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Bolsa cai no Brasil ao vivo após decisão de juros, enquanto mercados externos avançam

Ibovespa recua aos 137 mil pontos na bolsa de valores após alta da Selic para 15% ao ano. Dólar sobe a R$ 5,50 e Petrobras avança com pagamento de dividendos.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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A sexta-feira, 20 de junho de 2025, foi marcada por forte tensão nos mercados financeiros brasileiros. O Ibovespa recuou mais de 1%, fechando próximo aos 137 mil pontos, em resposta à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa Selic para 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.

Ao mesmo tempo, o dólar comercial subiu e era negociado a R$ 5,50, refletindo o aumento da aversão ao risco em meio a preocupações fiscais internas e ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

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ibovespa
Imagem: tech_BG / shutterstock.com

Elevação da Selic surpreende investidores

O Copom anunciou, na véspera do feriado de Corpus Christi, uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic para 15% ao ano. A decisão pegou parte do mercado de surpresa, já que muitos analistas esperavam uma manutenção.

A postura mais dura do Banco Central, com sinalizações de que o ciclo de aperto monetário pode ser interrompido, mas sem descartar novos aumentos caso a inflação volte a se acelerar, gerou forte reprecificação dos ativos domésticos.

Juros futuros operam mistos

Os contratos de juros futuros (DIs) registraram comportamento misto. As taxas de curto prazo subiram com força, refletindo o tom mais duro do comunicado do BC, enquanto as taxas longas apresentaram leve queda, com o mercado antecipando um possível ciclo de queda da Selic no médio prazo.

Dólar volta a subir e fecha próximo a R$ 5,50

O dólar comercial operou em alta durante boa parte do dia. A moeda americana encerrou a sessão cotada a R$ 5,50, após ter alcançado máximas acima de R$ 5,52 ao longo do pregão.

A pressão de alta refletiu a busca por proteção diante da combinação de juros elevados, incerteza fiscal e risco geopolítico.

Movimentação da PTAX

O Banco Central divulgou as parciais da taxa PTAX, que serve de referência para contratos cambiais. A cotação de venda ficou em R$ 5,4957 no fechamento, consolidando o movimento de fortalecimento do dólar frente ao real.

Desempenho das ações: quedas generalizadas e poucas altas

O clima negativo contaminou quase todos os setores da bolsa.

Setor de varejo e consumo: grandes perdas

Varejistas foram destaque negativo, com quedas expressivas de ações como:

  • BHIA3: -6,08%
  • PETZ3: -4,24%
  • MGLU3: -4,17%

Supermercadistas também registraram perdas, incluindo:

  • ASAI3: -2,90%
  • GMAT3: -2,26%
  • PCAR3: -1,31%

Bancos em baixa

O setor bancário seguiu a tendência de queda, com destaque para:

  • SANB11: -2,06%
  • BBAS3: -1,93%
  • BBDC4: -0,89%
  • ITUB4: -0,81%

Vale e siderúrgicas também recuam

Ações da Vale (VALE3) encerraram o dia com recuo superior a 2%, acompanhando a queda dos preços do minério de ferro. As siderúrgicas GGBR4, CSNA3 e USIM5 também fecharam em campo negativo.

Destaques positivos: Petrobras e PetroRecôncavo

No lado positivo, a Petrobras teve leve alta, beneficiada pelo pagamento da segunda parcela dos dividendos extraordinários referentes a dezembro de 2024. Os papéis PETR3 e PETR4 fecharam com variações entre +0,03% e +0,86%.

Outro destaque foi a PetroRecôncavo (RECV3), que avançou 2,70%, figurando entre as maiores altas do dia.

Mercado internacional: cenário externo misto

Wall Street opera entre perdas e ganhos

Os principais índices norte-americanos tiveram desempenho misto. O Dow Jones fechou levemente no positivo, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq apresentaram quedas moderadas. O mercado reagiu a sinais divergentes de membros do Federal Reserve sobre possíveis cortes de juros nos EUA em julho.

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O relatório de política monetária do Fed destacou que ainda é cedo para avaliar os impactos econômicos das novas tarifas comerciais dos EUA.

Europa avança com menor tensão geopolítica

As bolsas europeias fecharam em alta, refletindo algum alívio após a sinalização da Casa Branca de que a decisão sobre um possível envolvimento militar direto no conflito entre Israel e Irã será adiada por pelo menos duas semanas.

Apesar do alívio momentâneo, analistas alertam para a possibilidade de novas oscilações, caso o conflito volte a se intensificar.

Petróleo em queda pressiona setor de energia

O preço do barril de petróleo Brent para agosto fechou em baixa de 2,33%, a US$ 77,01. O WTI também recuou, encerrando a US$ 74,93.

A queda ocorreu após os EUA sinalizarem adiamento de uma decisão sobre o Irã, reduzindo momentaneamente os riscos de interrupção no fornecimento global de petróleo.

Perspectivas para os próximos dias

dividendos bolsa de valores
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Influência da política monetária

A decisão do Copom e as sinalizações futuras do Banco Central brasileiro continuarão sendo o foco principal dos investidores nas próximas sessões. A manutenção da Selic em patamar elevado por um período prolongado pode pressionar ainda mais os ativos de risco.

Geopolítica no radar

O mercado seguirá atento aos desdobramentos no Oriente Médio, especialmente ao posicionamento dos EUA frente ao conflito Israel-Irã. Qualquer escalada pode elevar a aversão ao risco global, pressionando commodities e moedas de países emergentes.

Expectativa sobre os dados de inflação

Os próximos indicadores de inflação, tanto no Brasil quanto nos EUA, serão cruciais para orientar as expectativas de política monetária nos dois países. No cenário doméstico, os impactos da nova Selic nas expectativas de inflação serão monitorados de perto.

Considerações finais

O Ibovespa encerrou a semana sob forte pressão, influenciado pela alta da Selic, o dólar acima de R$ 5,50 e o agravamento das tensões geopolíticas. A leve alta de Petrobras com o pagamento de dividendos ajudou a limitar as perdas, mas o cenário segue desafiador.

Para os próximos dias, os investidores devem manter atenção redobrada ao comportamento da inflação, aos desdobramentos da política monetária e aos fatores externos que seguem trazendo volatilidade aos mercados financeiros brasileiros.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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