O banco Bradesco foi alvo de medidas cautelares aplicadas pelo Procon de Juiz de Fora, em Minas Gerais, após uma sequência de denúncias relacionadas ao atendimento prestado em uma agência localizada no Centro da cidade. A decisão suspende, por 30 dias, parte das atividades comerciais da unidade e impõe limitações severas à atuação do banco no local.
Bradesco fica impedido de abrir contas por 30 dias; veja impacto para clientes
Procon suspende parte das atividades do Bradesco em Juiz de Fora após denúncias de filas, falhas no atendimento e precarização.
A medida foi tomada depois de fiscalizações e registros de infrações que apontaram problemas recorrentes no atendimento aos consumidores, especialmente idosos e aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre as principais irregularidades relatadas estão filas extensas, ausência de organização no fluxo de clientes, falta de distribuição de senhas e pessoas aguardando atendimento sob sol e chuva.
A punição atinge a agência da Avenida Barão do Rio Branco, uma das principais vias de Juiz de Fora. Segundo o Procon, o histórico de problemas pesou na decisão, já que a unidade acumula cinco autos de infração registrados entre outubro de 2025 e março de 2026.
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O que o Procon proibiu na agência do Bradesco
As medidas cautelares impostas pelo órgão de defesa do consumidor suspendem temporariamente diversas atividades comerciais da agência.
Durante os próximos 30 dias, a unidade está proibida de:
- Abrir novas contas;
- Captar novos clientes;
- Comercializar seguros;
- Vender consórcios;
- Oferecer previdência privada;
- Comercializar títulos de capitalização;
- Realizar campanhas promocionais;
- Enviar ofertas comerciais aos consumidores.
Além disso, o Procon determinou multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento das restrições.
Na prática, a decisão reduz a atuação da agência quase exclusivamente aos serviços bancários essenciais.
Atendimento será limitado em períodos de pagamento do INSS
As restrições serão ainda mais rígidas nos períodos de maior movimento de aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo a decisão, nos cinco últimos dias úteis de cada mês e nos cinco primeiros dias úteis do mês seguinte, a agência deverá suspender atividades consideradas não essenciais. Nesse período, o foco deverá ser:
Serviços prioritários autorizados
- Pagamento de benefícios;
- Serviços bancários básicos;
- Atendimento emergencial;
- Operações essenciais para clientes.
O objetivo, segundo o Procon, é evitar o agravamento das filas e garantir atendimento mais digno à população idosa, que costuma depender do serviço presencial.
Histórico de reclamações agravou a situação
De acordo com o órgão, o banco já havia sido alertado anteriormente sobre os problemas.
O Procon informou que representantes do Bradesco participaram de uma reunião em abril deste ano, ocasião em que receberam prazo para apresentar soluções e melhorias operacionais. No entanto, segundo o órgão, as mudanças consideradas necessárias não foram implementadas.
As fiscalizações posteriores teriam identificado continuidade — e até agravamento — dos problemas.
Principais falhas apontadas pelo Procon
Entre os problemas encontrados nas inspeções estão:
- Filas externas frequentes;
- Demora excessiva no atendimento;
- Redução do número de funcionários;
- Falta de organização interna;
- Ausência de senhas para controle de espera;
- Estrutura considerada insuficiente para a demanda da unidade.
A superintendente do Procon de Juiz de Fora, Tainah Marrazzo, afirmou que as medidas tentam interromper uma “precarização sistemática” do atendimento bancário.
Segundo ela, os impactos recaem principalmente sobre idosos, aposentados e consumidores com maior dificuldade de acesso aos canais digitais.
Fechamento de agências e redução de funcionários preocupam sindicato
O caso também reacendeu discussões sobre o processo de redução estrutural adotado pelos grandes bancos privados nos últimos anos.
Em nota oficial, o Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora, Zona da Mata e Sul de Minas afirmou estar preocupado com a situação e criticou a política de fechamento de agências, reestruturações e demissões promovidas pelo setor bancário.
Segundo a entidade, o Bradesco fechou oito agências em Juiz de Fora entre 2017 e abril de 2026. Atualmente, o banco opera com apenas cinco unidades na cidade, sendo duas voltadas para públicos específicos.
O sindicato afirma que a diminuição do número de trabalhadores, o fechamento de caixas presenciais e o incentivo ao uso exclusivo de aplicativos vêm prejudicando tanto clientes quanto funcionários.
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Impactos apontados pelo sindicato
A entidade destacou consequências como:
- Sobrecarga dos funcionários;
- Piora nas condições de trabalho;
- Atendimento mais lento;
- Dificuldade para idosos utilizarem serviços digitais;
- Exclusão de clientes sem familiaridade tecnológica;
- Maior concentração de atendimento em poucas unidades.
O comunicado também afirma que bancos privados vêm priorizando segmentos considerados mais rentáveis, enquanto reduzem investimentos em atendimento presencial para o público geral.
Bradesco evita comentar o caso
Procurado sobre a decisão, o Bradesco informou que não comenta casos “sub judice”, expressão utilizada para processos que ainda estão em análise judicial ou administrativa.
Segundo a Prefeitura de Juiz de Fora, o banco também seria oficialmente comunicado sobre a decisão do Procon.
Direitos do consumidor em casos de mau atendimento bancário
O caso chama atenção para direitos garantidos pelo Código de Defesa do Consumidor e por legislações municipais relacionadas ao tempo de espera em bancos.
Em várias cidades brasileiras, existem normas que limitam o tempo máximo de espera em filas bancárias, principalmente em dias normais de atendimento.
Além disso, consumidores têm direito a:
Direitos garantidos ao cliente bancário
- Atendimento adequado e eficiente;
- Estrutura mínima de conforto;
- Prioridade para idosos, gestantes e pessoas com deficiência;
- Informação clara sobre serviços;
- Organização das filas e senhas;
- Condições dignas de espera.
Quando essas normas não são cumpridas, órgãos como Procons estaduais e municipais podem aplicar multas, instaurar processos administrativos e impor medidas cautelares, como ocorreu em Juiz de Fora.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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