O Mapa da Fome é um índice desenvolvido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) que identifica os países onde mais de 2,5% da população está em situação de subnutrição crônica.
Brasil supera o Mapa da Fome, mas incerteza sobre alimentação continua para muitas famílias
Descubra por que o Brasil saiu do Mapa da Fome e quais os riscos que ainda ameaçam milhões. Leia a análise completa.
A permanência no Mapa indica que uma parcela significativa da população não tem acesso regular a uma alimentação adequada e nutritiva para manter a saúde e a vida.
O Brasil figurou no Mapa da Fome entre 2019 e 2021, depois de ter deixado essa classificação em 2014. A volta ao índice foi reflexo do agravamento da pobreza, do desemprego e da desarticulação de políticas públicas voltadas à segurança alimentar.
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Brasil sai do Mapa da Fome: o que isso significa?

Uma vitória estatística, mas não uma solução definitiva
A média trienal entre 2022 e 2024, calculada pela FAO, mostra que o Brasil tem atualmente menos de 2,5% da população em risco de subnutrição, critério que o retira formalmente do Mapa da Fome.
A notícia foi anunciada no relatório global da organização em julho de 2025 e comemorada pelo governo federal como uma conquista política e social. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, essa melhora é reflexo direto de ações como:
- Reforço no Programa Bolsa Família;
- Fortalecimento da alimentação escolar;
- Estímulo à agricultura familiar;
- Aumento do salário mínimo;
- Recuperação do mercado de trabalho formal.
Dados por trás da saída do Brasil do Mapa da Fome
Redução da subnutrição em relação a décadas anteriores
De acordo com o novo relatório da FAO:
- A prevalência de subnutrição no Brasil está abaixo de 2,5%, contra 5,7% em 2004;
- A insegurança alimentar grave ainda atinge 3,4% da população;
- A insegurança alimentar moderada atinge 13,5% dos brasileiros.
Isso significa que milhões de brasileiros ainda vivem com incertezas sobre a próxima refeição. Em números absolutos, cerca de 7 milhões de pessoas podem estar enfrentando dificuldades severas para se alimentar diariamente.
Comparativo com América Latina e o mundo
- Média da América Latina: 5,1% de subnutrição;
- Média global: 8,2%.
Ou seja, mesmo com os desafios internos, o Brasil apresenta desempenho acima da média regional e global.
Como o índice é calculado pela FAO?
O que é o Prevalence of Undernourishment (PoU)
O indicador utilizado pela FAO é o PoU – Prevalência de Subnutrição, baseado em três pilares:
- Disponibilidade de alimentos no país (produção + importação – exportação);
- Distribuição do consumo alimentar, que varia conforme a renda;
- Necessidade calórica média de um indivíduo saudável por dia.
Esses dados são processados em forma de média trienal, o que evita distorções temporárias causadas por eventos como pandemias ou secas extremas.
Por que essa metodologia importa?
A média de três anos garante uma análise mais sólida e realista. No caso do Brasil, a média 2022–2024 caiu abaixo do limiar de 2,5%, o que sinaliza uma redução estável da subnutrição — mas não zera o problema.
Risco de retrocesso é real
Um alívio temporário em cenário de instabilidade econômica
Apesar dos avanços, especialistas alertam que a insegurança alimentar grave continua presente em milhões de domicílios brasileiros. Essa condição vai além da subnutrição clínica e inclui:
- Redução na qualidade e variedade dos alimentos;
- Diminuição do número de refeições diárias;
- Jejum forçado por falta de recursos.
O cenário se agrava com a alta dos preços dos alimentos, a dependência de programas sociais e a vulnerabilidade das famílias de baixa renda a crises econômicas.
Dados da Rede Penssan
O Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Rede Penssan revelou que:
- 58,7% dos lares viviam algum grau de insegurança alimentar em 2022;
- 15,5% enfrentavam insegurança alimentar grave, ou seja, fome.
Apesar da melhoria relativa apontada pela FAO, os números da realidade brasileira ainda são alarmantes e exigem políticas de longo prazo.
Papel das políticas públicas
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Iniciativas que ajudaram o Brasil a sair do Mapa
O governo federal creditou a melhoria à integração de políticas de combate à pobreza e à fome, especialmente:
- Ampliação do valor médio do Bolsa Família para mais de R$ 600 por família;
- Adição de benefícios extras para crianças, gestantes e adolescentes;
- Reestruturação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE);
- Incentivo à produção local de alimentos saudáveis, sobretudo por meio da agricultura familiar.
Além disso, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi reativado, retomando o papel de articulação entre governo e sociedade civil.
Importância de ações estruturais
Especialistas defendem que a garantia de segurança alimentar depende não apenas de transferências de renda, mas também de:
- Educação nutricional;
- Acesso facilitado a alimentos frescos e saudáveis;
- Valorização da produção agroecológica e sustentável.
Insegurança alimentar moderada: o próximo desafio

13,5% da população ainda vive na corda bamba
Mesmo que não estejam tecnicamente passando fome, milhões de brasileiros convivem com incertezas diárias quanto à possibilidade de alimentar a família. A insegurança alimentar moderada se manifesta quando:
- Há redução forçada na quantidade ou qualidade dos alimentos;
- A família opta por alimentos ultraprocessados mais baratos;
- Existe receio constante de não conseguir garantir as próximas refeições.
Esses fatores afetam diretamente a saúde física e mental da população, especialmente de crianças em fase de desenvolvimento.
Conclusão: uma vitória que exige vigilância
A saída do Brasil do Mapa da Fome é um feito significativo e demonstra a eficácia de políticas públicas direcionadas. No entanto, ela não encerra o problema da fome no país.
A insegurança alimentar ainda é uma realidade para milhões, exigindo vigilância constante, recursos públicos e participação ativa da sociedade civil. Manter o Brasil fora do Mapa da Fome é um desafio contínuo, que dependerá de:
- Estabilidade econômica;
- Emprego e renda;
- Fortalecimento das redes de proteção social.
Sem isso, o retorno ao índice da FAO pode ser apenas uma questão de tempo.
Imagem: Canva
