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Brasil registra avanço em 71% dos indicadores que medem desigualdades

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
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O Brasil apresentou melhora em 71% dos indicadores de desigualdade acompanhados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades, segundo o levantamento mais recente da instituição, elaborado com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O resultado aponta avanços em áreas como emprego, renda, educação, segurança alimentar e meio ambiente, mas também revela que problemas estruturais continuam afetando diferentes grupos da população.

A análise compara indicadores sociais e econômicos e mostra um cenário de avanços importantes, mas desigual. Enquanto o mercado de trabalho apresentou uma redução expressiva do desemprego e a renda média cresceu, questões como concentração de renda, desigualdade salarial entre homens e mulheres, mortalidade materna e exposição a áreas de risco registraram piora.

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O que mudou nos indicadores de desigualdade no Brasil?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O levantamento acompanha diferentes dimensões da desigualdade brasileira, incluindo renda, trabalho, educação, saúde, segurança alimentar, meio ambiente e condições de vida.

Dos indicadores analisados, 71% apresentaram evolução positiva. Outros permaneceram estáveis ou registraram deterioração, mostrando que a melhora geral não ocorreu de maneira uniforme.

Na prática, isso significa que o Brasil conseguiu avançar em diversos aspectos relacionados às condições de vida da população, mas ainda existem diferenças significativas entre regiões, grupos raciais, homens e mulheres e faixas de renda.

Por que os números positivos não significam que a desigualdade acabou?

Uma melhora na média nacional não necessariamente representa uma redução das diferenças entre os brasileiros.

Um exemplo é o rendimento médio. O aumento da renda da população é um sinal positivo, mas não mostra sozinho como esse dinheiro está distribuído. Se os grupos mais ricos aumentarem seus ganhos em ritmo superior ao dos mais pobres, a concentração de renda pode continuar elevada mesmo com uma melhora na renda média.

É justamente essa diferença que aparece no levantamento.

Desemprego cai para 5,6% em 2025

O mercado de trabalho está entre as áreas que apresentaram uma das evoluções mais expressivas.

A taxa de desocupação caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, atingindo o menor nível da série considerada pelo levantamento.

A redução ocorreu entre diferentes grupos da população, incluindo mulheres e pessoas negras. Apesar disso, as desigualdades históricas no acesso ao emprego permanecem.

Mulheres e pessoas negras ainda enfrentam maiores dificuldades para alcançar determinadas oportunidades profissionais e, principalmente, os níveis mais elevados de remuneração.

Por isso, a queda do desemprego é considerada um avanço, mas não elimina os obstáculos relacionados à qualidade das ocupações e à desigualdade salarial.

Renda média cresce, mas distância entre ricos e pobres aumenta

Outro resultado positivo foi o crescimento do rendimento médio real dos brasileiros.

Em 2025, a renda média chegou a R$ 3.376, alta de 5,3% em relação ao ano anterior.

O crescimento, porém, ocorreu ao mesmo tempo em que a concentração de renda se tornou um ponto de atenção.

Segundo o levantamento, o rendimento médio do 1% mais rico da população era 31,5 vezes superior ao dos 50% mais pobres em 2025.

O recorte racial e de gênero também evidencia diferenças importantes. Mulheres negras, por exemplo, apresentaram rendimento médio significativamente inferior ao de homens não negros.

Isso mostra que o aumento da renda média não foi suficiente para eliminar as desigualdades históricas existentes no mercado de trabalho brasileiro.

Segurança alimentar apresenta melhora

A situação da segurança alimentar também evoluiu positivamente.

A parcela da população vivendo em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024.

O resultado representa uma melhora no acesso regular das famílias à alimentação, mas os números ainda apresentam diferenças importantes de acordo com o perfil da população.

A desigualdade regional chama atenção. Enquanto o Norte registrou uma proporção maior de pessoas vivendo em situação de insegurança alimentar, o Sul apresentou um dos menores índices.

A diferença mostra que o combate à fome continua dependendo não apenas do aumento da renda, mas também de políticas públicas adaptadas às condições econômicas e sociais de cada região.

Educação registra avanços no acesso e na escolarização

A educação também aparece entre os setores com evolução positiva.

O levantamento identificou redução do analfabetismo, principalmente entre idosos e a população negra. Também houve aumento da frequência de crianças pequenas em creches e crescimento das taxas de escolarização no ensino médio e no ensino superior.

A expansão do acesso à educação infantil é particularmente relevante porque a oferta de creches está diretamente relacionada às condições de desenvolvimento das crianças e também à possibilidade de participação dos responsáveis no mercado de trabalho.

