O Brasil vem ganhando destaque no cenário global de data centers, locais destinados ao armazenamento e processamento de informações. Essas estruturas podem operar serviços de nuvem, voltados a empresas e consumidores, ou treinar modelos de inteligência artificial (IA).
Brasil desponta como protagonista mundial em data centers, aponta Siemens Energy
Brasil cresce em data centers de nuvem e pode liderar setor com energia renovável e estabilidade política.
De acordo com o Data Center Map, o país possui atualmente 188 centros de dados de nuvem, ocupando o 12º lugar mundial em quantidade. O vice-presidente sênior da Siemens Energy para América Latina, André Clark, prevê que nos próximos anos o Brasil deve alavancar ainda mais sua posição.
“Eu não tenho a menor sombra de dúvida que seremos um dos lugares mais importantes do mundo para isso”, afirmou o executivo em entrevista à CNN Money.
Segundo Clark, fatores como a abundância de energia renovável, marcos regulatórios avançados e estabilidade política tornam o país ideal para receber grandes centros de processamento de dados.
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Papel estratégico dos data centers na matriz energética

O Brasil é um dos maiores mercados de data centers do mundo, principalmente por seu histórico de digitalização bancária e outros serviços online. Clark destaca que o país é referência em declaração de imposto de renda online e outros procedimentos digitais, o que impulsiona a demanda por capacidade de processamento de dados.
“Eles estão ficando maiores, pelo crescimento da computação em nuvem. O Brasil ainda não está surfando os grandes data centers de IA que estão ocorrendo em outros lugares do planeta. Mas é relevante”, explicou Clark.
Os data centers de nuvem estão concentrados no Sudeste brasileiro, em cidades como São Paulo e Jundiaí, onde a infraestrutura elétrica é capaz de suportar a crescente demanda.
Otimização energética e padrões internacionais
Com o aumento da escala, os data centers exigem níveis avançados de disponibilidade de energia, classificados em padrões de 1 a 4, sendo o nível 4 o mais rigoroso, permitindo apenas 25 minutos fora do ar por ano.
“À medida que o data center fica muito grande, você precisa conectá-lo a uma subestação troncal, que abastece várias cidades simultaneamente. O responsável pela transmissão, que precisa oferecer eficiência e segurança ao centro, começou a ser nosso cliente também”, detalhou Clark.
A Siemens Energy tem auxiliado essas estruturas na otimização do consumo energético, garantindo eficiência e confiabilidade, aspectos cruciais para a operação contínua de grandes centros de dados.
Brasil como polo sustentável de data centers
A combinação de demanda local, excedente de energia e alto percentual de renováveis faz do Brasil um destino atrativo para data centers sustentáveis. Atualmente, cerca de 50% da energia produzida é excedente, e 92% da matriz energética é renovável.
“Sem sombra de dúvidas. Dada a nossa escala, já é”, afirmou Clark sobre o potencial do Brasil.
Além disso, a legislação brasileira, como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), oferece governança madura sobre dados, e a estabilidade política e jurídica do país aumenta a confiança de investidores e empreendedores.
Apesar disso, o país ainda não iniciou a corrida global pelos data centers de IA, que exigem grande capacidade de processamento e inovação tecnológica.
Incentivos e marcos regulatórios
Clark destaca que subsídios não são necessários para atrair data centers ao Brasil. Segundo ele, o fator determinante é a simplificação regulatória, especialmente no sistema tributário.
O ReData, regime fiscal especial para data centers, permite a importação facilitada de equipamentos críticos, como computadores e chips, acelerando a construção e expansão dessas estruturas.
“O Brasil é o lugar certo para colocar esses data centers, e já estamos vendo esta expansão por parte de empreendedores e companhias tradicionais”, disse o executivo.
Um ponto a ser considerado para a próxima geração de centros de dados é a legislação sobre IA, que precisa equilibrar segurança e inovação, sem restringir o crescimento da indústria nem expor os sistemas a riscos tecnológicos.
Siemens Energy e COP30: compromisso com transição energética
A Siemens Energy participa da COP30, em Belém (PA), com foco em tecnologia, eficiência energética e transição justa. Clark explica que a empresa investiu em programas sociais, como treinamento técnico de dois anos em parceria com o Instituto Federal do Pará, em vez de deslocar grandes equipes ao evento.
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Durante a COP30, serão discutidos três temas principais:
- Contabilidade e intensidade de carbono, assegurando padrões claros para empresas;
- Energia e inteligência artificial, aproveitando algoritmos para melhorar eficiência e segurança;
- Transição energética justa, promovendo um processo equilibrado e sustentável.
Investimentos e oportunidades de negócio
Recentemente, a Siemens Energy investiu no Gás Natural do Açú, o maior polo termelétrico a gás da América Latina, inaugurado pelo presidente Lula em agosto.
Clark ressalta que a demanda por equipamentos de transmissão elétrica cresce tanto no Brasil quanto no exterior, incluindo os Estados Unidos, e a empresa busca oportunidades de expansão mesmo diante de desafios tarifários globais.
“Os algoritmos de IA serão muito importantes para a eficiência, segurança e gerenciamento dos sistemas elétricos”, afirmou o executivo.
O foco da Siemens Energy é combinar data centers e energia limpa, aproveitando a abundância de renováveis e infraestrutura elétrica robusta do Brasil.
Perspectivas futuras

O país tem potencial para se tornar um hub global de data centers sustentáveis, atraindo investimentos e fortalecendo sua posição no setor tecnológico mundial. A estabilidade política, abundância de energia limpa e regulamentação madura são diferenciais competitivos frente a outros mercados.
A previsão é que nos próximos anos, à medida que a computação em nuvem e a inteligência artificial se expandam, o Brasil ocupe posição de liderança, consolidando-se como protagonista global no segmento.
“Eu não tenho a menor sombra de dúvida que seremos um dos lugares mais importantes do mundo para isso”, reforçou Clark.
Com informações de: CNN Brasil
