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Bolsa Família: 78% dos beneficiários acreditam que Lula vencerá eleição de 2026

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
Bolsa Família

A maioria dos eleitores que vivem em domicílios atendidos pelo Bolsa Família acredita que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencerá a eleição presidencial de 2026. É o que aponta a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 21 de setembro, segundo a qual 78% dos beneficiários ou moradores de domicílios com beneficiários apostam na vitória do atual presidente, enquanto 14% apontam Flávio Bolsonaro (PL) como vencedor.

O levantamento mede expectativa de vitória, e não intenção de voto. A diferença é relevante: o entrevistado responde quem acredita que vencerá a eleição, independentemente do candidato em quem pretende votar.

Entre os brasileiros que não recebem o Bolsa Família, a percepção é diferente. Nesse grupo, 51% acreditam na vitória de Lula, enquanto 40% apontam Flávio Bolsonaro. No conjunto da amostra, a expectativa de vitória do petista chega a 54%.

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O que a pesquisa BTG/Nexus mostra

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Os números divulgados pela Nexus permitem observar uma diferença expressiva na percepção do resultado eleitoral conforme o entrevistado recebe ou não o programa de transferência de renda.

GrupoAcreditam na vitória de LulaAcreditam na vitória de Flávio Bolsonaro
Beneficiários do Bolsa Família78%14%
Não beneficiários51%40%
Eleitorado geral54%36%*

*O percentual de 36% corresponde ao dado de expectativa de vitória divulgado pela pesquisa para Flávio Bolsonaro; outros candidatos aparecem com percentuais residuais.

A pesquisa não permite concluir que o recebimento do benefício seja, por si só, responsável pela preferência eleitoral de uma pessoa. O levantamento trata de uma associação entre os grupos pesquisados e a expectativa sobre o resultado da eleição.

Também é preciso diferenciar esses números das pesquisas tradicionais de intenção de voto. Em uma rodada anterior da BTG/Nexus, divulgada em 14 de setembro, Lula aparecia com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro em um dos cenários testados.

Por que beneficiários do programa aparecem com percepção diferente?

O Bolsa Família é uma política de transferência direta de renda destinada a famílias em situação de pobreza, com critérios relacionados à renda e à composição familiar.

O modelo atual foi recriado em 2023. Entre suas características estão o valor mínimo por família, benefícios adicionais conforme a composição do domicílio e mecanismos relacionados à saúde e à educação.

Desde então, o programa passou a ocupar novamente um papel relevante na política social federal. Para as famílias que recebem os pagamentos, mudanças nos valores, regras de permanência e critérios de acesso podem ter efeitos diretos sobre o orçamento doméstico.

Isso ajuda a contextualizar por que o Bolsa Família aparece associado ao debate eleitoral de 2026. A pesquisa, porém, não estabelece uma relação de causa e efeito entre o benefício e a expectativa de vitória de determinado candidato.

O valor do Bolsa Família mudou em 2026?

Sim. O governo federal anunciou em setembro uma atualização de 15,04% nos valores do programa, com vigência a partir da folha de outubro.

Com a mudança, o valor mínimo garantido por família passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a atualização recompõe a inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.

Os novos valores foram estabelecidos pelo Decreto nº 13.120, publicado em 17 de setembro. Os pagamentos referentes à folha de outubro começam a ser disponibilizados a partir de 19 de outubro, conforme o calendário do programa.

Como funciona o benefício?

Quando o atual modelo foi criado, o governo estabeleceu uma estrutura que considera o número e o perfil dos integrantes da família.

O desenho original previa R$ 142 por pessoa por meio do Benefício de Renda de Cidadania, com complementação quando necessário para garantir o mínimo de R$ 600 por família. Também foram criados adicionais para crianças pequenas, crianças e adolescentes e gestantes.

A atualização anunciada em setembro altera os valores do programa, mas não significa que todas as famílias passarão a receber exatamente R$ 691. O valor final continua dependendo da composição familiar e dos benefícios adicionais aplicáveis.

Número de beneficiários que moram sozinhos voltou a crescer

A discussão eleitoral ocorre ao mesmo tempo em que o perfil de parte dos beneficiários do Bolsa Família passou por mudanças.

Dados divulgados pela Folha de S.Paulo apontam que o número de beneficiários que vivem sozinhos chegou a 3,9 milhões em julho de 2026, ante aproximadamente 3,5 milhões em janeiro. A categoria havia sido alvo de medidas de fiscalização após o crescimento registrado nos anos anteriores.

