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Selic permanece elevada e Brasil continua no topo dos juros reais do mundo

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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O Brasil voltou a ampliar a vantagem sobre os demais países no ranking internacional de juros reais. Mesmo depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper o ciclo de cortes e manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, o país permaneceu na primeira colocação, com indicador de 9,49%, segundo levantamento da MoneYou e da Lev Intelligence divulgado em 4 de novembro de 2026.

A diferença em relação à Turquia, que aparece na segunda posição, chegou a 1,72 ponto percentual. Argentina e Rússia completam as primeiras colocações. O resultado coloca novamente em evidência o custo do dinheiro no Brasil e seus efeitos sobre o consumo, o crédito, os investimentos e a atividade econômica.

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Brasil lidera ranking mundial de juros reais

O levantamento internacional considera 40 economias e mostra o Brasil na liderança, com uma taxa real de 9,49%. A Turquia aparece em seguida, com 7,77%, enquanto Argentina e Rússia registram 6,80% e 6,57%, respectivamente.

Confira os quatro primeiros colocados:

PaísJuro real
Brasil9,49%
Turquia7,77%
Argentina6,80%
Rússia6,57%

A distância brasileira aumentou em comparação com setembro, quando a Rússia ocupava a segunda posição. Naquele momento, a diferença entre os dois países era de 1,66 ponto percentual. Com a mudança na classificação, a vantagem sobre a Turquia passou para 1,72 ponto.

O movimento não ocorreu apenas por alterações nas taxas básicas de juros. As expectativas de inflação para os próximos 12 meses também influenciam o resultado e ajudam a explicar as mudanças de posição entre os países.

O que significa ter o maior juro real do mundo?

O juro real representa o retorno ou custo dos juros depois de descontada a inflação esperada. Ele é diferente da taxa nominal, que corresponde ao percentual anunciado pelas autoridades monetárias sem considerar a perda prevista do poder de compra.

Na prática, esse indicador ajuda a avaliar o quanto a política monetária está restritiva. Quando os juros reais permanecem elevados, o crédito tende a ficar mais caro e o consumo financiado perde força.

Para entender a diferença, basta imaginar um investimento com rendimento nominal de 10% ao ano e inflação projetada de 4%. O ganho real não será de 10%, porque parte do rendimento apenas compensa a alta dos preços.

O cálculo exato pode variar conforme a metodologia utilizada, especialmente quando são consideradas taxas projetadas e a composição dos juros. Por isso, o percentual divulgado no ranking deve ser interpretado de acordo com os critérios adotados pela consultoria responsável.

Selic permanece em 13,75% após decisão do Copom

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A manutenção da Selic em 13,75% ao ano foi anunciada em 4 de novembro pelo Copom, órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros.

A decisão interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos. O comitê optou por preservar o patamar anterior diante do aumento das incertezas econômicas, das expectativas de inflação mais elevadas e dos riscos relacionados ao cenário internacional.

No Brasil, as preocupações com a política fiscal, a trajetória do dólar e as perspectivas econômicas após as eleições também influenciam as expectativas do mercado financeiro.

No exterior, os conflitos no Oriente Médio e as oscilações do petróleo representam fatores adicionais de pressão. Como combustíveis e outros insumos têm participação nos custos de produção e transporte, aumentos prolongados podem chegar aos preços pagos pelos consumidores brasileiros.

Brasil ocupa quarto lugar no ranking de juros nominais

Quando a inflação projetada não é descontada, o Brasil aparece na quarta posição entre as 40 economias analisadas, com taxa nominal de 13,75% ao ano.

A classificação é liderada pela Turquia, com 36%, seguida pela Argentina, com 29%, e pela Rússia, com 14%.

Na sequência do Brasil aparecem Colômbia, com 12,25%, África do Sul, com 7,25%, e México, com 6,50%. Estados Unidos e Reino Unido registram taxas nominais de 4% e 3,75%, respectivamente.

A diferença entre as classificações mostra por que observar apenas a taxa básica não é suficiente para comparar as condições monetárias de diferentes países. A inflação esperada altera o resultado e pode fazer uma economia apresentar juro real mais elevado mesmo sem ocupar o primeiro lugar no indicador nominal.

Como os juros elevados afetam o brasileiro?

A permanência de juros altos tem consequências diretas para famílias e empresas. No crédito, financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e parcelamentos podem ficar mais caros, especialmente quando as instituições financeiras ajustam suas taxas às condições do mercado.

Para quem pretende comprar um carro ou financiar um imóvel, por exemplo, uma taxa maior pode elevar o valor das prestações e o custo total da operação. Empresas também enfrentam despesas maiores para contratar crédito, ampliar instalações e financiar estoques.

Por outro lado, aplicações de renda fixa atreladas ao CDI e à Selic podem oferecer retornos mais atrativos em períodos de juros elevados. Tesouro Selic, CDBs e fundos de renda fixa são alternativas que costumam chamar a atenção dos investidores nesse cenário, embora seja necessário considerar impostos, taxas, liquidez e riscos.

O efeito sobre a economia, portanto, não é igual para todos. Enquanto investidores conservadores podem encontrar oportunidades em aplicações pós-fixadas, consumidores endividados e negócios dependentes de financiamento tendem a sentir mais intensamente o custo do dinheiro.

Cenário internacional também influencia o ranking

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O levantamento da MoneYou mostra que a maioria dos bancos centrais acompanhados manteve suas taxas inalteradas. Entre 164 países analisados, 85,98% preservaram os juros, 9,15% promoveram aumentos e 4,88% anunciaram cortes.

Considerando apenas as 40 economias do ranking, 85% mantiveram as taxas, 10% elevaram os juros e 5% reduziram os indicadores.

A postura cautelosa das autoridades monetárias reflete um ambiente de incerteza sobre inflação, energia e crescimento econômico. Para o Brasil, o desafio é encontrar condições para reduzir os juros sem comprometer o controle dos preços.

A próxima trajetória da Selic dependerá da evolução da inflação, das expectativas do mercado, das contas públicas e do comportamento da economia internacional. Até que esses fatores apresentem sinais mais consistentes, o país deve continuar convivendo com os efeitos de uma política monetária restritiva.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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