Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Brasil sai novamente do Mapa da Fome da ONU após diminuir subnutrição

Brasil volta a sair do Mapa da Fome da ONU, mas ainda enfrenta desafios com insegurança alimentar que afeta 35 milhões de pessoas.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Bolsa Família Osmar Júnior

O Brasil está oficialmente fora do Mapa da Fome, segundo novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta segunda-feira (28). A saída ocorre após três anos de monitoramento, de 2022 a 2024, que demonstraram que menos de 2,5% da população brasileira está em risco de subalimentação — o critério estabelecido pela ONU para exclusão da lista.

A publicação, elaborada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), foi apresentada durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, em Adis Abeba, na Etiópia. Apesar do avanço, os desafios relacionados à insegurança alimentar ainda atingem cerca de 35 milhões de brasileiros.

Leia mais:

Previsão do tempo em Curitiba: terça com frio de 5°C, muita nebulosidade e pancadas de chuva

O que é o Mapa da Fome da ONU

Mapa da Fome
Imagem: EQRoy / shutterstock.com

Como funciona o indicador da FAO

O Mapa da Fome é uma ferramenta global que mensura a prevalência de subalimentação nos países. Trata-se de um indicador que analisa o percentual da população que consome, de forma habitual, menos calorias do que o necessário para manter uma vida ativa e saudável.

O Brasil esteve fora da lista entre 2014 e 2018. No entanto, o agravamento das desigualdades e da insegurança alimentar entre 2018 e 2020 fez com que o país voltasse ao mapa. Agora, a melhoria nos indicadores permite que o país seja novamente retirado do grupo.

Diferença entre fome e insegurança alimentar

Fome

A fome, na definição da ONU, refere-se a um estado de subalimentação crônica, em que o organismo não recebe energia suficiente (calorias) ao longo do tempo. Pessoas famintas deixam de fazer refeições por longos períodos e podem apresentar sinais de desnutrição física.

Insegurança alimentar

Já a insegurança alimentar é um conceito mais amplo. Ela se manifesta quando as pessoas têm acesso incerto ou limitado a alimentos nutritivos e suficientes, seja pela falta de dinheiro, acesso geográfico ou instabilidade de oferta. Pode variar de moderada (alimentação de má qualidade ou quantidade reduzida) a grave (falta completa de alimentos por um ou mais dias).

Mesmo fora do Mapa da Fome, o Brasil ainda tem 35 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, o que demonstra a urgência de políticas públicas focadas na qualidade da alimentação.

O que mudou para o Brasil sair do Mapa da Fome

Melhoria em indicadores sociais

Segundo especialistas, a queda no índice de subalimentação está relacionada à combinação de fatores como:

  • Reforço em programas sociais de transferência de renda, como o Bolsa Família;
  • Reorganização de políticas públicas de segurança alimentar;
  • Estímulo à agricultura familiar e regional;
  • Fortalecimento da merenda escolar e programas de alimentação comunitária.

Desempenho econômico

Embora o desemprego tenha caído nos últimos anos, o custo dos alimentos continua sendo um obstáculo. Ainda assim, houve uma leve recuperação do poder de compra em determinadas faixas de renda, o que impacta positivamente os indicadores de subalimentação.

Especialistas apontam os desafios persistentes

A fome em um dos maiores produtores de alimentos do mundo

Um dos paradoxos apontados por pesquisadores é o fato de o Brasil ser uma potência agropecuária, mas ainda enfrentar dificuldades em alimentar toda a sua população. O problema, segundo estudiosos, não é a oferta de alimentos, mas a distribuição e o acesso.

A produção voltada à exportação

Há uma divisão entre os especialistas sobre a responsabilidade do modelo de produção agrícola. Alguns afirmam que o foco excessivo nas exportações — como soja, milho e carne — prejudica o abastecimento interno. Outros argumentam que a produção é suficiente para ambos os mercados, e que o problema está na desigualdade econômica.

Desertos alimentares no território nacional

Um aspecto estrutural que contribui para a insegurança alimentar é a existência de desertos alimentares — regiões onde há escassez de alimentos saudáveis, como frutas, legumes e verduras. Esses locais geralmente concentram população de baixa renda e apresentam maior índice de doenças relacionadas à má alimentação.

O impacto das mudanças climáticas

Mapa da Fome

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Outro fator crítico é o impacto das mudanças climáticas na agricultura. Secas prolongadas, enchentes e alterações de temperatura estão prejudicando plantações e encarecendo o preço de alimentos, especialmente no Nordeste e em partes do Centro-Oeste. A adaptação climática da produção agrícola é hoje um dos principais desafios para garantir a segurança alimentar sustentável no país.

A importância da agricultura familiar

A agricultura familiar tem desempenhado um papel central no combate à fome. Segundo dados da ONU, ela é responsável por mais de 70% dos alimentos consumidos no Brasil. Iniciativas como hortas urbanas, cooperativas e programas de compras públicas da produção familiar têm ajudado comunidades em situação de vulnerabilidade.

Avanços nas políticas públicas de alimentação

Reativação de conselhos e programas sociais

Nos últimos anos, houve retomada de políticas públicas que haviam sido descontinuadas, como:

  • Reativação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea);
  • Fortalecimento da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN);
  • Ampliação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE);
  • Incentivo à criação de cozinhas solidárias e bancos de alimentos.

Essas ações colaboram para garantir o direito humano à alimentação adequada e saudável.

Perspectivas para o futuro

Mapa da Fome
Imagem: BUTENKOV ALEKSEI / shutterstock.com

O que falta para eliminar a insegurança alimentar

Apesar do avanço no combate à subalimentação, os números da insegurança alimentar revelam que a fome ainda é uma realidade para milhões de brasileiros. Para especialistas, a saída definitiva do Mapa da Fome passa por:

  • Políticas de redistribuição de renda;
  • Redução do desperdício de alimentos;
  • Controle dos preços e fortalecimento da produção local;
  • Educação alimentar e nutricional nas escolas e comunidades;
  • Monitoramento contínuo de indicadores sociais e alimentares.

Conclusão

A saída do Brasil do Mapa da Fome é um marco positivo, mas não deve ser interpretada como a resolução do problema. Com 35 milhões de pessoas ainda enfrentando insegurança alimentar, o país precisa manter o foco em políticas públicas estruturantes, justiça social e sustentabilidade na produção e no acesso aos alimentos. A fome é uma chaga social que só será erradicada com compromisso contínuo entre governos, sociedade civil e setor produtivo.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

Topicos relacionados