O MDS atribui a oscilação a fatores como entradas e saídas do programa e mudanças demográficas. A pasta também afirma não haver evidências de que o crescimento registrado em 2026 represente uma nova divisão artificial de famílias.

A questão é acompanhada porque cadastros de pessoas que moram sozinhas precisam obedecer a critérios específicos. O governo estabeleceu mecanismos de controle para municípios com proporções consideradas elevadas de famílias unipessoais.

Bolsa Família voltou a crescer em ano eleitoral?

O aumento de determinados grupos de beneficiários ocorre em um ano de eleição presidencial, mas isso não significa, por si só, que exista utilização eleitoral do programa.

O calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece regras específicas para a distribuição de benefícios pela administração pública durante o período eleitoral. O próprio calendário ressalva programas sociais que já existiam e possuem execução regular.

A atualização dos valores anunciada em setembro também passou a integrar o debate político. O governo afirma que a medida representa recomposição da inflação acumulada desde a reformulação do programa em 2023. Já integrantes da oposição questionaram o momento do anúncio.

São interpretações políticas distintas sobre uma mesma decisão administrativa e devem ser separadas dos dados objetivos sobre o reajuste.

Há mais pessoas deixando o Bolsa Família do que entrando?

Dados citados em levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam uma elevada movimentação de famílias dentro e fora do programa.

Segundo os números divulgados, nos três anos analisados a média mensal foi de aproximadamente 447 mil desligamentos, contra cerca de 359 mil entradas. O levantamento também apontou que parte dos beneficiários deixa o programa à medida que melhora sua situação econômica.

Esse movimento é compatível com a existência de mecanismos destinados a permitir que famílias que aumentem sua renda tenham uma transição gradual para fora do programa.

Um desses mecanismos é a chamada Regra de Proteção, criada para evitar que o aumento da renda provoque uma perda imediata de toda a transferência em determinadas situações.

O que os números dizem sobre a eleição de 2026?

A pesquisa BTG/Nexus mostra uma diferença clara na percepção sobre quem vencerá a eleição entre beneficiários e não beneficiários do Bolsa Família.

Entre quem recebe o programa ou mora com alguém que recebe, 78% apontam Lula como provável vencedor e 14% indicam Flávio Bolsonaro. Entre os não beneficiários, os percentuais são de 51% e 40%, respectivamente.

Esses dados não devem ser interpretados como uma previsão do resultado das urnas. A percepção de vitória é diferente da intenção de voto e pode mudar ao longo da campanha.

A pesquisa foi realizada por telefone entre 18 e 20 de setembro com 2.006 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais, segundo informações divulgadas sobre o levantamento.

Quando será a eleição presidencial de 2026?

O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro de 2026. Caso seja necessário segundo turno para a Presidência da República, a votação ocorrerá em 25 de outubro.

A votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Além de presidente e vice-presidente, os eleitores escolherão governadores, senadores e deputados federais, estaduais ou distritais.

Portanto, os números da pesquisa representam um retrato da opinião dos entrevistados em setembro, antes da votação, e não o resultado da eleição.

O que o eleitor deve observar nas pesquisas?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Para interpretar corretamente uma pesquisa eleitoral, é necessário verificar pelo menos quatro pontos:

  • o que está sendo medido: intenção de voto ou expectativa de vitória;
  • quando as entrevistas foram realizadas: os resultados refletem aquele período;
  • quem foi entrevistado: população geral ou um grupo específico;
  • margem de erro: pequenas diferenças podem estar dentro da margem estatística.

No caso da pesquisa BTG/Nexus, a diferença entre expectativa e intenção de voto é especialmente relevante. Os 78% entre beneficiários do Bolsa Família não significam que 78% desse grupo necessariamente pretendam votar em Lula.

Conclusão

A pesquisa BTG/Nexus mostra que 78% dos beneficiários do Bolsa Família ou moradores de domicílios atendidos pelo programa acreditam que Lula vencerá a eleição presidencial de 2026. Entre os não beneficiários, esse percentual cai para 51%, enquanto 40% apontam Flávio Bolsonaro como vencedor.

O levantamento foi divulgado em um momento de mudanças no próprio programa. A partir de outubro, o valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691, em uma atualização de 15,04% anunciada pelo governo federal.

Os dados, contudo, não permitem concluir antecipadamente qual será o resultado das urnas. A eleição está marcada para 4 de outubro, e eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

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