Um estudo recente do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) reforça o papel do Bolsa Família como uma das principais políticas públicas de combate à fome no Brasil. De acordo com os dados, a entrada de uma família no programa aumenta em 11,2% a probabilidade de saída da insegurança alimentar, considerando situações leves, moderadas ou graves.
Fim da fome? Estudo revela impacto real do Bolsa Família e dá veredito sobre saída da miséria em 2026
Estudo do MDS mostra que entrar no Bolsa Família aumenta em 11,2% a chance de sair da insegurança alimentar no Brasil.
O levantamento também aponta que o efeito do benefício não é pontual. A cada mês de permanência no programa, a chance de superação da insegurança alimentar cresce, em média, 3,2%. Na prática, isso significa que o Bolsa Família funciona como um fator contínuo de proteção social, reduzindo gradualmente o risco de fome nos domicílios atendidos.
Leia mais:
O pente-fino começou: descubra os principais erros que bloqueiam o Bolsa Família e…
O que dizem os dados do MDS
A análise foi construída a partir da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (Tria), instrumento utilizado pelo governo federal para identificar famílias em vulnerabilidade alimentar. O estudo acompanhou cerca de 197 mil domicílios que estavam em situação de risco em julho de 2024 e que responderam à triagem mais de uma vez até fevereiro de 2025.
Beneficiários x não beneficiários
Os resultados mostram diferenças claras entre famílias atendidas pelo Bolsa Família e aquelas que não recebem o benefício:
- 16% das famílias beneficiárias conseguiram sair do risco de insegurança alimentar
- Entre as não beneficiárias, o percentual foi de 13%
Embora a diferença possa parecer pequena à primeira vista, especialistas destacam que, em termos populacionais, o impacto é significativo e representa milhões de pessoas com maior acesso regular à alimentação.
Permanência no programa amplia os resultados
Outro dado relevante do estudo é o efeito acumulado do Bolsa Família ao longo do tempo. Cada mês adicional no programa aumenta a probabilidade de saída da insegurança alimentar em 3,2%, reforçando a importância da continuidade do benefício.
Esse resultado dialoga com práticas consolidadas de políticas de transferência de renda em outros países, nas quais a previsibilidade da renda mensal permite melhor planejamento do orçamento doméstico, especialmente para alimentação.
Integração de dados fortalece políticas públicas
Desde julho de 2024, os dados da Tria passaram a ser compatibilizados com a base do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Essa integração permite ao governo identificar com mais precisão quais famílias estão em risco e direcionar políticas públicas de forma mais eficiente.
Segundo o MDS, essa estratégia amplia o uso de evidências científicas na formulação e no aprimoramento das ações de combate à fome, fortalecendo a atuação do Estado nos territórios mais vulneráveis.
Brasil fora do Mapa da Fome, mas com desafios persistentes
De acordo com a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, o Brasil saiu do Mapa da Fome em 2025, o que significa que menos de 2,5% da população está em situação de subalimentação, conforme critérios internacionais.
Monitoramento contínuo ainda é essencial
Apesar do avanço, o governo reconhece que ainda existem bolsões de vulnerabilidade. Por isso, o monitoramento constante da insegurança alimentar é considerado essencial para alcançar famílias que seguem em risco, especialmente em regiões historicamente mais afetadas.
O que é a Tria e como funciona
A Triagem para Risco de Insegurança Alimentar foi instituída pela Portaria Interministerial MDS/MS nº 25/2024. Ela integra ações do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan).
Perguntas utilizadas na triagem
A identificação do risco é feita a partir de duas perguntas simples:
- Nos últimos três meses, os alimentos acabaram antes que você tivesse dinheiro para comprar mais comida?
- Nos últimos três meses, você comeu apenas alguns alimentos que ainda tinha porque o dinheiro acabou?
Quando a resposta é “sim” para ambas, o domicílio é classificado como em risco de insegurança alimentar. A Tria não define o grau da insegurança, mas sinaliza a necessidade de atenção imediata.
Crescimento da cobertura da Tria no Brasil
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, a aplicação da Tria avançou de forma significativa nos municípios brasileiros.
Avanço nos números
- Cobertura média subiu de 2,9% para 5,4% dos domicílios
- Crescimento de 86,2% no período
- Aplicações válidas em 4.827 municípios, o equivalente a 86,6% do país
O número de domicílios com respostas válidas passou de 2,5 milhões para 4,7 milhões, com maior alcance nas regiões Nordeste e Norte, onde os índices de vulnerabilidade alimentar historicamente são mais elevados.
Identificação e inclusão em políticas públicas
Com os dados integrados ao CadÚnico, as famílias identificadas como em risco passam a ser priorizadas para inclusão em políticas públicas, como o Bolsa Família e outras ações complementares.
Essa articulação faz parte do Protocolo Brasil Sem Fome, que busca integrar saúde, assistência social e segurança alimentar, com adesão aberta para os 500 municípios com maior concentração de famílias em situação de risco.
Impacto direto na vida das famílias
Na prática, o Bolsa Família garante renda mínima para a compra de alimentos, reduz a instabilidade no acesso à comida e melhora a segurança nutricional. Para muitas famílias, o benefício representa a diferença entre a incerteza diária e a possibilidade de manter refeições regulares ao longo do mês.
O estudo do MDS reforça que políticas de transferência de renda, quando aliadas a sistemas eficientes de identificação e monitoramento, são ferramentas centrais no enfrentamento da fome no Brasil.
Considerações finais
Os dados oficiais mostram que o Bolsa Família segue sendo decisivo para reduzir a insegurança alimentar no país. A entrada no programa aumenta significativamente a chance de superação do risco de fome, e a permanência amplia ainda mais esse efeito.
Com o avanço da Tria, a integração com o CadÚnico e a articulação entre SUS, SUAS e Sisan, o Brasil fortalece uma estratégia baseada em evidências para combater a fome de forma mais precisa e eficaz, mantendo o desafio de alcançar quem ainda vive em situação de vulnerabilidade.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
Informacoes Atualizadas 2026:
