Desde que iniciou seu processo de reestruturação, no início de 2024, o Bradesco (BBDC4) virou a chave e passou a apresentar resultados que animaram o mercado financeiro. A instituição financeira, uma das maiores do país, mostrou sinais claros de recuperação ao divulgar o balanço do primeiro trimestre de 2025.
Com lucro líquido de R$ 5,9 bilhões, um salto de 39,3% em comparação ao mesmo período de 2024, o banco colhe os frutos de uma gestão focada em eficiência e inovação. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) também teve forte alta, atingindo 14,4%, contra 10,2% no ano anterior.
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Troca de comando foi o ponto de virada

A mudança começou com a chegada de Marcelo Noronha ao cargo de CEO, substituindo Octavio de Lazari em novembro de 2023. Noronha assumiu o compromisso de melhorar a rentabilidade e enxugar a estrutura hierárquica do banco. O discurso se traduziu em ação: camadas de diretoria foram reduzidas, decisões se tornaram mais ágeis e a cultura interna passou a privilegiar resultados práticos e foco no cliente.
Segundo o Diretor de Relações com Investidores, André Carvalho, esse movimento deu novo fôlego à organização. “Ganhamos agilidade. Nossa indústria está se transformando rapidamente e precisávamos nos adaptar à nova realidade”, afirmou em entrevista.
Inadimplência em queda reforça confiança
Além do lucro expressivo, o banco conseguiu reduzir a inadimplência acima de 90 dias, que passou de 5% para 4,1% em um ano. Esse indicador tem forte peso no mercado, pois reflete a qualidade da carteira de crédito e a capacidade do banco em controlar riscos.
Essa melhora permitiu a revisão das projeções por grandes casas de análise, como Itaú BBA, Citi e BB Investimentos, que passaram a recomendar a ação do Bradesco como opção de compra. Como resultado, os papéis BBDC4 acumulam alta de 46% somente em 2025.
Segmento de alta renda entra no foco
Meta é multiplicar clientes no Bradesco Principal
Com uma visão voltada para o longo prazo, o Bradesco decidiu apostar no segmento de alta renda. O banco lançou o Bradesco Principal, um braço especializado no atendimento de clientes com patrimônio elevado. O objetivo é ambicioso: alcançar 800 mil clientes nesse perfil até 2026, saindo dos atuais 50 mil.
Para isso, a instituição planeja abrir 45 escritórios exclusivos para o segmento ainda em 2025 e oferecer atendimento mais personalizado, com menor número de contas por gerente e produtos sob medida.
Estratégia inclui integração internacional
O banco também está reforçando sua presença global no segmento private, com a integração de operações internacionais e aumento da gama de serviços financeiros para clientes de alta renda. Os assessores passaram a atuar com foco maior na gestão de carteiras, reforçando a proposta de valor.
Redução de custos e foco em eficiência
Uma das metas centrais da reestruturação é cortar despesas e elevar a eficiência operacional. Segundo Carvalho, o Bradesco trabalha para reduzir o índice de eficiência — que hoje está em 49,7% — para 40% até 2028.
Embora os investimentos em transformação digital tenham elevado os custos no curto prazo, a administração acredita que os ganhos de produtividade e competitividade compensarão esse movimento no futuro. As despesas administrativas e de pessoal estão sob controle e crescendo abaixo da inflação.
Tecnologia é motor da transformação

Migração para cloud e uso de IA avançam
A tecnologia ocupa posição estratégica nos planos do Bradesco. Em 2025, o banco já havia internalizado mais de 1,4 mil profissionais da área, somando mais de 10 mil colaboradores dedicados exclusivamente ao desenvolvimento de soluções tecnológicas.
Entre os avanços está a migração de 80% das transações digitais para a nuvem, meta que foi superada com antecedência. Além disso, a inteligência artificial passou a ser usada em rotinas de crédito, atendimento e prevenção de fraudes, melhorando a experiência do cliente e reduzindo falhas operacionais.
Aplicativo do banco ganha melhorias
O aplicativo do Bradesco, historicamente alvo de críticas de clientes, passou por reformulações que ampliaram a usabilidade e agilidade no processamento de pagamentos. A aposta no mobile banking é vista como essencial para manter a competitividade frente a fintechs e bancos digitais.
Cultura interna também passou por evolução
Como parte da transformação, o Bradesco implantou o programa “SOU Bradesco”, voltado à mudança de cultura organizacional. A proposta é aproximar os líderes das operações do dia a dia, reduzir a burocracia e estimular a inovação.
O CEO Marcelo Noronha também tem insistido na ideia de romper com antigos símbolos da hierarquia bancária, como o “glamour do 4º andar”, e direcionar o foco da alta liderança para resultados tangíveis.
Perspectivas seguem positivas para 2025
O mercado segue otimista com os rumos da instituição. O crescimento no lucro, o avanço tecnológico e a expansão no segmento de alta renda são vistos como pilares de sustentação para os próximos trimestres.
Se mantiver o ritmo, o Bradesco deve não apenas consolidar sua recuperação, mas também se posicionar como uma das instituições mais preparadas para os desafios do sistema financeiro brasileiro no futuro próximo.