Apesar dos avanços, persistem diferenças relacionadas à renda, raça e localização geográfica, que influenciam o acesso e a permanência dos estudantes no sistema educacional.

Desmatamento e emissões também apresentam queda

Os indicadores ambientais contribuíram para o resultado positivo do levantamento.

O Brasil registrou redução de 20,6% no desmatamento em 2025, enquanto as emissões de gases de efeito estufa também apresentaram queda no período analisado.

A redução representa avanço no controle da degradação ambiental, especialmente diante do peso do desmatamento nas emissões brasileiras.

Ao mesmo tempo, o relatório aponta que outros problemas ambientais e urbanos continuam avançando. Entre eles está o aumento da população exposta a áreas de risco geológico.

Ou seja, a melhora dos indicadores relacionados às florestas não significa que todos os problemas ambientais e climáticos tenham sido resolvidos.

Quais indicadores pioraram?

Apesar do saldo majoritariamente positivo, alguns indicadores apresentaram deterioração.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • concentração de renda;
  • desigualdade salarial entre homens e mulheres;
  • mortalidade materna;
  • exposição da população a áreas de risco;
  • sobrerrepresentação da população negra no sistema prisional;
  • cobertura de saneamento básico em determinadas regiões.

A mortalidade materna é um dos dados que mais preocupam. O indicador passou de 52,2 mortes por 100 mil nascidos vivos em 2023 para 55,5 em 2024.

O resultado mostra que os avanços sociais observados em outras áreas não foram suficientes para produzir melhora uniforme nos indicadores de saúde.

Desigualdade racial continua sendo um dos principais desafios

Os dados também reforçam a presença de desigualdades relacionadas à raça.

Pessoas negras apresentam desvantagens em diferentes indicadores, incluindo renda, mercado de trabalho, segurança alimentar e representação no sistema prisional.

As diferenças não podem ser explicadas por um único fator. Elas estão relacionadas a desigualdades históricas no acesso à educação, emprego, renda, moradia e outros direitos.

Por isso, uma redução geral dos índices de pobreza ou desemprego não necessariamente elimina a distância existente entre grupos raciais.

E a desigualdade entre homens e mulheres?

O levantamento também aponta que as diferenças de gênero continuam sendo um problema estrutural.

Mesmo com a redução do desemprego feminino, as mulheres permanecem em desvantagem em determinados indicadores do mercado de trabalho e continuam recebendo, em média, menos que os homens.

A desigualdade salarial se torna ainda mais complexa quando gênero e raça são analisados conjuntamente.

Mulheres negras estão entre os grupos mais afetados pelas diferenças de rendimento, mostrando que políticas de redução da desigualdade precisam considerar diferentes fatores simultaneamente.

O que os dados mostram sobre o Brasil?

O resultado do Observatório apresenta um cenário de avanços acompanhados por desigualdades persistentes.

A queda do desemprego, o aumento da renda média, a redução da insegurança alimentar, os avanços educacionais e a melhora de indicadores ambientais mostram que houve progresso em diferentes áreas.

Por outro lado, a concentração de renda e as diferenças de gênero, raça e território demonstram que os benefícios desse progresso ainda não são distribuídos de maneira uniforme.

A principal conclusão é que melhorar os indicadores médios não basta. Para reduzir efetivamente as desigualdades, é necessário fazer com que os avanços alcancem de forma mais equilibrada os grupos que historicamente enfrentam maiores dificuldades.

O que pode acontecer daqui para frente?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Os dados devem servir como referência para a formulação e o acompanhamento de políticas públicas.

A prioridade passa por consolidar os avanços registrados e concentrar esforços nos indicadores que pioraram ou continuam apresentando grandes diferenças entre grupos sociais.

Isso inclui políticas voltadas à geração de empregos de qualidade, redução das diferenças salariais, combate à fome, ampliação do acesso à educação, melhoria do saneamento e atendimento à saúde materna.

O cenário apresentado pelo levantamento, portanto, não é de uma desigualdade resolvida, mas de um país que avançou em diversas frentes e ainda precisa enfrentar obstáculos estruturais para transformar essas melhorias em ganhos mais amplos para toda a população.

Conclusão

Em resumo, os dados mostram que o Brasil avançou em diferentes áreas, mas ainda convive com desigualdades profundas. A melhora no emprego, na renda, na educação e na segurança alimentar representa um sinal positivo, porém a concentração de renda e as diferenças de gênero, raça e região mostram que os desafios estruturais continuam exigindo atenção.

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