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ALPA4 em queda: boicote à Havaianas derruba ações da Alpargatas

Ações da Alpargatas caem após boicote à Havaianas anunciado por Eduardo Bolsonaro por causa de campanha publicitária.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
havaianas

As ações da Alpargatas (B3: ALPA4) registraram queda expressiva nesta segunda-feira (22), em meio à repercussão de um boicote à marca Havaianas anunciado pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O movimento no mercado financeiro ocorreu após manifestações nas redes sociais que associaram uma recente campanha publicitária da empresa a posicionamentos políticos, provocando reação negativa de parte do público consumidor.

Por volta das 11h20, os papéis da companhia recuavam 3,07%, sendo negociados a R$ 11,36. A desvalorização chamou a atenção de investidores e analistas, uma vez que a Alpargatas é dona de uma das marcas mais reconhecidas do país e historicamente associada a campanhas de comunicação voltadas ao público amplo e diverso.

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Vídeo nas redes sociais impulsiona boicote à marca

O estopim para a queda das ações ocorreu no domingo (21), quando Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais anunciando que deixaria de consumir produtos da Havaianas. Na gravação, feita nos Estados Unidos, onde reside desde fevereiro, o ex-parlamentar aparece descartando um par de chinelos da marca no lixo.

No conteúdo, Eduardo afirma que sempre enxergou a Havaianas como um símbolo nacional, mas que teria se decepcionado com a mais recente campanha publicitária. Segundo ele, a escolha da comunicação não teria sido aleatória e refletiria um alinhamento ideológico com pautas que ele critica.

A publicação teve ampla circulação, impulsionada por apoiadores e críticos, ampliando o alcance da mensagem e levando o debate para além das redes sociais, alcançando também o mercado financeiro.

Campanha de fim de ano gera interpretações políticas

A reação de Eduardo Bolsonaro ocorreu após a divulgação de uma peça publicitária das Havaianas estrelada pela atriz Fernanda Torres. No vídeo, a artista afirma não desejar que as pessoas “comecem o ano com o pé direito”, uma expressão popularmente associada à sorte.

Mensagem simbólica divide opiniões

Na sequência da campanha das Havaianas, Fernanda Torres explica que prefere que o público inicie 2026 “com os dois pés”, defendendo uma postura mais ativa, consciente e menos dependente de superstição. A mensagem, segundo a proposta criativa, buscaria estimular atitudes práticas e responsabilidade individual.

No entanto, o trecho foi interpretado por parte dos usuários nas redes sociais como uma provocação política velada. Comentários passaram a associar a fala da atriz a debates ideológicos recentes, especialmente em um contexto de polarização que ainda marca o cenário político brasileiro.

Críticas à escolha da garota-propaganda

Eduardo Bolsonaro afirmou que a presença de Fernanda Torres na campanha reforçaria, em sua visão, um posicionamento político da marca. O ex-deputado citou declarações e posicionamentos atribuídos à atriz em debates públicos e associou a publicidade a uma crítica indireta a setores conservadores.

Citações a episódios de 8 de Janeiro

Em sua manifestação, Eduardo mencionou pessoas condenadas pelos atos de 8 de Janeiro, ocorridos em Brasília, e acusou a atriz de apoiar prisões relacionadas aos ataques às sedes dos Três Poderes. A associação elevou o tom da crítica e ampliou o engajamento do conteúdo, gerando reações tanto favoráveis quanto contrárias ao boicote.

Impacto no mercado financeiro e percepção dos investidores

A repercussão política da campanha publicitária das Havaianas rapidamente se refletiu no desempenho das ações da Alpargatas. Analistas avaliam que, embora movimentos de boicote nem sempre tenham impacto duradouro nos resultados financeiros, a volatilidade de curto prazo pode ser intensificada quando marcas de grande alcance se veem no centro de debates ideológicos.

Sensibilidade do mercado a crises de imagem

Empresas com forte presença no varejo e apelo emocional junto ao consumidor tendem a ser mais sensíveis a crises de imagem. No caso da Havaianas, a marca está profundamente associada à identidade cultural brasileira, o que torna qualquer controvérsia potencialmente mais relevante para investidores atentos à reputação corporativa.

Apesar da queda registrada, especialistas destacam que será necessário acompanhar os próximos pregões para avaliar se o movimento representa apenas uma reação pontual ou se poderá influenciar projeções de médio e longo prazo para a companhia.

Polarização política e o desafio das marcas

O episódio envolvendo a Alpargatas reforça um desafio crescente enfrentado por empresas que investem em campanhas institucionais: a interpretação política de mensagens publicitárias. Em um ambiente marcado pela polarização, até mesmo discursos considerados neutros ou motivacionais podem ser apropriados por diferentes grupos como símbolos ideológicos.

Comunicação corporativa em tempos de redes sociais

Com a amplificação proporcionada pelas redes sociais, declarações de figuras públicas têm o poder de transformar campanhas publicitárias em temas de debate nacional. O caso da Havaianas ilustra como uma ação de marketing pode extrapolar o campo da comunicação e impactar diretamente o valor de mercado de uma companhia listada na bolsa.

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Alpargatas ainda não se pronunciou oficialmente

Até o momento da queda das ações, a Alpargatas não havia divulgado comunicado oficial comentando o boicote ou as críticas à campanha das Havaianas. Em situações semelhantes, empresas costumam adotar uma postura cautelosa, avaliando os desdobramentos antes de se posicionarem publicamente.

Investidores, por sua vez, seguem atentos às reações do público consumidor e a possíveis estratégias de gestão de crise que possam ser adotadas pela companhia nos próximos dias.

Reação do público e divisão nas redes sociais

Enquanto apoiadores do boicote reforçaram críticas à marca Havaianas, outros usuários defenderam a campanha e a liberdade criativa da empresa. A polarização ficou evidente nos comentários, com hashtags de apoio e repúdio circulando simultaneamente.

Para especialistas em branding, esse tipo de repercussão reforça a necessidade de planejamento estratégico na comunicação, especialmente quando figuras públicas e temas sensíveis podem ser associados, mesmo que indiretamente, à mensagem transmitida.

O que esperar dos próximos movimentos da ALPA4

O comportamento das ações da Alpargatas nos próximos dias deverá refletir não apenas o desdobramento do boicote, mas também a percepção do mercado sobre a capacidade da empresa de preservar sua imagem institucional. Caso o impacto se limite às redes sociais, a tendência é de estabilização dos papéis.

Por outro lado, se houver reflexos no consumo ou na reputação da marca em segmentos estratégicos, investidores podem adotar uma postura mais cautelosa, pressionando ainda mais o valor das ações no curto prazo.

Conclusão

O episódio envolvendo a campanha da Havaianas e o boicote anunciado por Eduardo Bolsonaro evidencia como política, comunicação e mercado financeiro estão cada vez mais interligados. A queda das ações da Alpargatas mostra que, em um ambiente altamente conectado, reações nas redes sociais podem gerar efeitos imediatos na bolsa de valores, mesmo antes de qualquer impacto concreto nos resultados da empresa.

Imagem: Divulgação/Havaianas

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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