O Bradesco anunciou, nesta segunda-feira (2), o reajuste do valor pago por quilômetro rodado aos gerentes que realizam visitas externas. A decisão, considerada uma conquista significativa pelos trabalhadores, vem após intensa cobrança da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do banco.
Bradesco altera valor do quilômetro rodado após demanda da COE
Após pressão da COE, Bradesco reajusta valor por km rodado dos gerentes de R$ 1,02 para R$ 1,10. Medida beneficia bancários fora dos grandes centros.
O valor, que estava congelado há mais de dois anos, desde dezembro de 2021, foi corrigido de R$ 1,02 para R$ 1,10. A medida, embora pareça modesta, representa um avanço importante na valorização das despesas dos bancários, especialmente daqueles que atuam em regiões mais distantes dos grandes centros urbanos.
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Entenda o histórico da reivindicação

O papel da COE Bradesco nas negociações
A demanda pelo reajuste do valor do quilômetro rodado foi uma das pautas específicas levadas à mesa de negociação pela COE Bradesco, em reunião realizada no dia 6 de maio. O grupo, que representa os bancários e bancárias do Bradesco em todo o país, tem atuado de forma sistemática para garantir melhores condições de trabalho e compensações justas às funções que demandam deslocamentos.
Segundo Erica de Oliveira, coordenadora da COE Bradesco, a mobilização foi essencial para que a direção do banco reconhecesse a defasagem do valor praticado e se dispusesse a atualizá-lo.
“O reajuste é um pedido da COE, atendido pelo banco. Nos grandes centros, essa questão já está apaziguada, pois os gerentes se deslocam na maioria das vezes de táxi ou em carros de aplicativo. O grande problema está nos locais mais afastados dos grandes centros urbanos. Foi importante o banco ouvir e acatar essa demanda dos bancários”, destacou a dirigente.
A importância do reajuste para bancários do interior
Diferença de realidades entre capitais e cidades pequenas
Embora o uso de transporte por aplicativo ou táxi seja mais comum em grandes centros urbanos, a realidade dos bancários do interior é outra. Muitos desses trabalhadores precisam usar seus próprios veículos para cumprir a agenda de visitas a clientes, especialmente em regiões rurais ou cidades com estrutura de transporte coletivo precária.
Nessas situações, o valor pago por quilômetro rodado é uma compensação fundamental, já que cobre custos com combustível, manutenção e desgaste do veículo. Com o congelamento do valor desde 2021, esses trabalhadores vinham arcando com prejuízos crescentes, devido ao aumento no preço dos combustíveis e dos custos de manutenção automotiva.
Reajuste como reconhecimento profissional
Mais do que uma correção financeira, o reajuste é visto pelos trabalhadores como um reconhecimento do esforço extra exigido dos gerentes em campo. Trata-se de valorizar o trabalho daqueles que, além das atividades bancárias convencionais, precisam enfrentar longas distâncias e diferentes condições de estrada para atender à clientela do Bradesco.
Perspectivas para novas negociações

COE quer ampliar pautas sobre mobilidade e despesas
Com a conquista do reajuste, a COE Bradesco pretende ampliar as discussões com o banco sobre outras compensações relacionadas à mobilidade. Entre os temas em estudo estão:
- Reembolsos por uso de aplicativos de transporte em áreas urbanas;
- Ajustes regulares com base na inflação de combustíveis;
- Revisão de critérios para reembolso de estacionamentos e pedágios;
- Criação de política unificada de mobilidade para todas as regiões do país.
A ideia é construir uma política mais justa, transparente e uniforme, que considere as diferentes realidades dos bancários espalhados pelo território nacional.
Acordos podem inspirar outras instituições financeiras
Historicamente, avanços conquistados por bancários de grandes instituições como o Bradesco costumam influenciar o restante do setor bancário. A expectativa é de que o reajuste do valor por quilômetro rodado gere um efeito em cadeia, pressionando outras instituições a revisar seus próprios valores e práticas.
Além disso, o sucesso da negociação reforça o papel estratégico das comissões de empregados na mediação entre trabalhadores e empresas, especialmente em temas de impacto direto no cotidiano profissional.
O impacto financeiro do reajuste
Comparativo entre valores antigos e atualizados
Com o reajuste de R$ 1,02 para R$ 1,10 por quilômetro rodado, o acréscimo representa um aumento de aproximadamente 7,84%. Na prática, isso significa que um gerente que percorre 1.000 quilômetros por mês, por exemplo, passará a receber R$ 1.100 em reembolso, contra os R$ 1.020 anteriores — um ganho mensal de R$ 80, que, somado ao longo do ano, representa quase R$ 1 mil.
Reflexo nos custos internos do Bradesco
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Embora o aumento represente um gasto adicional para o banco, trata-se de um ajuste necessário para evitar o desgaste da relação com seus profissionais de linha de frente. Gerentes insatisfeitos ou desmotivados tendem a comprometer a qualidade do atendimento, o que pode impactar negativamente os resultados do banco.
A valorização dos bancários em foco
Movimentos sindicais ganham força com conquistas concretas
O episódio do reajuste reforça a importância da organização coletiva dos trabalhadores. Comissões como a COE Bradesco funcionam como canais efetivos de diálogo, capazes de transformar demandas reais em conquistas tangíveis.
Bancos precisam ouvir mais seus colaboradores
A valorização dos bancários passa também pelo reconhecimento de suas condições reais de trabalho. O uso de indicadores financeiros, embora importante, não pode ser o único critério para definir políticas internas. O bem-estar dos profissionais, especialmente os que lidam com o público e representam a instituição nas ruas, deve estar no centro das decisões estratégicas.
Próximos passos: monitoramento e novas rodadas de negociação

COE quer manter canal aberto com o banco
Após o reajuste, a COE Bradesco informou que continuará monitorando a aplicação do novo valor em todas as regiões do país. Além disso, os representantes dos trabalhadores querem garantir que futuras atualizações ocorram de forma automática ou com menor resistência.
Trabalhadores devem relatar falhas na implementação
A comissão também orienta os gerentes e demais bancários a denunciarem eventuais problemas na aplicação do reajuste. Casos em que o novo valor não esteja sendo praticado devem ser levados aos sindicatos regionais, que repassarão à COE para nova interlocução com a direção do Bradesco.
Conclusão
O reajuste no valor do quilômetro rodado para gerentes que realizam visitas externas é um passo importante rumo à valorização dos bancários e bancárias do Bradesco. Após dois anos de congelamento, a decisão atende a uma reivindicação legítima e demonstra que a organização coletiva continua sendo uma ferramenta eficaz de transformação no ambiente de trabalho. O momento é de comemoração, mas também de atenção para que essa e outras conquistas se tornem realidade no cotidiano de todos os trabalhadores do setor bancário.
