 0,92% em Londres, cotado a US$ 69,27. O movimento ocorre em meio à crescente tensão no Oriente Médio, especialmente após o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, prometer retaliações caso o Irã ofereça novas ameaças.
Na China, o minério de ferro encerrou o pregão com alta de 1,80% na bolsa de Dalian, a 764 yuans por tonelada (cerca de US$ 106,48), impulsionado pela recuperação da demanda da indústria siderúrgica local.
ADRs de Petrobras e Vale recuam
Apesar da valorização das commodities, os American Depositary Receipts (ADRs) de Petrobras e Vale operavam em baixa no pré-mercado de Nova York. Os papéis da estatal caíam 0,23%, enquanto os da mineradora recuavam 0,40%, em meio à crescente aversão ao risco dos ativos brasileiros.
Bitcoin em novo recorde histórico

Criptomoeda dispara com apoio institucional
O Bitcoin alcançou nesta sexta-feira (11) um novo marco, atingindo US$ 118.856,47 durante a madrugada e sendo negociado a US$ 117.723,76 às 9h (horário de Brasília), com alta de 5,95% nas últimas 24 horas.
A valorização é atribuída ao aumento do interesse de investidores institucionais, que buscam proteção em ativos escassos e descentralizados em meio à escalada protecionista global.
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Análise de especialista
Segundo Patrick Munnelly, analista do Tickmill Group, “o Bitcoin está se beneficiando diretamente do ambiente de instabilidade geopolítica e da deterioração da confiança nas políticas monetárias e comerciais dos EUA. Os investidores estão migrando para ativos com características de reserva de valor”.
Empresas brasileiras: impactos variados
Braskem e a crise em Alagoas
A planta de cloro-soda da Braskem em Alagoas tornou-se economicamente inviável após o fim da extração de sal-gema na região. A unidade está no centro das negociações para a venda do controle da companhia e representa um entrave à reestruturação operacional da Braskem.
Neoenergia registra crescimento
A Neoenergia reportou aumento de 2,3% na energia injetada em suas concessões no segundo trimestre, totalizando 21.887 GWh. O resultado reflete a retomada parcial da atividade econômica em certas regiões e alterações nos padrões de consumo.
Méliuz mira os EUA com Bitcoin
A Méliuz (CASH3), que se autodenomina a primeira empresa da América Latina a manter Bitcoin em seu balanço corporativo, está na etapa final para listar suas ações na OTC Markets dos EUA. A operação visa ampliar sua presença internacional e atrair novos investidores do mercado cripto.
Bitcoin como ativo de proteção
Guerra comercial estimula a demanda por BTC
A intensificação da guerra comercial dos EUA está levando diversos investidores a reavaliar suas estratégias de proteção patrimonial. O Bitcoin, com sua oferta limitada a 21 milhões de unidades e natureza descentralizada, tornou-se uma alternativa mais segura frente à inflação e desvalorização cambial.
Mineração de Bitcoin segue atrativa
Mesmo com oscilações regulatórias, a mineração de Bitcoin continua altamente lucrativa em 2025. O aumento do preço da criptomoeda e o uso de energia renovável têm permitido que mineradores mantenham margens elevadas, principalmente em regiões com incentivos fiscais e baixos custos energéticos.
Conclusão: uma nova era para o Bitcoin?

O movimento recente do Bitcoin confirma sua ascensão como um dos principais ativos globais em tempos de incerteza. À medida que a política externa dos Estados Unidos aumenta a fragmentação dos mercados, o BTC aparece como porto seguro e instrumento de defesa contra políticas monetárias instáveis.
Com os mercados tradicionais em queda, o dólar valorizado e o apetite por ativos digitais em alta, o Bitcoin pode estar entrando em uma nova fase de consolidação. Para muitos, este é apenas o começo de um ciclo que pode levar a criptomoeda a ultrapassar a marca dos US$ 150 mil ainda este ano.
