Nas últimas semanas, diversos bancos, incluindo o Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Banco Pan, Mercantil, BMG e Banrisul, suspenderam a oferta de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS. Essa decisão gerou preocupação entre beneficiários que dependem dessa modalidade para acesso a empréstimos com condições facilitadas.
Notícia preocupante para clientes do Bradesco; entenda a situação
Bradesco e outros bancos suspenderam o crédito consignado para aposentados do INSS. Saiba os motivos e o impacto dessa decisão.
O motivo principal, segundo as instituições, é a inviabilidade econômica da operação, causada pela incompatibilidade entre:
- Aumento dos custos de captação no mercado financeiro.
- O atual teto da taxa de juros, fixado em 1,66% ao mês pelo INSS.
Em nota, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Banco Pan, Mercantil, BMG afirmaram que as condições atuais tornam a oferta insustentável. O Bradesco não justificou a interrupção do serviço.
O Banrisul enviou um posicionamento oficial ao Seu Crédito Digital:
“As operações de Crédito Consignado INSS do Banrisul estão sendo comercializadas normalmente nas agências e canais digitais da instituição. Entretanto, nos correspondentes bancários vinculados, as operações foram temporariamente suspensas a partir de 27 de novembro.”
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O que é o crédito consignado do INSS?
O crédito consignado é uma forma de empréstimo com desconto direto na folha de pagamento. Ele permite que aposentados e pensionistas do INSS comprometam até 45% da renda mensal, distribuídos da seguinte maneira:
- 35% para o empréstimo pessoal;
- 5% para o cartão de crédito consignado;
- 5% para o cartão de benefício.
Com prazos de pagamento que podem chegar a 84 meses (sete anos), essa modalidade é popular por oferecer juros mais baixos em relação a outras linhas de crédito.
Impacto da suspensão para aposentados e pensionistas
A suspensão do crédito consignado por grandes bancos impacta diretamente a vida de milhões de aposentados e pensionistas, principalmente os de baixa renda.
Principais impactos:
- Dificuldade de acesso ao crédito barato: Sem o consignado, os beneficiários precisarão buscar outras opções com juros mais elevados.
- Risco de endividamento: Modalidades como cartão de crédito e cheque especial têm taxas muito superiores.
- Dependência econômica: Muitos aposentados utilizam o crédito consignado para cobrir despesas médicas, educacionais ou emergenciais.
Com a suspensão generalizada, a oferta de crédito pode ficar restrita a instituições menores que ainda mantêm a modalidade, mas com menos capacidade de atendimento em larga escala.
A disputa judicial no STF: definição do teto de juros

A suspensão também acirrou um debate jurídico sobre a competência para definir o teto da taxa de juros do crédito consignado.
Entenda o caso
A Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa instituições financeiras de médio porte, entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a autorização do INSS de fixar esses limites.
Argumentos da ABBC:
- A legislação vigente (Lei 4.595/1964) determina que apenas o Conselho Monetário Nacional (CMN) pode regular as taxas de juros.
- O uso da taxa Selic como referência é inadequado, pois não reflete os custos reais de captação de longo prazo.
- A rapidez na redução do teto quando a Selic cai é desproporcional à demora nos ajustes quando a taxa sobe.
Posicionamento do governo
O INSS transferiu a responsabilidade para o Ministério da Previdência. Em respostas anteriores, a pasta argumentou que o atual teto traz benefícios diretos aos aposentados, como:
- Crédito mais barato: Com a taxa em 1,66%, os beneficiários conseguem condições mais acessíveis.
- Portabilidade e refinanciamento: Contratos podem ser renegociados com taxas mais vantajosas.
Como ficam os bancos com o teto atual?
Para os bancos, o problema central é a defasagem entre o custo de captação e a taxa de juros limite. Atualmente, com a Selic em patamar elevado, as instituições enfrentam:
- Redução da margem de lucro;
- Inviabilidade de operação para manter taxas competitivas;
- Risco financeiro ao operar com margens muito apertadas.
Essas condições fazem com que grandes bancos saiam do mercado, afetando a oferta de crédito consignado.
Alternativas para aposentados e pensionistas
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Com a suspensão do serviço, aposentados e pensionistas precisam buscar alternativas seguras para suprir suas necessidades financeiras:
1. Bancos menores
- Instituições de menor porte, que ainda oferecem crédito consignado, podem ser uma opção.
- Verifique a segurança e a credibilidade dos bancos antes de contratar.
2. Cooperativas de crédito
- As cooperativas podem oferecer taxas mais atrativas, por serem menos impactadas pelos custos de captação tradicionais.
3. Refinanciamento
- Quem já tem contratos ativos pode buscar refinanciamento com as condições atuais.
4. Linhas alternativas de crédito
- Cuidado com modalidades como cartão de crédito e cheque especial, que possuem taxas muito mais altas.
O futuro do crédito consignado

A definição do teto das taxas de juros é um ponto crucial para o futuro do crédito consignado. Caso o STF decida a favor da ABBC, a regulação voltará a ser responsabilidade do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Por outro lado, se o INSS mantiver a competência, o governo precisará buscar um equilíbrio entre os custos dos bancos e o acesso ao crédito barato para os beneficiários.
Considerações finais
A suspensão do crédito consignado por grandes bancos representa um desafio para aposentados e pensionistas que dependem dessa linha de crédito. Enquanto a disputa jurídica se desenrola no STF, os beneficiários devem buscar alternativas seguras para não cair em armadilhas financeiras.
Resta aguardar a definição sobre quem tem a competência para estabelecer o teto das taxas de juros e como isso afetará a oferta de crédito consignado no Brasil.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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