O Brasil testemunhou avanços notáveis em seu ecossistema de startups na última década. Fintechs, healthtechs, edtechs e outras iniciativas vêm ganhando espaço e atenção no cenário internacional. No entanto, segundo David Vélez, fundador e CEO do Nubank, ainda há um obstáculo a ser superado: a escassez de empreendedores com visão original e ambição de longo alcance.
CEO do Nubank diz que ecossistema só cresce com mais empreendedores
David Vélez, CEO do Nubank, afirma que o Brasil precisa de mais empreendedores com visão original e ambição para transformar ideias.

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Uma trajetória de pioneirismo
Fundado em 2013, o Nubank enfrentou um ambiente desafiador. Na época, o Brasil contava com poucos investimentos, aceleradoras e uma produção acadêmica modesta em tecnologia. Vélez lembra que universidades como a USP formavam apenas 40 engenheiros de computação por ano, número considerado muito abaixo da necessidade para desenvolver um ecossistema robusto.
A importância da cultura desde o início
Desde os primeiros meses, a empresa priorizou a construção de uma cultura organizacional forte, baseada em propósito, inovação e foco no cliente. Para o CEO, contratar pessoas alinhadas à missão do banco foi essencial para sustentar seu crescimento e manter a identidade da marca em meio à expansão internacional.
Ecossistema ainda limitado apesar do crescimento
Números expressivos, mas proporção modesta
O Nubank ultrapassou a marca de 100 milhões de clientes na América Latina até 2024, com operações no Brasil, México e Colômbia. Apesar da grandiosidade dos números, Vélez observa que isso representa apenas 1,25% da população mundial, evidenciando que o Brasil ainda é pequeno no mapa global da inovação.
Crescimento com base em colaboração
A nova estratégia da empresa inclui atuar como marketplace, oferecendo uma plataforma para que outras empresas escalem seus serviços. A proposta sinaliza a necessidade de mais colaborações dentro do ecossistema e reforça a ideia de que um ambiente inovador se constrói com parcerias.
O alerta de Vélez: faltam fundadores com ousadia

Oportunidades não faltam, mas ambição sim
David Vélez afirma que investidores internacionais deixaram o Brasil por falta de projetos ambiciosos e não por ausência de oportunidades. Sua decisão de permanecer no país e construir o Nubank foi motivada pelo desejo de provar que é possível competir com grandes instituições financeiras locais com soluções digitais.
De clonar ideias a resolver problemas locais
O CEO critica a tendência de empreendedores brasileiros de replicarem modelos de negócios estrangeiros. Para ele, o verdadeiro avanço ocorrerá quando as startups nacionais se basearem em problemas brasileiros com soluções locais e potencial de escala global.
Caminhos para a evolução do ecossistema de startups
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Foco em inovação e impacto real
Para alcançar novos patamares, é necessário desenvolver soluções adaptadas à realidade do país. Negócios que clonam modelos estrangeiros acabam perdendo relevância e sufocam a inovação. Vélez defende que o caminho está na criação de produtos que atendam demandas reais com impacto positivo.
Construção de comunidades empreendedoras
Outro ponto destacado é o papel das comunidades de startups. Espaços colaborativos que ofereçam mentoria, capacitação técnica e acesso ao capital são essenciais para fomentar novas ideias e apoiar fundadores desde as fases iniciais.
Investimentos sociais e diversidade
O Nubank também investe em programas sociais como o “Acelera Iaô Com Elas”, que apoia mulheres negras empreendedoras em Salvador. Para Vélez, iniciativas assim são parte fundamental de um ecossistema mais justo e inovador, pois promovem diversidade e inclusão nas estruturas empresariais.
Considerações finais: a chave está no fundador

O Brasil tem potencial para se tornar um grande centro de inovação, mas, para isso, precisa incentivar a formação de empreendedores com mentalidade transformadora. O que falta, segundo Vélez, não são ideias ou tecnologias, mas fundadores com coragem, visão ambiciosa e desejo de causar impacto.
Transformar desafios locais em oportunidades globais é o caminho que startups brasileiras precisam trilhar. E o exemplo do Nubank mostra que isso é possível quando há clareza de propósito, investimento em cultura organizacional e compromisso com a inovação.
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