Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Caso de brasileira detida em aeroporto dos EUA já passa de um mês

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 6 min de leitura
Brasileira

A atriz brasileira Renata Alves Mietto, de 26 anos, está detida nos Estados Unidos há mais de um mês após ser abordada por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no aeroporto de Los Angeles. A prisão ocorreu em 27 de agosto, quando ela se preparava para embarcar em um voo doméstico com destino ao Havaí.

Segundo relatos da mãe da atriz à agência francesa RFI, Renata já havia passado pelos procedimentos de segurança e pelo raio-X e aguardava no portão de embarque quando foi abordada por agentes à paisana.

O caso chama atenção porque a detenção ocorreu durante uma viagem dentro dos próprios Estados Unidos e envolve uma pessoa que vive no país desde a adolescência. Renata perdeu o status migratório regular há cerca de dois anos, segundo a família, após receber orientação jurídica que teria sido equivocada.

Leia mais:

Novo grupo recebe benefício do INSS hoje; veja quais aposentados e pensionistas entram

Quem é a brasileira detida pelo ICE?

Brasileira
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Renata chegou aos Estados Unidos em 2016, aos 16 anos. Durante o período em que viveu no país, concluiu o ensino médio e cursou Artes Cênicas na Utah Valley University.

A brasileira também construiu uma vida profissional nos Estados Unidos. Segundo a reportagem da RFI, ela mora em Los Angeles há pouco mais de três anos e é proprietária de uma empresa de limpeza.

Na carreira artística, Renata participou de produções norte-americanas, entre elas a série The Cool Kids.

De acordo com a família, a jovem nunca teve antecedentes criminais. A situação que levou à detenção estaria relacionada exclusivamente à perda de seu status migratório regular.

Como ocorreu a prisão no aeroporto?

Renata foi detida em 27 de agosto, quando estava prestes a viajar para o Havaí para comemorar o aniversário da mãe.

A viagem era doméstica, ou seja, ocorreria entre dois destinos dentro dos Estados Unidos. Mesmo assim, agentes do ICE abordaram a brasileira no aeroporto de Los Angeles.

A mãe, Márcia Rilda Alves dos Reis, contou à RFI que a filha já havia passado pela segurança e pelo raio-X quando foi interceptada no portão de embarque.

O episódio surpreendeu a família porque, segundo Márcia, havia a percepção de que operações desse tipo em aeroportos estariam concentradas principalmente em pessoas com antecedentes criminais.

A advogada de imigração Gisele Ambrósio, que também atua junto ao Consulado dos Estados Unidos em Los Angeles, afirmou à RFI que houve aumento expressivo das detenções em aeroportos desde junho, inclusive durante embarques domésticos.

Por que Renata estava sem status migratório regular?

Segundo a mãe, a filha perdeu o status de permanência regular aproximadamente dois anos antes da prisão após receber uma orientação jurídica considerada equivocada pela família.

A situação migratória irregular, porém, não significa necessariamente que a pessoa tenha cometido um crime criminal. Trata-se de uma questão relacionada ao cumprimento das regras de imigração e permanência no país.

A diferença é relevante porque processos migratórios e processos criminais possuem naturezas jurídicas distintas. Uma pessoa pode ser detida por autoridades migratórias mesmo sem ter condenação criminal.

No caso de Renata, a família afirma que ela não cometeu crimes e que a detenção está relacionada à situação migratória.

Para onde Renata foi levada depois da prisão?

Depois de ser detida em Los Angeles, Renata foi encaminhada para um centro de detenção em Adelanto, na Califórnia.

Segundo a mãe, ela permaneceu aproximadamente 20 dias no local.

Após uma audiência realizada em 18 de setembro, a brasileira foi transferida para El Paso, no Texas, onde permanece detida.

A mudança de unidade dificultou ainda mais o contato da família. Márcia afirmou que parentes tentam obter autorização para visitar a filha, mas encontraram dificuldades para agendar a visita.

Defesa pediu que brasileira respondesse ao processo em liberdade

A defesa de Renata solicitou que ela pudesse aguardar o andamento do processo fora da prisão.

O pedido, porém, foi negado sob o argumento de que ela representaria um risco, segundo informações relatadas pela família.

A mãe contesta essa avaliação e afirma que a filha nunca cometeu crimes.

Enquanto permanece detida, Renata segue orientação jurídica para tentar encontrar uma solução para sua situação migratória.

Brasileira considera deixar voluntariamente os Estados Unidos

Uma das alternativas discutidas pela defesa é a saída voluntária dos Estados Unidos.

Segundo Márcia, a própria Renata vem seguindo as orientações de seus advogados para solicitar esse procedimento, embora a possibilidade de deixar o país seja emocionalmente difícil para ela.

A mãe também afirmou que considera a saída voluntária uma possível solução diante das circunstâncias do caso, apesar de saber que essa não seria a vontade inicial da filha.

A decisão, contudo, depende do processo migratório e das autoridades responsáveis pelo caso.

Mãe relata condições durante transferência

Em entrevista à RFI, Márcia também relatou as condições enfrentadas pela filha durante uma das transferências.

Segundo ela, Renata teria passado várias horas dentro de uma van, algemada e sem acesso adequado a água e banheiro. A mãe afirmou ainda que, depois de chegar a El Paso, a filha permaneceu durante horas em uma área antes de ser encaminhada para um quarto.

Esses relatos são atribuídos à família e não representam, por si só, uma conclusão independente sobre as condições da detenção.

A mãe também descreveu o estado emocional da filha como bastante fragilizado.

O que acontece agora com o caso?

Brasileira
Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A situação de Renata deve continuar sendo tratada no âmbito do sistema migratório dos Estados Unidos.

A defesa busca uma solução que permita encerrar ou modificar a situação de detenção, enquanto a família tenta acompanhar o processo e conseguir autorização para visitá-la.

O caso também ocorre em um período de maior atenção às operações de fiscalização migratória nos Estados Unidos. Segundo a advogada ouvida pela RFI, as detenções em aeroportos aumentaram nos últimos meses e passaram a atingir também passageiros de voos domésticos.

Para brasileiros que vivem nos Estados Unidos, o episódio reforça a necessidade de manter a situação migratória regular e procurar orientação profissional qualificada antes de tomar decisões relacionadas a vistos, permanência ou processos de imigração.

Conclusão

O caso de Renata segue sem uma definição, enquanto a defesa busca alternativas para resolver sua situação migratória e a família tenta acompanhar de perto o processo. A detenção também chama atenção para o aumento da fiscalização migratória nos Estados Unidos, inclusive em aeroportos e voos domésticos.

Até que uma decisão seja tomada pelas autoridades, a brasileira permanece detida em El Paso. Para imigrantes que vivem no país, o episódio reforça a necessidade de manter a documentação regularizada e buscar orientação jurídica especializada diante de qualquer problema relacionado ao status migratório.

Compartilhar